24/01/2013

Terapias Expressivas: a Criatividade

Muitos são os que se indagam sobre a criatividade. Mas afinal o que é criar? E ser criativo?

Comecemos pelo contexto histórico e teórico. Tendo em conta a definição de Anderson em 1965, "representa a emergência de algo único e original" e em 1974, Stein surge com uma nova premissa em que "a criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo". Assim sendo, a criatividade tem relação directa com o início duma coisa absolutamente nova e original. Mas será que isso tem de ter explicação?

A criatividade liga-se a conceitos tão vastos como a espontaneidade, a inovação, a imaginação, a inteligência e o pensamento divergente. É obrigatório que se pense "fora da caixa" para criar algo verdadeiramente artístico e singular. Seguindo este raciocínio, a obra de arte representa um símbolo, algo que é considerado duma beleza única que pode ter uma utilidade prática, dependendo da conjuntura histórica, cultural e do próprio significado de arte de cada um. É, portanto, individual, ainda que assuma uma forma de terapia tanto para o autor no seu processo de criação, como para os receptores quando a observam, escutam ou experimentam. A simples expressão por si só já representa uma catarse, não necessitando de nenhum fundamento ou justificação.

Novo campo de discórdia: a originalidade. Li algures no tempo que já ninguém podia ser original, que tudo já tinha sido feito e que actualmente só existem réplicas, cópias e plágios. Não consigo concordar e acho que esta ideia associa-se à diferença de valor que cada um dá à originalidade. Para mim, tem a ver com a aceitação da obra por parte do criador, uma provação para aquilo em que acredita na realidade, sendo, por isso, muito difícil de mostrar para alguns artistas pela dureza de julgamento por parte deles mesmos ou dos outros. 

A criatividade revela a sua complexidade quando nos aventuramos a defini-la. Mais do que uma defesa da criatividade, é necessário fundamentá-la. O talento, muitas vezes associado à prática da originalidade, não indica directamente uma maior capacidade criativa. Cada vez é mais importante que as crianças tenham acesso a vários tipos de arte e inspirações para que possam diversificar pensamentos e sentimentos, para que sejam emocionalmente mais instruídas.

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