07/05/2013

Remédios Caseiros: a Diana Vinha

Na generalidade, o valor das coisas é dado pelos nossos olhos: quando mais brilhantes, mais sobressaem na sua importância. É fascinante como a Diana reflecte esse mesmo mérito, o das pessoas notáveis.

É um cliché que estimula as suas ideias, uma vez que desde pequena que a mãe a tratava como uma princesa, com o carinho que só as mães sabem ter, vestindo-a com o imaginário que idealizava. Gostava também de tricotar e fazer roupas para a grande colecção de bonecas da Diana, uma constante brincadeira e exercício de adornar e caracterizar as suas diversões com as melhores roupas, acessórios e coordenados. Com o seu gosto muito aprimorado, a mãe tentava que tanto a Diana como a irmã Marlene fossem as meninas mais bonitas e graciosas, e assim acabou por ditar estes destinos.

Hoje em dia, a Diana atribui as culpas à sua mãe pelo que faz, sem esquecer "a mana que sempre foi uma segunda mãe": entre muitas coisas que estão conjugadas, é consultora de imagem. Com 27 anos, reforça a ideia de que assiste as pessoas num projecto de melhoramento da imagem de cada um e não com a moda que todos continuam a referir, pois não se limita a seguir tendências, a ver o que está "na berra" ou a tentar fazer sósias, réplicas ou clones do que é ou representa. Além disso, dá formação na sua área, colabora em vídeos e produções de moda, tem uma marca de acessórios com a menina Raquel Graça, a Maçã de Adão, e ainda tem tempo para pôr música de vez em quando.

Durante a infância, a Diana teve vontade de ser muitas coisas: professora de inglês, médica legista ou psicóloga criminal. Confessa que tem uma vertente mais sombria e um pouco mórbida, que herdou dos tempos em que via os filmes e séries de terror de suspense no sofá de casa, assuntos que a deixam com o coração aos pulos e descargas de adrenalina que ainda admira, mas é uma visão que acha que não transporta para o seu trabalho. Assim, entrou no curso de Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade do Porto, onde tinha ganas de trabalhar na sua área de eleição, a criminal, e lidar com coisas e pessoas estranhas e fora do vulgar, à semelhança dos filmes que gostava. Tudo o que envolvia o curso, nomeadamente as disciplinas pouco específicas nos primeiros anos do curso, o facto de não ter nada em comum com os seus colegas da faculdade, assim como a imagem que tinha e que fugia àquilo que as outras raparigas usavam (e a exclusão inerente a esse factor), fizeram-na perceber ao fim de um ano que não era esse o seu caminho, algo já aguardado pelas mulheres da sua vida. 

"O bichinho da moda falou mais alto" e, desta forma, a Diana decidiu concorrer ao Citex (Centro de Formação Profissional do Têxtil e do Vestuário, agora Modatex), sítio que sabia ser difícil de entrar, pois a selecção era feita por portefólio e ela não tinha quaisquer bases de desenho. Ainda assim, ingressou à primeira e foi aqui que aprendeu os alicerces de Design de Moda. Durante o segundo ano de estudos, fez um curso de verão de Produção e Styling, na Central Saint Martins, University of the Arts em Londres, e onde compreendeu que tinha os pés mais assentes na terra do que a maioria dos seus colegas, que ambicionavam apresentar colecções na Moda Lisboa ou no Portugal Fashion. Para a Diana era mais simples: ela queria apenas ver a sua roupa nos transeuntes das ruas, ou, mais do que desenhar ou fazer indumentárias, ela desejava vestir pessoas e criar histórias e ambientes através da roupa e dos acessórios.

Depois, no terceiro ano, foi estagiar na área de Imprensa de Moda na revista Happy Woman, passagem essa não muito positiva e, por isso, breve, e decidiu acabar esse seu ano com a Elisabeth Teixeira, onde redescobriu o gosto pelo desenho e pela roupa, além de ser responsável por outras coisas no atelier, sobretudo na lida com os clientes e na produção para fotografar peças num modo mais "streetstyle". Foi a altura em que ficou mais indecisa sobre a estrada a seguir na Moda, já que encontrou na Elisabeth uma boa mentora, uma lufada de ar fresco para a sua vida.

