21/02/2013

Terapias Expressivas: a Timidez

A timidez ou ansiedade social é uma condição amplamente conhecida.

Por vezes, sentimo-nos mais receosos ou hesitantes em situações sociais, como antes de falar em público, apresentar novas ideias, conhecer alguém importante ou relevante para nós. É um mito dizer que a timidez está mais para os introvertidos do que para os extrovertidos e é importante referir que a timidez se distingue de episódios patológicos de fobia social e ataques de pânico. No seu âmago, caracteriza-se pela fraca habilidade de estar à vontade consigo mesmo em conjunturas sociais, onde as pessoas em questão se sentem agitadas, com o coração à bater mais rápido, a boca seca, as mãos geladas e o corpo transpirado, a face e o pescoço ruborizados. Em casos mais graves, pode até acontecer algum sofrimento antecipado e quebras de memória, em que se "apaga" tudo o que se queria dizer e escrever e entra-se num estado de nervosismo tão grande que pode condicionar o futuro.

Esta disposição pode estar confinada a circunstâncias específicas, não se tornando incapacitante ou angustiante, mas, por vezes, consegue afectar todas as áreas da vida social. Desta forma, certas pessoas tendem a evitar certas situações, lugares, constrangimentos ou defesas da própria opinião, por receio de confronto e exposição. A timidez assenta raízes no medo irracional de ser-se humilhado ou ignorado e tem como causas principais a hipersensibilidade emocional, a insegurança, a ausência de habilidades sociais e o perfeccionismo. Ainda que tenha relação directa com a fraqueza na auto-imagem, formada por algumas experiências de afronta ou diminuição de si mesmos na infância, esta conjuntura pode estender-se até à vida adulta.

Para lutar contra este tipo de estrutural mental e comportamental, é necessário que nos afastemos da preocupação connosco mesmos. A atenção centrada em nós só aumenta a ansiedade e faz com que estejamos constantemente a questionar cada movimento. A verdade é que cada um está ocupado com aquilo que acha que são os seus próprios defeitos, por isso o sentimento de ser centro das atenções é descabido. Não podemos agradar a todos e, por isso, devemos assumir as nossas limitações, mas também as nossas qualidades únicas e que nos tornam tão singulares. Não nos devemos menosprezar ou sermos demasiado exigentes connosco: os outros também têm defeitos e não devemos idolatrar ninguém.

O maior segredo é enfrentar o que se teme, sair de casa e do casulo confortável. Se mudarmos a postura que temos em relação ao Mundo, ele muda ao nosso lado.

1 comentário:

  1. Revi-me muito naquilo que escreveste. Obrigada Raquel, foi muito útil ;)

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