26/03/2013

Remédios Caseiros: o Paulo Pimenta

Expressão dum misto de culturas que o define, o Pimenta é a especiaria que falta para estimular a vida de qualquer um. Nascido numa "cidade no meio do nada", é com orgulho que se diz ser brasileiro, de Itumbiara, Goiás. O português gingado continua em cada palavra e representa o seu riso, a sua presença animada.

Os pais conheceram-se em Angola em plena época de independência. Na altura, o objectivo era voltar para Portugal, de onde eram originais e sentiam a tão reconhecida saudade. Ainda assim, os tempos eram outros e difíceis, por isso, perante uma oportunidade de emprego no Brasil, o pai meteu mãos à obra. Os requisitos da sua mãe eram fáceis: tinha apenas de existir um hospital e uma farmácia, e, depois de se certificar que assim estava segura, também seguiu caminho. O Pimenta relembra esses momentos como o início da sua fonte de generosidade, onde os vizinhos, sem conhecer os refugiados que lhes entravam país adentro, decidiram organizar um "chá de panela" e ofereceram o que precisavam para começar uma nova vida. É uma "dívida eterna" que sente fazer parte de si enquanto pessoa. Depois, chegou a viver 5 anos no Iraque, realidade essa que lhe abriu os olhos para muitos preconceitos descabidos que absorvemos com a nossa televisão, contrários à bondade que encontrou novamente nos árabes. Voltaram ao Brasil e foi em 1992 que vieram para Portugal definitivamente, primeiro para Vila Real e depois para o Porto.

Com 36 anos, a dedicação envolve-o com a carícia que nos abraça. Trabalha na empresa que os pais começaram, numa área específica da Engenharia, com dispositivos anti-sísmicos. Tem o típico cargo de resolução de problemas, de fazer tudo o que não é técnico e empenha-se no seu ofício. Compara as empresas grandes com orquestras nas quais podemos ser maestros, e o seu compromisso a uma pequena banda de jazz onde improvisa com aquilo que tem.

Apesar da sua formação ter passado primariamente pelo curso de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, as suas ambições políticas perderam-se, assim como o seu desejo de "salvar a humanidade". Fez Erasmus na Bélgica e por lá ficou mais um ano, num voluntariado onde comunicava com pessoas de todo o Mundo através duma Associação Internacional de Estudantes.

Graças à sua actividade actual, teve a consciência que a liberdade que poderia ter estava condicionada pela carência de aptidões técnicas, e recentemente ingressou na licenciatura de Engenharia Civil no Instituto Superior de Engenharia do Porto para poder tocar todos os instrumentos na continuação do sonho dos pais. A sabedoria do tempo deu-lhe a capacidade de entender que gosta muito do que faz e que almeja aplicar-se ainda mais na reabilitação sísmica. Presentemente, trabalha de dia e estuda à noite. Ainda que o curso lhe dê percepção da responsabilidade e do sacrifício que é ter menos tempo para a sua vida pessoal, o Pimenta revela que, quando entendemos a razão porque investimos tanto nos nossos objectivos, é mais fácil de abdicar de certas coisas.

Aprendeu com uma amiga de Taiwan (que conheceu na Bélgica) a ver as situações doutra maneira e não se queixa dos problemas, pois sabe encará-los de frente e acredita que o sorriso é capaz de os desmistificar. Com o seu avô paterno, homem de outras eras e original duma aldeia no norte de Portugal, Lindoso, teve a oportunidade de conviver com a tolerância, a liberdade individual. Desta forma, o Pimenta centra-se nestas pessoas quando o seu dia está mais em baixo de forma.

Vindo duma família itinerante e com a facilidade de conhecer diferentes culturas, é um membro activo do CouchSurfing, comunidade onde nos apresentámos. A questão do sofá é, na verdade, uma desculpa para algo muito mais importante e foi aqui que ele abraçou vários amigos. Tem um especial prazer por mostrar a sua cidade às pessoas que a visitam, pois acha ser uma "obrigação patriótica". A sua paixão pelo Porto é peculiar, pois aprendeu a vê-la duma forma diferente das outras pessoas:

"Se uma pessoa cresce num lugar fantástico será que ela tem noção do lugar fantástico onde vive?"

De facto, o Porto é, para ele, a maior aldeia do Mundo, onde tudo é convenientemente perto, improvável mas seguro, dinâmico e criativo, interpretação máxima do potencial dos que cá vivem, com a mente aberta para novas descobertas.

Naturalmente sublime e humilde como só ele, Pimenta afirma que a sua maior qualidade são os amigos que tem. Sorte temos nós, podendo afirmar com certezas que ele é um daqueles amigos à séria, leal, correcto, transparente, duma generosidade sem limites.

4 comentários:

  1. Raquel, EXCELENTE o teu resumo do Paulo!!!!
    Se no meu caso foste muito generosa nos adjetivos, no Paulo acho que foste fantástica!!!!
    Parabéns, Raquel.
    Obrigada por esta escrita tão emotiva e envolvente, tão positiva!
    A tua fã,
    Luísa Queiroz

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  2. Não tenho a honra de conhecer, pessoalmente e com tempo, a pessoa aqui tão bem descrita.
    Parabéns não só pelas palavras que o descreveram porque, pelo menos a mim, deixaram-me com a vontade de o conhecer mais particularmente, digamos assim.

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  3. O Paulo é GRANDE, no coração e no carácter! No caso dele, generosidade é realmente um eufemismo =)
    É tão bom ver os melhores amigos do mundo a partilharem afectos!
    Um xi-<3 enorme, Raquel e Pimentinha
    Ana Mexêdo

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  4. Conheço o Paulo desde 2005, e penso que o resumo, feito do Paulo, esta perfwetio


    O Paulo é grande, grande em pessoa, como de coração.

    Adoro te Paulinho, e continua a ser como es, igual a ti prporio.

    Beijinhos

    Angelikalima

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