21/03/2013

Terapias Expressivas: Abraços Benéficos

Fred Gomes)

Um abraço é um mimo para a alma, um dos principais gestos de afecto e faz qualquer pessoa sentir-se melhor, duma forma imediata.

É, de facto, uma corrente internacional e universal, na medida em que todos podem dar e receber abraços, independentemente da sua raça, país ou idade e das mais variadas maneiras, só depende da criatividade de cada um. A sensação é de conforto e protecção, estreitando relações e promovendo a empatia, sendo também um grande aliado no combate ao stress, já que diminui a pressão sanguínea e, consequentemente, o risco de doenças cardíacas. Entre os benefícios mais conhecidos temos a alteração da fisiologia de quem recebe o abraço, um sentimento de satisfação das duas partes envolvidas e uma ferramenta de desabafo muito eficaz.

Quando damos e recebemos um abraço, existe uma activação das regiões temporais e frontais do cérebro, representando o prazer e libertando hormonas como a serotonina, dopamina e oxitocina, fontes de alegria e entusiasmo. Esta última, a oxitocina, é considerada a "hormona do amor", envolvida directamente na bioquímica do afecto e é produzida pelas mães quando estão grávidas e também quando amamentam, mas também durante as relações sexuais. Deste modo, o abraço pode ser viciante e aumenta os laços entre os sujeitos, sejam eles pais, filhos ou casais.

Campanhas como "Free Hugs", onde as pessoas abraçam estranhos na rua, podem ser muito favoráveis para a saúde, pois provocam momentos de descontracção e divertimento, uma verdadeira onda de actos de bondade e carinho espontâneos. Ainda assim, o neurofisiologista Jürgen Sandkühler do Centro de Investigação Cerebral da Universidade Médica de Viena da Áustria sustenta que os proveitos só podem ser sentidos se houver confiança mútua, pois se as pessoas não se conhecerem ou se o abraço não for desejado por ambos, os efeitos perdem-se.

Um pedido especial: abracem-se. Mais, melhor, pelo menos uma vez por dia. Abracem os vossos familiares e amigos, aquelas pessoas mesmo reservadas ao vosso coração. As crianças desenvolvem e fortalecem a inteligência emocional e é muito importante para o conforto das mesmas. Já nós, os grandes, estabelecemos caminhos e estreitamos relações que não há diferenças ou barreiras que nos separem. 

P.S. Há uns anos atrás participei num "Free Hugs" com uns amigos indianos, que não sabiam o que significava nem porque o iam fazer, diferenças culturais em acção. Foi um dos dias mais deliciosos que tive, a ver senhoras da ribeira e peixeiras de nome na praça a ser abraçadas e a rir a bom rir com os meninos indianos.

2 comentários:

  1. Concordo plenamente. Sou um homem de abraços. Este é um acto terapêutico que faz parte de todas as minhas consultas. Promove, rapidamente, o contacto de chacra cardíaco com o mesmo de quem dá ou recebe. Sim! Abracem-se ou abracemos-nos porque também o podem fazer convosco mesmos. Hummmmmm que gostoso....

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  2. Sem duvida uma predisposicao para aceitar um abraco e' imprescindivel para a "magia acontecer", caso contrario a experiencia pode chegar a ser traumatizante. Quem nao ja teve que abracar porque e' socialmente suposto abracar aquela pessoa... Mas e tambem cultural, num free hugs que fizem Amsterdam recebi 3 abracos em hora e meia. Para os holandeses, abracar um desconhecido e' demasiado exotico...

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