20/01/2013

A Música: Bandas de Garagem

Nunca tive grande vontade de ter uma banda de garagem.

Associava-as a uma sujidade própria do Rock, a uma rouquidão e presença que não tinha. Ideias completamente infundadas, criadas apenas pelo puro preconceito.

No fundo, tive uma experiência completamente distinta da maior parte dos músicos. Comecei num mundo diferente àquele onde vivia. Na verdade, foi "sem querer". Ouviram-me a cantar uma música da Marisa Monte num bar na ribeira de Gaia e incentivaram-me a fazer lá um concerto. Tentei convencer-me que não era capaz, que aquele não era o meu espaço, mas o entusiasmo começou a ganhar caminho e procurei um amigo músico para me fazer companhia. 

Foi a primeira vez que cantei ao vivo e foi maravilhoso. O meu amigo guitarrista era de Lisboa e houve uma conexão musical quase imediata. É daquelas coisas que não se explica nem se tenta mudar, só aproveitar. Mais uns concertos, sempre em formato acústico, onde eu fazia viagens de fim-de-semana para ensaiar e que pareciam nunca ser suficientes para alimentar o meu amor musical. E assim fui crescendo, num meio diferente do que pensava serem as bandas de garagem, mais "certinho" e organizado. As noites alongavam-se, enquanto cantava Anouk, Lamb ou Nina Simone. 

Quando decidimos dar o salto para algo mais ritmado com um baterista, também ele amigo, assustei-me. Não me ouvia, não queria berrar. Enfim, bloqueei nos meus próprios pensamentos. Era tudo muito alto, muito confuso. Confesso agora que fiquei muito tempo neste estado de marasmo, sem conseguir avançar. A minha voz simplesmente não se ouvia, não trespassava nem aparecia no meio de todos os outros instrumentos. Confesso também que creio ter sido isso que me impediu de continuar com aqueles músicos, insistindo num sentimento de familiaridade que talvez já não existisse.

Uma grande explicação para chegar ao fundo da questão. Todo o universo das bandas de garagem era-me completamente desconhecido até começar com Black Coffee a ensaiar na garagem do nosso "maestro". Literalmente na garagem. Foi também na mesma altura que iniciei a minha incursão pelo fantástico mundo do Centro Comercial Stop e dos seus moradores. Para quem não sabe, o Stop é o ponto de paragem obrigatória para quem tem uma banda de garagem. Situado no centro do Porto, foi em tempos um centro comercial, resgatado do abandono por músicos e alberga agora muitas salas de ensaio. É uma amálgama musical, o sítio que origina muitas ideias e que funciona como uma segunda casa para quem tem uma banda. Foi uma verdadeira descoberta para mim e desmistificou as ideias erradas que tinha. O Stop tem uma magia especial, onde a música exerce o papel de cola universal, um bem comum para todos os que lá habitam.

No ano passado, fui convidada pelos My Trulies para fazer "backing vocals" em três das músicas deles. Ao princípio ainda pensei que a minha voz não seria adequada para o ambiente Rock que eles respiram, mas a fusão foi tão boa que eu e a minha amiga Ana Alvarez decidimos continuar com esta parceria e ajudar em mais algumas músicas. Eles são a personificação do significado do que é uma banda de garagem. Amigos que se juntaram para fazer algo em que acreditam, com ensaios onde comungam com a vontade de elaborar coisas novas, de encontro com a visão daquilo que crêem. Muito mais do que uma simples banda de Rock, vão buscar raízes antigas para substanciar a música que os define e é um verdadeiro prazer fazer parte do mesmo palco que eles.

Para a semana, vou estar nas Fnacs do Porto com eles (ver este link com todas as datas). Até lá e para vos abrir o apetite, vejam o vídeo da Balcony Tv aqui.

P.S. Para quem quer ter mais uma ideia do que é o Stop e da associação de músicos que lá nasceu, façam o favor de visitar esta página.

2 comentários:

  1. Começo por dizer que não entendo nada destas tecnologias :) Realmente, reconheço, que tens feito um trabalho de "alma" nesta tua vertente assim como na psicologia. Parabéns pela sábia escolha já que a ALMA nos leva sempre à tranquilidade... Te amo filhota
    Rui

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