06/06/2013

Terapias Expressivas: a Palmada Pedagógica

É um assunto rodeado de polémica por todas as frentes. Afinal será que bater educa?

Muitas vezes nos deparamos com situações que gostaríamos de evitar. Quem nunca viu uma criança a fazer a maior birra no supermercado ou a "responder mal" aos seus pais? São aquelas que conseguem atingir os nossos nervos mais profundos quando começam a testar os limites e a autoridade, a negociar de alguma forma. E o julgamento quase imediato a estes pais? Estas deliberações são mais evidentes em pessoas que não têm filhos ou que nunca passaram por uma posição destas, mas o facto é que faríamos sempre doutra forma, uma melhor e mais eficaz, de certeza absoluta. "É que eu dava-lhe logo um correctivo."

Assim, existem algumas pessoas que recorrem à vulgar Palmada Pedagógica, um gesto que reflecte um castigo e que pode não resolver grande coisa, mas que ajuda, com toda a certeza. Eu mesma assumo que levei algumas destas e foram todas bem justificadas e assertivas, de tal forma que não voltei a repetir as façanhas, e posso referir também que não me fizeram mal nenhum, muito pelo contrário. Acho que existem punições bem mais sérias e que não são físicas, com consequências subsequentemente mais graves, como a agressão psicológica, a humilhação e a chantagem emocional.

Depois, há aqueles que condenam plenamente este tipo de atitudes e decidem pô-las de parte, alegando que estas pessoas são motivadas por frustrações ou incapacidade para lidar com as emoções, acabando por ser injustas, inadequadas ou cobardes, e transmitindo que a violência é que resolve os problemas, podendo causar prejuízos físicos e psicológicos futuros.

Importa, então, definir concretamente esta questão. A Palmada Pedagógica é aquela que sacode o pó e não traumatiza, assim como não é espancar ou marcar fisicamente. Não contempla acessórios como o chinelo, a colher de pau ou o cinto, podendo ser apenas um arregalar de olhos, uma cotovelada leve, um pontapé debaixo da mesa ou um tom de voz mais alto: é apenas uma chamada de atenção. Deve ser utilizada apenas como último recurso, depois de explicar bem os porquês do sim e do não, com razões claras, justas e consistentes, ouvindo a criança que também tem as suas opiniões e vontades, dando privilégio à comunicação.

Além disso, persistem alguns cuidados essenciais, nomeadamente no que diz respeito à idade e à altura certa. Da mesma forma que bebés com menos de um ano não conseguem entender as consequências daquilo que fazem, crianças a partir duma certa idade, quando entram na adolescência, já devem ter essa história na ponta da língua, é o processo natural de desenvolvimento. Existe também um prazo de validade e o castigo deve ser aplicado logo que a situação aconteça: aqueles avós que deixam as "queixinhas" para a hora em que os pais chegam a casa, horas depois das asneiras terem tido importância, estão a desresponsabilizar-se e a criar uma relevância negativa, apesar de acharem o contrário. Assim, com uma palmada fora do tempo deixa de haver a relação causa-efeito, e vinda do nada significa apenas agressão e não entendimento por parte da criança.

A razão pela qual concordo com esta política, mesmo tendo em conta todas as hipóteses contrárias é pelo simples facto de constatar que as crianças estão cada vez mais agressivas e desafiadoras da autoridade, mais desrespeitadoras do outro. Duma maneira muito generalizada, o sentido de imunidade gerou uma inversão da autoridade, em que os mais pequenos chegam a mandar nos pais e professores.

É preciso referir o quanto é difícil educar uma criança; envolve tempo, trabalho, dedicação e muito carinho. Infelizmente os filhos não nascem com "livros de instruções" e, como tal, todos nós cometemos erros. Num tema tão controverso quanto este é absolutamente necessário ter, acima de tudo, bom senso.

2 comentários:

  1. adorei este post! Tirou-me algum peso que algumas palmaditas (poucas) tenha algum dia dado a uma filha linda como tu!
    Amo-te filhota do coração!
    E adorei ver as fotos que escolheste. Que saudades desses momentos ...

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    1. a minha mamã é a melhor do mundo e valeu a pena levar algumas palmadas... quem me dera um dia ser a GRANDE MULHER que ela é! :)

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