04/06/2013

Remédios Caseiros: a Inês Bernardo

A Inês é uma arrebatadora de corações, com a sua maneira incrível de cativar com as expressões bem cuidadas e a sua força fascinante. Sem dúvida nenhuma, ela representa uma forma instantânea de suspirar.

Com uma vocação inata para a comunicação, ela trabalha actualmente numa produtora de televisão, a Semba Comunicação, integrando-se também na Da Banda, uma agência de modelos e editora de música. É uma empresa sediada em Angola com escritórios em Portugal, mais propriamente em Lisboa, e ela faz a ligação da produção ao resto do Mundo, o acompanhamento de pessoas e projectos contíguos, nos momentos indicados, sejam eventos ou qualquer outra necessidade. É uma faz-tudo, com muito prazer, ainda que isso envolva muito desgaste e stress, tanto físico como emocional.

A inquietação invadiu-me evidentemente, pelo facto de estar a entrevistar uma mestre nas palavras faladas e descritas. Apesar de trabalhar actualmente nesta área, a Inês é formada em Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e foi dessa maneira que iniciou o seu percurso profissional. Depois de tirar o curso, foi trabalhar para Lisboa na produção de conteúdos na Internet, na Active Media Solutions, mas ficou sempre com a vontade de dar o salto e fazer o jornalismo que gostava, puro e duro. Apercebendo-se que é um domínio muito complicado e difícil, resolveu partir para Londres e fazer uma Pós-Graduação em Comunicação Política na City University of London. Este era um curso num assunto que aprecia, mas estava também determinada em abrir horizontes e caminhos, uma porta de entrada para aquilo que realmente almejava.

Uma vez em Londres, debateu-se com a indecisão de tentar fazer a sua vida por lá ou voltar para Portugal, mas foi esta última a sua opção combinada, já que lhe surgiu uma oportunidade de trabalhar no semanário Sol como jornalista de cultura. Esta foi a posição que lhe encaixou como uma luva nos sonhos, pois sempre gostou de artes e de ler, e desenvolveu uma actividade interessante mais ligada à literatura, o seu território de eleição.

Mais tarde e através da Clara, amiga com coração de leão e responsável por grandes mudanças de sentido, começou o seu trabalho como jornalista freelancer, com um contacto pontual com a produção mais básica, principalmente na sua relação com a Até ao Fim do Mundo - Imagens e Comunicação, onde se inseria em qualquer coisa que a produtora precisasse. Foi assim que conheceu o seu presente chefe, um mentor muito importante para a estimular para novos desafios, que a respeita e àquilo que ela faz, reconhecendo as suas limitações e dando-lhe a força que necessita para interpretar um papel que nunca julgou ser para si, mas que lhe enche as medidas.

Com 30 anos, hoje é responsável por uma quantidade enorme de coisas no lugar que ocupa. Tem um relacionamento próximo com um país que conhecia apenas dos livros de histórias de guerras, algo muito distante para si. Alega que o preconceito que pode existir se resume apenas a falta de conhecimento, a uma visão há muito ultrapassada. Revela também que este seu cargo é uma "experiência sociológica interessante", na medida que se sente "um bocado imigrante", pois, apesar de viver em Lisboa, acompanha uma realidade completamente diferente, um constante choque cultural que lhe fez ver as coisas de outra forma, mais sincera e concretamente. Declara que é muito flexível e adaptável às situações e que isso a faz ter uma vantagem grande por poder abarcar sempre mais projectos, tentando coordenar tudo aquilo a que se propõe, e fazendo um trabalho correcto, honesto e profissional. Por fim, afirma que contraria a sua desorganização natural para que tudo resulte no seu sítio, e fica muito feliz por estar numa empresa que dá tantas oportunidades às pessoas, nomeadamente a nível de formação profissional.

A Inês é uma verdadeira enamorada pelas palavras, pela dança infindável que fazem à sua volta até as colocar em papel, algo que faz desde pequena. Começou pela versão poética e passou por uma "época de pousio", em que as emoções eram demasiado extremas para que as conseguisse assentar. Ainda que toda a gente insistisse para que se envolvesse com a prosa, achava que não tinha capacidades para isso ou histórias para contar. Graças a mais uma obstinação dum amigo, decidiu concorrer ao Jovens Criadores em 2012, concurso com uma grande credibilidade principalmente na área da escrita, e que lhe criou a pressão necessária para que cumprisse a sua meta de finalizar uma história. Foi um rebuçado bem doce quando descobriu que foi seleccionada, um incentivo para que continuasse nesta nova forma de escrever e contar histórias, como tanto gosta de fazer.

Apesar de ser uma viciada em adrenalina e precisar sempre de movimento, seja a conhecer pessoas novas, a viajar ou a fazer coisas diferentes todos os dias, quando imagina um futuro distante a Inês gostava de estar só a conceber e criar as suas histórias. Não obstante, sabe que a produção está nos seus planos mais imediatos, ainda que confesse que lhe ocupa mais tempo do que gostaria, assim como espaço físico e mental necessário para criar o hábito e a disciplina que a dedicação à escrita lhe exige.

Uma contadora de histórias maior do que as próprias palavras que descreve, assim vos apresento a minha amiga Inês, que faz com que o chão fuja dos pés, as borboletas se acotovelem na barriga e o coração queira sair do peito. É uma delícia da Primavera, em que as paixões estão mais fortes e os romances são mais perfeitos, com "uma saca cheia de andorinhas" e a vontade de permanecer no abraço.

P.S. Espreitem o blog dela, só um cheirinho daquilo que ela é capaz, aqui.

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