25/04/2013

Terapias Expressivas: a Técnica Alexander

"You translate everything, whether physical, mental or spiritual, into muscular tension." (Frederick Matthias Alexander)

Francamente conhecida nos meios teatrais e de representação, a Técnica Alexander designa-se pelo estudo prático das relações entre o corpo e a mente, de forma a prever pressões e stress desnecessários, promovendo harmonia e vitalidade, um aprimoramento da performance física.

Nascido na Austrália, F. M. Alexander (1869-1955) tinha problemas respiratórios e de rouquidão, o que o prejudicava nos seus tempos livres, enquanto fazia de actor nalgumas peças de teatro. Depois de uma etapa em que foi obrigado a parar, percebeu que a sua voz ficava melhor quando suspendia os ensaios e decidiu iniciar um processo de reeducação para que o seu corpo funcionasse harmoniosamente com a sua mente consciente. Assim, desenvolveu uma técnica que contraria os automatismos mecânicos, hábitos estereotipados adquiridos por anos de treino e ensino, e revela um equilíbrio entre a parte muscular ou o suporte do corpo, e o relaxamento necessário para os movimentos, respiração e circulação mais livres.

De certa maneira, a Técnica Alexander limita-se a voltar às raízes, é um encorajamento do funcionamento dos reflexos naturais do nosso corpo. Ao observarmos tensões e interferências automatizadas através de actividades quotidianas como andar, ficar em pé, sentar e levantar da cadeira, entre outros, começamos um trabalho de prevenção para que o organismo se arrume naturalmente. Assim, podemos combater problemas de postura, mas também provocar uma menor rigidez muscular, alívio do stress, movimentos mais leves e bem coordenados, respiração livre e pensamento mais calmo.

Como origem do problema, surge a má utilização do corpo e a Técnica Alexander não é um tratamento físico ou psicológico, mas um processo de auto-conhecimento que ocorre ao longo da vida. Posto isto, o foco é na aprendizagem e não no resultado, e fala-se em professores e não terapeutas, em alunos e não clientes ou pacientes. Deste modo, esta estratégia de exploração criativa, aperfeiçoamento de saúde, clareza mental e compreensão e expansão do potencial humano é aplicada de forma bastante vasta: actualmente está presente em Universidades, Escolas e Conservatórios de Música, Dança e Teatro.

Mais importante que tentar fazer algo bem, é deixar de fazer algo mal, contrariar a repetição de hábitos neuromusculares adquiridos e prejudiciais, deixar de interferir em mecanismos naturais de equilíbrio e coordenação. Mais do que isso, é uma verdadeira harmonização que é genuíno, autêntico, intrínseco e próprio de cada um de nós.

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