26/05/2013

A Música: a Luísa Sobral

(fonte: facebook)

Sim, o timbre dela não é consensual. Pelo contrário, consegue irritar muito boa gente.

É um som nasalado, que tem a particularidade de se instalar eficazmente nos nossos ouvidos. Não vou defendê-lo, apenas acho que é parte da sua voz, algo que adquiriu, e que tão bem a define e distingue. Eu gosto, e muito.

A verdade é que a sua música revela a transparência com que ela a faz, e a sinceridade atrai-me. Entrega-se àquilo que faz com a vontade duma criança, com o entusiasmo duma prenda que se abre pela primeira vez, sem estragar a surpresa. Sabem aquela sensação que temos, quando adolescentes, que determinado cantor escreve para nós, ou aquilo que desejaríamos escrever? É isso que eu sinto com a Luísa. É aquilo que eu almejo transmitir um dia e que invejo pela eloquência que tem ao elaborar as suas narrativas, com a simplicidade que lhe é tão característica.

Ainda não sei definir o estilo onde se enquadra, sabendo que é algo mais jazzístico, mas com um carácter mais universal, talvez pelas letras que expõe. Para mim, a Luísa representa aquilo que um músico deve ser: uma fiel contadora de histórias. A aventura é descobrir cada recanto daquilo que tem para contar, como se a porta de entrada da casa dela se abrisse para uma intimidade própria dos amigos, e que me arrepia até aos ossos.

(fonte: espalhafactos)

Na última sexta-feira fui vê-la ao vivo, pela primeira vez, à Casa das Artes de Famalicão, onde ela descreveu as suas músicas e nos deu a conhecer mais um bocadinho de si e do último álbum, que saiu no mês passado. Tenho de confessar que, ainda que goste muito do "Xico" que lhe deu o eco do público nas palavras tão cuidadosamente aprendidas, sou muito mais fã da história de "Clementine" (aqui) e da "Inês" (aqui). O meu coração vai saltando entre as músicas preferidas, mas ficam aqui dois teasers para as que estão sempre na ponta da língua: "What do you see in Lily?" (aqui) e "Rainbows", com todo o ar creepy dos filmes do Tim Burton (aqui).

Obrigada Luísa.

P.S. Vejam também aqui o património já deixado com orgulho, no programa "Later... with Jools Holland".

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