07/04/2013

A Música: Nova Bossa e os Amigos

(CéU © Home Theater Backdrops)

Já é notório: utilizo os meus amigos como um brasão. Tenho muito orgulho das pessoas que fui coleccionando ao longo da vida e uso-os no peito, bem perto do coração e com a vaidade duma mãe leoa.

Esta semana, o meu amigo Fred Gomes, que não é de sempre, mas é como se fosse, deu-me a (re)conhecer Mallu Magalhães, uma menina brasileira que me encheu as medidas e traçou um atalho aos meus interesses actuais. É como aquelas coisas dos livros: mesmo que já tenha lido ou ouvido anteriormente, há momentos em que fazem mesmo sentido, que é o timing perfeito para a conspiração. Depois de ter saído de Black Coffee admito que queria estar com um período mais egoísta e parar um pouco para reflectir e compor objectivos, afastada da música a tempo inteiro. Ainda que os ensaios para as bandas onde participo tenham sido proveitosos, foram especialmente relevantes para a decisão de fazer algo meu, pelos caminhos que sempre gostei e que mais se adaptavam à minha voz: a bossanova.

Os 20 anos de Mallu Magalhães demonstram o seu carinho quase imaturo, o carinho doce que transmite com a sua voz. Uma nova interpretação nos sons tradicionais brasileiros, ela investe a sua alma e carrega as suas letras de significado, como na minha música favorita "Olha só, moreno" (aqui), ou na mais conhecida "Velha e Louca" (aqui).


(Mallu Magalhães © Homofonia)

Reconheço já não me lembrar de quando surgiu a CéU, mas recordo com precisão que me foi enviado por correio um CD gravado por um tal de Peter Pan, um daqueles amigos para os quais o tempo não passa no sentimento. É, por isso, um amor mais antigo. Uma apaixonada pela raça, o sentido mais soul e jazz da música negra, é assim que CéU gosta de se caracterizar enquanto cantautora brasileira. Com raízes na tropicalidade clássica, é ela que dita as suas próprias regras, passeando por estilos mais informais em "Malemolência" e o menino bonito (aqui). Representa um som mais inesperado com os termos de sempre, como na música "Cangote" e a moleza dos dias (aqui), na sua "Lenda" (aqui) e no jogo de palavras como minha música preferida dela, "10 contados" (aqui).

Ainda não sei prever o futuro, mas tenho muita vontade de investir neste som despretensioso e sem limites, memória de infância e prazer infindável. Prometo novidades para breve!

1 comentário:

  1. Seguir o que a alma dita é sempre uma boa escolha. VAI EM FRENTE!

    ResponderEliminar