A naturalidade levou o seu tempo, mas acabou por ganhar espaço. A Diana não gosta de estar parada e, nas primeiras férias que teve depois de 3 anos bem passados a trabalhar no curso do Citex, tirou o CAP de Formadora e foi fazendo produções de moda, aliando-se a fotógrafos e maquilhadoras. Começou a ter um interesse por Consultadoria de Imagem graças a algumas pesquisas sobre o assunto e, quando o curso abriu na Academia Looking no Porto, resolveu ir para lá, apesar de não ser muito barato.

Posteriormente, foi uma coisa atrás da outra e assentou as suas ideias numa empresa de consultadoria de imagem, com a cooperação da irmã Marlene, encarregue da parte da beleza (maquilhagem, tratamentos de rosto e manicure, entre outros). Pretty Exquisite nasce, então, com um site, um blog, uma estruturação do retrato a seguir, e a Diana é actualmente responsável pelos "trapos e acessórios", capazes de inspirar qualquer um. Exactamente para não se distanciar muito do design de moda para o qual estudou, criou também a sua marca de acessórios Maçã de Adão.

Mais recentemente, é denominada como "Social Media Girl", denominação que usa e abusa com orgulho. Vive e alimenta muito o seu lado mais virtualmente social, o seu alter ego que alega não ser em nada diferente do que é pessoalmente. Reconhece que essa postura nem sempre foi fácil, por ser tão diferente da maioria das pessoas nas suas escolhas do que vestir ou usar, com roupa, calçado, maquilhagem ou complementaridades, mas que foi algo que sempre lutou para si. Admite saber o que as pessoas erradamente pensam dela, que é snobe, fria ou distante, mas posso garantir que está longe disso. É um doce de leite, daqueles bem açucarados e mimosos, uma amiga de mão cheia, ainda que determinada nos seus objectivos e com força de vontade. Defende apenas que as pessoas devem ser o que querem, o que gostam e desejam, e isso demonstra-se também no que usam exteriormente, seja tendência, moda, ou não.

Como todos os adolescentes, passou por fases de experimentação de estilos diferentes e sempre gostou de cores, de as conjugar para fazer a diferença. De certa maneira, acha curioso como voltou a vestir-se na linha "bonitinha e fofinha" cultivada pela mãe, inspirando-se nos filmes que gosta de ver e nos ambientes que visita, nem que seja só em sonhos ou com a imaginação. Com os seus clientes, refere que é mais lógica e matemática, mas justa e precisa como se de um Tangram se tratasse (obrigada ao Fred Gomes pelos auxiliares de memória), com regras e condicionantes que contam com a própria vida daqueles que a procuram, com recurso ao estudo da morfologia, das cores e da postura de cada um. Sorrindo, declara que, sem querer, vai parar um pouco à psicologia nos coaching inerentes à sua profissão e batalha para que as pessoas percebem o potencial que têm a nível de imagem, para depois acabarem por surgir outros potenciais, com naturalidade.

Longe de qualquer preconceito estabelecido pelas massas, mostro a Diana como ela é na verdade. Ela é mesmo assim, como uma pérola encontrada no meio das jóias das nossas avós, uma daquelas pedras preciosas que até temos medo de gastar com o uso, e que guardamos bem perto do coração.

8 comentários:

  1. é assim mesmo que a vejo. Uma jóia daquelas que só dá vontade de olhar e admirar. um Beijinho para as manas e para ti pelo texto escrito com tanto carinho. Mimi

    ResponderEliminar
  2. Lindo texto e do pouco que conheço da Diana, totalmente verdadeiro! :)

    ResponderEliminar
  3. Bem escrito e descrito e parabéns às duas.

    ResponderEliminar
  4. sou fã da diana e do seu estilo unico! e agora depois de ler a "historia" dela ainda fiquei mais contente e a apreciar ainda mais a rapariga :D uma portuguesa exemplar!

    ResponderEliminar
  5. Só agora é que li isto, mas em nada me admirou... não conhecendo a Diana e só a vendo pelas diversas redes sociais foi sempre isto que achei dela.. e adorei, uma vez mais, o teu texto! São pessoas como vocês que nos fazem agarrar os nossos sonhos :) *

    ResponderEliminar