02/07/2013

Remédios Caseiros: a Susana Gomes




Toda a gente a trata por Su, a menina pequenina com persistência de gente grande.

Com 26 anos e meio é designer, aplicando-se mais na parte web do que na gráfica, contrariamente àquilo que gostaria. Ainda assim, tenta ter tempo para outras coisas, como os cadernos maravilhosos do beija-flor, marca que criou em conjunto com a Raquel Graça.

A Su é de Pinheiro da Bemposta, perto de Oliveira de Azeméis, e considera-se uma afortunada por ter tido direito "a tudo aquilo que é bom das terras pequenas". Conheceu muita gente através da sua ligação com a escola de música, onde aprendeu a tocar fliscorne (instrumento de sopro similar ao trompete, ver aqui), mas também através da Banda de Música de Pinheiro da Bemposta. Teve uma infância e adolescência muito felizes, algo que valoriza com intensidade, pelo amor que tem aos seus pais e pelas oportunidades que eles lhes souberam dar com humildade.

Desde cedo que se apercebeu que queria ter as Artes bem perto do seu coração. Tinha facilidade com as tarefas manuais, mais do que para o desenho, e entretinha a fazer cadernos, capas e a forrar caixas, algo completamente distinto do que a maioria dos seus amigos. Ainda hoje tem uma paixão inesgotável por latas e caixas, coleccionando-as com o carinho de preservar as coisas importantes. Durante o secundário, andava um pouco perdida no meio de todas as Artes sem saber bem o que gostava de fazer, e foi depois de observar a amiga Laura e a sua paixão por Teoria do Design que percebeu o seu caminho.

Uma pedra na estrada fez a Su desviar-se daquilo que queria de verdade por puro engano ou acidente, e acabou por passar quase 2 meses em Engenharia Física, um aspecto que em nada se enquadrava na sua personalidade ou ambição e que hoje a faz soltar o seu riso tão característico. Depois desse percalço, voltou para casa dos pais e empregou-se numa padaria e também em casa da irmã, juntando dinheiro para comprar a sua primeira câmara fotográfica a sério, assim como o computador que necessitava para ingressar na faculdade que queria, nunca pondo de parte o estudo da Geometria Descritiva.

O sucesso fez-se sentir da melhor maneira, e entrou em Design na Universidade de Aveiro, um curso que lhe moldou o pensamento, idealizando os projectos como um todo, a comunicá-lo e a vendê-lo em contextos completamente diferentes. Mesmo assim, confessa que teve de aprender aspectos mais técnicos sozinha, pois nunca teve aulas de ferramentas como o Photoshop: era-lhes proposto um projecto e, em conjunto com outros colegas, tinha de aprender a trabalhar com aqueles instrumentos por si mesma. Mais uma vez, teve a sorte de conhecer pessoas muito boas, assim como a sua conterrânea Raquel Graça, formando-se ali uma "amizade à primeira vista".

As ocasiões estavam complicadas para a Su, e teve de voltar para a casa de partida, onde se envolveu com vários planos para se manter ocupada. Desta maneira, fez parte da direcção da escola de música onde antes tinha sido aluna, começando a valorizar coisas que não tinha consciência outrora. Foi na mesma altura que ingressou no Grupo Juvenil do Pinheiro da Bemposta, uma associação que lhe encheu as medidas pela ideia de juntar as pessoas duma forma saudável e interessante, tentando promover aquela terra e fazer algo pelas pessoas. São essas coisas boas que mais reconhece por vir duma "terra pequena": a união das pessoas e o associativismo. Mesmo agora à distância, continua envolvida neste grupo e tenta fazer prevalecer esses ideais.

Um ano depois de ter acabado o curso, conseguiu um estágio profissional no Porto, na mesma empresa que ainda a alberga nos dias que correm. Revela que deixou um pouco de lado as ocupações mais ligadas a engrandecer o seu portefólio e iniciou o beija-flor com a Raquel para ter um refúgio do trabalho árduo.

No ano passado, foi fazer uma formação geral para o voluntariado com uma amiga no Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária (ISU) do Porto (facebook e site), que já conhecia pela actividade de coordenador do seu primo. Tinha curiosidade pelo voluntariado e foi aqui que se apaixonou por este tema, surgindo com outras reflexões sobre os mais variados assuntos, mexendo com os seus significados, preconceitos e ideias.

No último verão teve também a oportunidade de ir até Cabo Verde, integrando uma equipa de visita de diagnóstico do ISU Porto, fazendo uma formação numa área que lhe servia como uma luva, em organização de eventos no âmbito do associativismo juvenil. Esta foi uma experiência imensamente gratificante, para a qual não teve tempo de pensar com antecipação ou criar expectativas, pelas duas semanas que teve entre ter o convite para ir e ir efectivamente. Levou um "banho de humildade" que mudou a sua visão para que passasse a ser mais positiva, e onde aprendeu que "eles têm o tempo e nós temos o relógio, uma felicidade simples, mas tão difícil de atingir, ganhando mais quem vai do que quem lá vive.


Hoje, refere estar numa altura em que fecha alguns projectos e quer repensar todas as opções para dar o salto que anseia, sendo apanhada nesta conversa no meio dum processo de crescimento ainda sem planos para o futuro. No entanto, sabe que quer continuar a investir no beija-flor e lançar-se para a encadernação, tendo outros interesses como a fotografia e a organização de pequenos eventos.

Como um distintivo da dedicação daquilo que é capaz e que a apaixona, a Su investe na sua paixão duma forma cativante. É daquelas pessoas que dá mesmo gosto de conhecer, pela humildade que herdou dos seus pais e pela forma como é capaz de conquistar qualquer pessoa com a coragem que carrega no olhar.

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