22/01/2013

Remédios Caseiros: o Ricardo Soares

"Não é obrigatório que o psicólogo seja um bom ser humano", diz o Ricardo despretensiosamente. Ainda assim, posso antecipar que o é.

Com 28 anos, revela o desconhecido com a facilidade de um psicólogo, apesar de não gostar de ser limitado apenas à sua licenciatura. Sempre apreciou a área da Saúde, mas a Psicologia só surge no secundário, onde somos obrigados a fazer escolhas a longo prazo. O interesse por temas como a personalidade e as relações interpessoais falou mais alto, muito embora agora reconheça que só entendeu o que era ser psicólogo quando terminou o curso. O emprego típico de escritório nunca fez parte dos seus planos, mas gostava de se sentir útil, de ver mudanças nas pessoas, ajudar duma forma organizada e positiva. No fundo, estimava a ideia de traduzir para a teoria aquilo que diariamente elaboramos na prática.

A sua formação iniciou-se no ISMAI, onde tirou o curso de Psicologia. Nem sempre se sentiu completamente adaptado àquele mundo; afinal, a sua vontade era ir para a pública. Ainda assim, assume que o seu rumo académico nunca foi prejudicado, facto mais do que comprovado durante o seu mestrado em Inglaterra, onde nunca se sentiu perdido. Na licenciatura, apercebeu-se que não queria seguir o percurso clínico e o estágio curricular em Psicologia da Saúde libertou-o da limitação de um gabinete. Foi assim que ganhou o gosto pela investigação e pela promoção da saúde. Afastou-se de Londres quando escolheu o seu local de mestrado: para ele era importante o contacto prático, um desafio que o fez crescer, tendo de saber lidar com a vida sozinho e encontrando a sua verdadeira identidade num mundo social e culturalmente diferente. 



Numa área constituída maioritariamente por mulheres, o Ricardo defende a lógica da sensibilidade feminina, tão necessária para a empatia e a escuta activa que figuram a ciência dos Homens. Para ele, os homens são mais pragmáticos e o conforto de saber dividir os assuntos relativos ao consultório da sua vida pessoal surgiu com a experiência e com o passar dos anos. É necessário "separar as àguas" e o Ricardo representa a aliança perfeita entre a delicadeza do ouvir e a objectividade do estar.

Hoje em dia, não tem a independência monetária que almeja. Apesar de tudo, argumenta que faz aquilo que gosta e acredita. Ostenta o cargo de bolseiro de investigação pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde já participou para outros projectos de análise com assuntos relativos à Eutanásia, à Gravidez de Substituição, à Cardiologia e à Educação para os valores. O contacto com matérias relacionadas com a Medicina deram-lhe uma facilidade de entendimento e de manobra relativamente aos incentivos para a saúde. Actualmente dedica-se à avaliação cognitiva e psicológica das pacientes da Clínica da Mama do Instituto Português de Oncologia do Porto e tem vontade de abrir asas até outro lugar.


 Com Londres e Lisboa nos seus roteiros profissionais, demonstra estar numa fase de mudança pessoal, onde deseja assumir uma escolha que vai para além da "obrigação" ou do "clichê" presente de trabalhar no estrangeiro. Em Inglaterra, os meios são mais desenvolvidos e Portugal ainda retrata uma realidade onde é mais difícil "quebrar barreiras". Desta forma, continua a candidatar-se a bolsas de investigação e sonha com uma vida económica mais estável, mesmo que para isso tenha de mudar de país.

Contrariando a desmoralização demonstrada nestes tempos de crise, o Ricardo continua com um brilho especial no olhar. É o que designo como esperança, a maior qualidade dos vencedores.

6 comentários:

  1. Adorei...
    És o meu orgulho e escreves tão bem que fiquei com vontade de conhecer o Ricardo!

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    1. Acho que o Ricardo também ia gostar de te conhecer, mamã :) Pessoas especiais deviam de estar sempre juntas!

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  2. Fantástico! Excelente entrevista, muito bem elaborada, com uma ótima composição linguista. Muito simples e eficaz. Gostei bastante de toda a estrutura e temas elaborados. Não podia deixar de referir que também as fotografias estão de uma simplicidade e criatividade brilhantes. Adoro os enquadramentos. Parabéns pela elaboração da entrevista.

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  3. Parabéns aos 2...! :)
    Nada como um encontro imediato :)

    Continua Richard e chegarás longe!
    Raquel, prometo acompanhar o teu blogue com regularidade :)
    Tem sido uma boa surpresa...
    Abreijos...!
    Tiago Borges

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  4. Muito obrigada pelos comentários que me aquecem a alma! Vamos lá ver se continuam :)

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  5. Raquel vais-te tornar numa grande blogger e entrevistadora!! E eu fico ainda mais satisfeito por fazer parte dos teus entrevistados. Adorei!!! Continua!!

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