14/02/2013

Terapias Expressivas: o Teatro Social

(fotografias por Fred Gomes)

O corpo é o primeiro elemento da vida.

Ao longo da nossa existência, vamos construindo diferentes "Eus" por imposição de certas normas sociais, impingidas por regras não escritas directamente ligadas à cultura e ao espaço onde vivemos, às pessoas com quem convivemos. Desta forma, o nosso corpo fica condicionado a movimentos mecânicos, inconscientes e automáticos, moderados pelas nossas vivências, sendo, por isso, absolutamente necessário que tentemos contrariar esta reserva e contracção.

O teatro dá-nos a oportunidade de desenvolver a nossa capacidade criativa, aceder à nossa personalidade mais sincera e mergulhar dentro de nós mesmos, lugar habitado pelas personagens que assumimos. Somos pais, filhos, amigos, cônjuges, empregados, empregadores. Vestimos a nossa profissão e distinguimo-nos pelas experiências que temos em determinados campos. Como portugueses saudosistas, acrescentamos o gosto peculiar em assumir doenças como nossas. A pluralidade de códigos teatrais permite-nos redescobrir a dimensão integrada do corpo, imaginação, as nossas emoções e pensamentos, promovendo a afirmação de nós mesmos e o reconhecimento social.


Esta esfera teatral consegue agir no plano real, na medida em que operamos na dimensão do sonho, originando uma verdadeira ligação entre a arte e a realidade, recriando a nossa vida. O Teatro Social concentra o trabalho ao nível individual e grupal, representando um poder pessoal e colectivo, fortalecendo não só competências expressivas e artísticas, mas também psicológicas e sociais. De facto, a formação artística não é necessária, visto que o produto é pessoal e intransmissível.

A identidade pessoal é favorecida  ("Eu sou"), já que é um local para observar dinamicamente os próprios sentidos, para sentir tudo o que se toca, escutar o que se ouve e ver tudo o que se olha. Na perspectiva da identidade do grupo ("Nós somos"), os jogos de confiança funcionam como exercícios cooperativos, onde o contacto corporal é absolutamente fundamental, pois ajuda na fundamentação da empatia, em que a relação com os outros serve para a descoberta de si mesmo. Por fim, dedicamo-nos à activação do grupo ("Nós fazemos"), para que se elabore uma visão diferente das coisas, dar novos sentidos ao que já existe e ver o que aparentemente não existe.


Salientam-se algumas técnicas utilizadas no trabalho do "Eu expressivo". O Teatro Imagem é uma forma de encenar várias situações da vida através das próprias imagens corporais, analisando e racionalizando as dinâmicas individuais e colectivas, num momento conveniente para mudar aquilo que não gostamos. No Teatro Fórum ou do Oprimido, representamos situações de conflito ou opressão, de modo a que possamos resolver conjunturas de mal-estar e injustiça. Uma das etapas mais importantes surge com a apresentação do Clown, do nariz vermelho como a máscara mais pequena do Mundo, uma abertura para um universo interior, onde contactamos directamente com a nossa criança e o humor é o nosso melhor aliado.

"A vida é muito importante para ser levada a sério" (Oscar Wilde)


O Teatro Social transforma espectadores em actores, autores ao comando da sua vida. É um meio de conexão, expressão, auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal, numa autenticação da nossa personalidade, promovendo uma maior flexibilidade e coragem para enfrentar o que nos rodeia. O palhaço dentro de nós permite-nos brincar com o desconforto das nossas frustrações, libertarmo-nos de preconceitos e inibições, abandonar a nossa zona de conforto para experimentar registos ridículos e vulneráveis. É a ocasião que temos de nos conhecermos, de nos aceitarmos como somos, de rirmos de nós mesmos e aprendermos connosco e com os outros, duma maneira relaxada e única.

P.S. Aproveito para chamar a atenção que as inscrições para o curso "O Eu Expressivo"  a realizar nos dias 23 e 24 de Fevereiro ainda estão abertas. Dúvidas, questões, comentários, inscrições ou outras coisas que tais, enviem um email para raquel.caldevilla@gmail.com .

2 comentários:

  1. Este post deixou-me ainda mais curioso com o workshop do proximo fim-de-semana :)

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  2. É portuguesa e só neste workshop de onde foram retiradas estas fotografias trabalhou e controlou mais de 40 pessoas. Sim sou da família mas orgulho-me do amor e profissionalismo que dedica em tudo o que faz. Inscrevam-se porque irão adorar.

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