04/04/2013

Terapias Expressivas: o Encanto da Perfeição

O idealismo corporal é uma das maiores preocupações humanas, com resultado na consequência da inimizade com o espelho e a balança.

O conceito de beleza é diverso nas diferentes culturas. Ainda assim, para uma grande parte da população, a formosura é um posto, já que representa o primeiro aspecto que os outros vêem de nós mesmos. De facto, o corpo é a melhor ferramenta para aferir a vida social de um povo; ele fala, assim como as marcas nele feitas. Desta forma, a fealdade ou a ausência de beleza é uma das principais fontes de exclusão social, principalmente no sexo feminino.

A grande popularidade dos ginásios, consultas de cirurgiões plásticos e centros de estética, assim como a explosão do fabrico e venda de produtos para emagrecimento ou aumento da massa muscular, traduz a demanda insistente para nos enquadrarmos numa certa posição, resposta a uma sobrevalorização da beleza. As campanhas publicitárias ostensivas sugerem que os indivíduos insatisfeitos são convidados a considerar o seu corpo defeituoso e a mudar aquilo que pensam estar mal.

A beldade configura um constructo social, produzido por um grupo específico, num determinado lugar e num momento histórico. Na época medieval, o corpo era associado à carne e, por isso, era impedido do trato social; já na área industrial, o corpo induz força de trabalho e é valorizado positivamente. Assim sendo, numa sociedade ocidental, tendemos a seguir-nos por certos padrões femininos: menor percentagem de gordura corporal, nádegas e seios empinados, , músculos definidos (mas não demasiadamente proeminentes), pele perfeita sem manchas ou espinhas, marcas de expressão ou rugas e sem qualquer flacidez, pernas e pescoço longo, lábios rosados e carnudos, dentes regulares e olhos grandes.

A preocupação com a plenitude e o primor pode ser tão grave que surgem distúrbios patológicos que as pessoas podem atentar contra as suas próprias vidas, sejam eles alimentares (Anorexia), musculares (Vigorexia) ou naturalistas (Ortorexia), obsessões geradoras de sentimentos de insegurança, de introversão e de timidez, com resultado na ansiedade, depressão, fobias e atitudes impulsivas e repetitivas. Na Anorexia, a comida e o corpo surgem como retrato de um afecto, normalmente negativo e exagerado. Desta forma, existe uma limitação da ingestão de alimentos, fixação de magreza e medo mórbido de ganhar peso, espelho da vivência e importância distorcida do corpo e da gordura.

O culto do corpo exige sacrifícios, tanto financeiros como estéticos. A Vigorexia (ou Complexo de Adónis) constitui uma rejeição ou aceitação com sofrimento da própria imagem social e obsessão com os músculos, sendo, por isso, uma doença muitas vezes aliada ao culturismo, embora não signifique que todos os que praticam este desporto a tenham. A Ortorexia é uma doença que se designa pela fixação dietética, em que as pessoas demoram muito tempo a planear, comprar, preparar e fazer refeições.

É importante referir que estas doenças implicam preocupações desmesuradas, excessivas e desproporcionais com defeitos, muitas vezes, imaginados, implicando um sofrimento significativo ou um prejuízo no funcionamento social e/ou ocupacional. O medo da fealdade também pode ser denominado como Perturbação Dismórfica Corporal, em que a distorção é presente e manipula os pensamentos e atitudes das pessoas.

Para mim, que sou "gordinha", a beleza refere-se à forma como nos relacionamos com o Mundo e nada tem a ver com formas, medidas, traduções, posturas ou cores. A saúde assume o papel mais substancial e isso também se transcreve na saúde mental e no bem-estar: devemos preocupar-nos, mas sem obsessão. Acima de tudo, devemos respeitar e aceitar o local onde habitamos e que nos acolhe todos os dias.

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