23/05/2013

Terapias Expressivas: o Choro

É uma frase que ouvimos bastante na infância: "Chorar é feio". Mas então porque choramos?

As razões são as mais diversas: um filme ou uma música que nos tocou particularmente, uma queda menos feliz que nos fez um ferimento doloroso ou o fim de um relacionamento que, mesmo que tenha sido pequeno, foi muito sentido. Em jeito de curiosidade, o ser humano chora cerca de 250 mil vezes ao longo da vida.

De facto, o choro surge antes da linguagem falada como uma expressão mímica para comunicar as emoções: a criança chora para transmitir fome, dor ou quando apenas precisa de atenção. Conforme cresce, a criança vai-se apercebendo que com as lágrimas pode controlar determinadas situações. Depois, quando já adulta, verifica que, ao chorar, pode dar a impressão de fragilidade, sensibilizar outras pessoas ou emitir um pedido de ajuda.

Existem 3 tipos de lágrimas: as de base, com uma função fisiológica, de lubrificação e anti-séptico (concentração de sal como um desinfectante), evitando que os olhos sequem; as de reflexo, que agem como resposta a coisas irritantes como a cebola e o pó; e as emocionais, que mostram os sentimentos genuínos. Em comparação com as outras, estas últimas são detentoras de mais proteínas e hormonas ligadas ao stress, e, tanto quanto se sabe, são exclusivamente humanas, ainda que os animais chorem, sem lágrimas.

O acto social do pranto depende das culturas; por exemplo, em funerais é aceitável e até desejável. Já na religião islâmica, só o homem pode chorar em público e as mulheres têm de se recolher à intimidade para o fazer. É ainda associado erradamente a pessoas mais emotivas e vulneráveis, que sentem e interpretam a realidade duma forma mais sensível e impressionável. É conhecido que as mulheres têm as glândulas lacrimais mais activas que os homens: se estes demonstrarem as emoções colocam-se em situações de risco, pois o choro transmite fraqueza e encoraja os outros a atacar.

"Um homem não chora."

Segurar as lágrimas é sinal de auto-controlo e força, algo valorizado positivamente. Mesmo assim, todos sabemos: não há nada melhor para uma boa limpeza do mal que vai cá dentro do que um choro intenso e libertador. É uma descarga física e emocional com um poder imenso, a forma mais natural que o corpo tem de reagir a uma crise, podendo ser melhor do que muitos tranquilizantes.

P.S. As Curiosidades desta semana continuarão no tema!

1 comentário:

  1. Eu adoro ouvir choro....é dos meus estilos musicais preferidos uma boa roda de choro :D

    Armando

    ResponderEliminar