28/03/2013

Terapias Expressivas: Amigos Imaginários

Tema representativo de vários estudos no âmbito da Psicologia da Criança, os amigos imaginários demonstram a naturalidade do desenvolvimento infantil, uma exposição do que vai lá dentro, sentimentos, emoções e pensamentos.

A fantasia e a criatividade são personagens principais no jogo ilusório e na brincadeira. O que para os adultos pode parecer apenas uma fila de cadeiras, para as crianças pode traduzir uma enorme diversão num comboio ou num autocarro. A infância é uma fase da vida cheia de encantos, novas conquistas, prazeres e proezas, por isso esta é uma característica saudável da criança, um processo psicológico necessário que ajuda ao crescimento cognitivo e da linguagem.

Como uma construção simbólica presente em grande parte das vivências infantis, os amigos imaginários normalmente surgem a partir dos 2/3 anos, quando no subconsciente já existe diferenciação do eu e do outro. Desta forma, a criança apercebe-se perfeitamente que é um produto da sua imaginação, podendo prolongar-se até aos 7/8 anos. Existem alguns Para alguns autores, é até uma "experiência saudável de esquizofrenia" e é importante para a construção da personalidade, na medida em que beneficia o suporte com o mundo real e ampara os medos e angústias, como o medo, a solidão e o abandono. Esta situação surge principalmente em filhos primogénitos ou únicos, propondo uma predisposição natural quando a criança se sente sozinha, quando tem dificuldade em aceitar alguma regra e o amigo realiza aquilo que lhe é impedido, ou quando há uma mudança drástica na sua vida: entram na escola, deixam de ser filhos únicos, um pai ausenta-se e sente a sua falta, perda de um ente querido, etc. Na generalidade, estes "delírios" desaparecem quando tudo volta ao normal.

O comportamento normal da criança é brincar. Quanto pior for o seu estado físico e psíquico, menos é capaz de o fazer, revelando uma imaginação atrofiada e inibição do jogo. Estas companhias imaginárias auxiliam no preenchimento do vazio sentido, promovendo uma linguagem mais fluente, maior curiosidade, entusiasmo e persistência nas brincadeiras, assim como um comportamento menos sedentário, com prevalência menos acentuada das acções apreendidas pela televisão. Prevêem também um futuro desempenho escolar positivo, já que incitam a capacidade de contar histórias com maior pormenorização, ajudando na futura capacidade de leitura.

É de extrema importância que os pais ajam de forma natural, com respeito a esta necessidade criativa, nunca chateando ou tentando impedir que isso aconteça. Ainda assim, devem estar atentos e avaliar se estes comportamentos estão dentro da normalidade: as crianças devem ter consciência que os amigos imaginários são ilusões e devaneios , conseguem "senti-los", mas não "vê-los" de verdade. Os pais devem ainda oferecer brinquedos versáteis, possíveis de usar de diferentes maneiras, com materiais que possam desenvolver a fantasia e encorajar a brincadeira com plasticina, argila e areia, pois é conhecido que são calmantes.

Acima de tudo, os pais têm de pôr o controlo de lado e deixar de comprar tantos brinquedos. Não devemos esquecer que o abuso gera consumismo e perde o valor educativo. Deixem os vossos filhos serem crianças, duma forma produtiva e simples. É um direito que lhes assiste.

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