05/05/2013

A Música: M e José James

(José James © The Windish Agency)

Já ninguém ouve rádio como antigamente.

Contra mim falo: houve uma altura em que me sentava religiosamente ao domingo à tarde para ouvir a minha rubrica de eleição, M da Mónica Mendes na Antena 3. Hoje em dia, as coisas mudaram e, com os cortes da rádio e o futuro cada vez mais obscuro, o programa foi reduzido para uma hora simples ao final da tarde de domingo e sem mimos extra, o que faz com que o Facebook seja o nosso melhor amigo e informador nestas coisas do gosto (e agora o Spotify!).

É engraçado como as pessoas se desligam dos costumes "antigos". Em certas aldeias, a rádio é ainda a única maneira de comunicar com algumas pessoas, isoladas do mundo tecnológico. Agora, andamos sempre a correr e temos as coisas à distância de um click, o que pode ser bem cómodo, mas também demasiadamente comodista. E depois esquecemos o poder da rádio, que pode dar-nos a conhecer tanta coisa boa!

Tenho muita pena de me ter afastado do M; era a música que eu gostava mesmo (algo muito difícil para a rádio mais comercial) e dava a uma hora que dava bem para arrematar o fim-de-semana e aquecer a semana seguinte. Apesar de tudo isto, é certo e sabido: a Mónica Mendes sabe o que faz, e traça o caminho directo do seu coração para todos os que a ouvem e seguem. Foi, sem dúvida nenhuma, a razão pela qual conheci tantos artistas e inspirações.

Foi também através dela que conheci José James, um senhor americano que se situa nos meandros do jazz, do hip hop e do neo soul, e que tem uma das vozes mais cativantes que já ouvi nos últimos tempos: é doce como o mel, é suave e sincera, é discreta, mas concisa. Esta semana vou ter o prazer de o ver e ouvir no Hard Club aqui no Porto, onde ele vai apresentar o último álbum "No Beginning No End", com a assinatura da Blue Note, uma garantia para o sucesso certeiro. Deixem-se levar pela música mais conhecida desse álbum, "Trouble" (aqui), pela sedução na música que tem em colaboração com Emily King, Heaven on the Ground (aqui numa versão mais acústica), pela "It's all over yout body" (aqui) ou pelos clássicos revisitados num outro álbum anterior com o pianista de Jazz Jef Neve, aqui em "Embraceable You".

Obrigada M, pelas delícias que me dás a conhecer e pelo alimento da alma. És uma verdadeira inspiração.

1 comentário:

  1. Concordo em absoluto. O M. é uma lufada de ar fresco num dia de verão e um bafo de calor no meio de um tempestade de inverno! Um programa que merece mais e mais mas que há quem decida que merece menos... À Mónica Mendes, que acompanho desde o nascimento da 3, um grande bem haja e a si, Raquel Caldevilla, um bem haja por este artigo que mostra que o M não está só :-D
    É.V.

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