08/01/2013

Remédios Caseiros: a Ana Mexedo


A Ana é daquelas pessoas que enche uma sala inteira só com um sorriso.

O estilo informal com que começamos a entrevista prevê uma conversa fácil e fluída, embora haja nervos de ambas as partes. A Ana, doce como sempre, quebrou as barreiras com o seu carinho e deu início à sua apresentação.

"Olá, eu sou a Ana, tenho 37 anos e as palavras que me definem são: sonhadora, viajante, tradutora, gulosa, boa cozinheira (ou segundo me dizem) e amiga dos meus amigos."

A Ana tem esta particularidade. É uma amiga de mão cheia. Sem dúvida, a característica que mais a domina. 

Faz tradução técnica inglês-português de material médico e farmacêutico, sobretudo. É o trabalho que mais lhe dá retorno financeiro, mas ela não parou por aqui. 

Em 2011 decidiu abrir um site para demonstrar as suas façanhas enquanto doceira e dar a conhecer o seu trabalho. Com o nome de Candy Stitch, a sua especialização centra-se nos bolos, cupcakes, bolachas decoradas, macarons e chocolates que, só de lembrar, me enchem a boca de água. Ficou a promessa de mais bonecos de lã para breve na vertente Stitch, mas perdeu-se nas actualizações e manteve-se apenas na memória dos amigos e conhecidos. 

A inspiração? Vai buscá-la às pequenas coisas. "Um padrão de um pijama de um miúdo", livros infantis, decoração, Natureza. Para a Ana é fácil - basta pegar num assunto qualquer e transpor para a comida. Herdou esta mesma inspiração dos pais, que refere serem ambos bons cozinheiros, dedicando-se, desta maneira, com 13 anos a decorar bolos com um saco de pasteleiro. Foi assim que começou a dedicar-se a procurar receitas diferentes e a interessar-se cada vez mais em estar na cozinha, experimentar coisas novas, testar as combinações infindáveis que a sua cozinha lhe traz. Se alguém perguntar o que é que os bolos da Ana têm de especial posso responder prontamente. É o carinho e o amor que lhes dedica que os torna tão deliciosos e viciantes!

Acabou de chegar duma viagem invejável de 5 meses à volta da Europa. Já vinha preparada para responder à pergunta-chave:

"Quais foram os teus países favoritos?"

Responde, sem receio: "a Escandinávia". A simplicidade do design aplica-se às mais pequenas coisas, até na comida. A sociedade enquadra-se perfeitamente nesta funcionalidade e é um sítio onde gostaria muito de viver, se algum dia conseguisse. 

Por outro lado, também adora os Balcãs, principalmente a Eslovénia e a Croácia, pela preferência nas paisagens e na simpatia das pessoas. E foi nestes países que aprendeu muito sobre a Guerra, recordações ainda recentes e o impacto que ela teve. Ficou a vontade de conhecer mais a Itália e a Grécia, continuar a provar comidas, sons e cheiros diferentes.

Para a Ana, viajar dá-nos a oportunidade de aprender, abrir horizontes. Não só pela inspiração que nos pode trazer, mas também na consciência dos outros e na sensibilização para o que nos rodeia. Há uma mudança de perspectiva que se revela substancial. Ainda assim, nem sempre resulta. A liberdade sabe bem, mas chega a uma altura em que é necessário haver estabilidade e responsabilidade. O próximo passo é ir para Dublin, onde existe mais oferta de trabalho e uma promessa duma vida superior. "Lá fora é melhor", ainda que não exista tanto apoio emocional, longe da família e dos amigos.

A pergunta de um milhão: "e filhos?"

O relógio biológico está a atacar com toda a sua força, "já começa a ser hora", mas é muito mais importante que exista uma grande estabilidade, condições perfeitas e uma estrutura responsável que dois trabalhadores independentes não têm. Assim sendo, em Dublin vai tentar trabalhar em tradução numa agência ou empresa que lhe vai permitir esta base. Se tudo correr bem, lá até pode viajar mais e ir mais longe. Depois disto, a vontade de ter filhos é grande e o sonho passa por poder combinar a família, as viagens e as duas componentes do trabalho, nunca esquecendo os seus mimos doces e a criatividade, tudo a seu tempo. 

"Tudo se faz", resume a Ana e é possível viajar com crianças e articular todas as vertentes. Para nós, os seus amigos, resta-nos a esperança de a encontrar sempre com o sorriso que açambarca o Mundo. 

Boa sorte!

8 comentários:

  1. Amei a entrevista :) <3 ... o meu coraçãozinho ficou apertadinho por estar longe de vocês as duas e ao mesmo tempo enorme de felicidade por vos conhecer às duas!

    Beijinhos grandes a ambas!

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  2. Posso dizer-te que me fizeste chorar e aos meus pais também. É uma honra imensa ser tua amiga e sentir-me assim acarinhada por alguém tão especial como tu. Escreves muitíssimo bem e será um prazer enorme acompanhar aqui o teu trabalho e as conquistas que tanto mereces. Desejo-te a maior das sortes, minha Mary Poppins, porque talento e inspiração não te faltam! <3

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  3. Uma excelente entrevista!!! tanto da parte da entrevistada como da entrevistadora!!! AMEI!!!! Beijocas às duas!!!!
    Luísa Queiroz

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