15/01/2013

Remédios Caseiros: a Daniela Maia

A palavra de ordem da Daniela é a honestidade. 

A persistência e a vontade de fazer algo de válido e substancial com a sua vida é o que mais me surpreende nesta "menina" de 24 anos. Sempre que se dedica a algo é incansável na sua procura pela perfeição.

Representação aprimorada da Academia Breyner, a sua presença reclama "a cara" desta instituição, tão ligada à música e à dança. Mais do que uma mera assistente administrativa, ela consegue combinar duma forma quase perfeita a personalidade dos alunos com os professores, que revela conhecer tão bem. Como uma verdadeira "faz-tudo", ela procura coisas que possam contribuir de forma autêntica para uma melhor experiência de vida. Ela defende que as relações devem ser positivas para que haja aproveitamento por parte dos estudantes e que os professores devem ser mais como mentores, inspirando os seus alunos a fazer mais e melhor. Através de cursos como o de Rock, de Jazz e o Curso para Bandas, a Academia revoluciona pela inovação e funciona como uma porta de entrada para o desenvolvimento funcional de aspectos muito importantes para a formação de um músico.

A Daniela nasceu em Coimbra, onde viveu durante os primeiros anos, tempos ainda sem convicções. Com uma tendência natural para as artes, teve um contacto permanente com a música, iniciando-se com apenas 6 anos num coro. Em experiências com um amigo guitarrista, a sua motivação musical passou a ser uma obrigação para si mesma. Numa altura em que tantos amigos ainda tentavam decidir aquilo que queriam para o futuro teve de fazer opções, difíceis para uma adolescente. Ainda assim, não desistiu de perseguir aquilo que a fazia feliz, mesmo quando isso implicou o seu desligamento do Mundo.

"A minha motivação é o meu combustível" e o que mais a define são as coisas em que acredita. Será utopia? Não. Quem a conhece, vê a paixão que ela carrega nos olhos. Contrariando tudo e todos, todos os dias continua a provar que a luta adoça a boca de quem deseja maior realização pessoal. Na família, a sua mãe teve medo e sentiu a falta do seu rebento, mas nunca deixou de a apoiar incondicionalmente, como só as mães sabem fazer.

Depois do coro, teve aulas de canto com três professoras. O trabalho breve com a Sara Serpa limpou  os seus vícios e ensinou-lhe novas técnicas rigorosas e essenciais. Com a Mafalda Chandler aprendeu a ser leve, menos rígida e encontrou-se a si mesma, experimentando coisas novas. A Sofia Ribeiro (wiki e myspace) foi a professora que teve mais tempo e durante cerca de 3 anos ganhou muita bagagem musical e conseguiu decifrar alguns caminhos que queria fazer com a voz, dando-lhe uma forte base teórica. Contudo, a Daniela defende com unhas e dentes a vontade de aprender por si mesma, revelando-se uma auto-didacta de coração e alma. "Ser cantor é ser muito solitário" e pode reduzir a capacidade produtiva musical, por isso ela decidiu investir também no estudo de diferentes instrumentos para enriquecer a sua criatividade. 

Quatro anos passaram desde a formação do projecto que tem neste momento, ainda sem nome. Com a colaboração dum amigo baixista (o Carl), este plano já teve reviravoltas, foi destruído e fizeram tudo de novo. Entretanto, foram-se criando novas ligações musicais e pessoais, garantindo a presença de pessoas certas para a elaboração de algo verdadeiramente original. Para a Daniela, "não basta ser um bom músico"; embora isso seja principal e fundamental, o "à vontade" determina a produção artística.

Neste momento, denomina o Rock como a melhor forma de se expressar, pela sua intensidade e facilidade de transmitir pensamentos e emoções. A Elis Regina emerge como a sua influência mais predominante, não tanto pelo seu estilo musical, mas pela força que era e denunciava, pela sua integridade e entrega. A Daniela prova que a música caminha de braço dado com a honestidade, pois sem haver o conhecimento dos nossos pontos fracos e a presença de espírito de transparecer a maior entrega, somos apenas mais uma voz a "papaguear qualquer coisa".

Quero dar tempo para que ela dê o salto. Quero aplaudir de pé a sua sinceridade. Quero dizer-lhe que ela me dá alento para ser uma pessoa melhor, mais honesta, assim como ela.

5 comentários:

  1. A maneira doce com que descreves estas pessoas deixa transparecer um carinho e admiração genuínos muito ternurento, que é muito bom de ler :)

    Continua a escrever, por favor!

    Um beijinho :)

    ResponderEliminar