24/03/2013

A Música: Adolescência Feminina

(Fiona Apple © The Schleicher Spin)

Fugindo ao fundamentalismo que me faz alergia, gosto muito de me sentir feminina e até feminista. Longe dos estereótipos de mulheres com depilação por fazer ou conceitos rebuscados, a ideia principal é defender os nossos direitos enquanto "iguais". Sem querer entrar em batalhas éticas ou políticas, sinto que essa minha inclinação teve a ver com as músicas e cantoras que encontrei na minha adolescência.

Lembro-me perfeitamente que comprei os meus primeiros CDs de Ani DiFranco e Fiona Apple no mesmo dia. Estava em pleno processo de desgosto amoroso e de auto-conhecimento, a tentar cooperar com aquilo que me era imposto e que me rodeava, mas, principalmente, com os aspectos mais intrínsecos da minha personalidade. Isso era a adolescência, a construção através da desconstrução e, passados estes anos todos, ainda bem que assim foi. Recordo com um sorriso os tempos em que batia o pé às coisas que não acreditava, era uma rapariga que não ia com modas e rejeitava princípios epidémicos e tendenciosos.

(Ani DiFranco © Autostraddle)

Ani DiFranco entrou-me rapidamente nos ouvidos e morou lá durante toda a minha formação enquanto pessoa. Com um grau fortemente folk, representa a revolução das palavras e empenha-as com determinação. "Both Hands" foi das primeiras músicas que cantei, e fez-me sentido pela letra sincera que a definia e pela história de amor que me custava deixar:

"I am writing graffitti on your body
I am drawing the story of how hard we tried"

Depois, outras músicas desta senhora, nomeadamente "Little Plastic Castle" (aqui) e "32 Flavors" (aqui).

A capa do CD de estreia de Fiona Apple, Tidal, chamou-me a atenção (ver e ouvir na totalidade aqui). Os seus olhos revelaram um espelho para o meu interior, uma maneira de me ver com cuidado. A época coincidiu com a grande explosão de criatividade poética em casa, onde escrevia desmesuradamente, por isso foi com alívio que descobri que esta senhora parecia escrever para mim, coisas da minha vida, como eu gostaria de o fazer. Foi a banda sonora de momentos substanciais para mim com "Sleep to Dream", "Criminal", "Paper Bag" (aqui) e "I Know" (aqui). Mais recentemente, o seu trabalho datado do ano passado é capaz de encher quaisquer medidas (ouvir aqui).

É incrível como este texto me levou a tantos recantos da memória. Numa altura em que penso estar numa nova construção dum novo "Eu", mais seguro e confiante, estas duas influências vêm reafirmar que estou no caminho certo, o do coração.

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