14/08/2013

Remédios Caseiros: a Marlene Vinha


Delicada e com uma beleza estonteante, a Marlene personifica uma boneca de porcelana, daqueles tesouros bem guardados.

Quem não a conhece bem, pode ir preparando o coração. É que é uma surpresa atrás da outra. Embora não pareça, tem 33 anos, bons e bem vividos. Neste momento, é responsável pela parte da beleza do espaço de consultoria de imagem que tem em conjunto com a irmã Diana (remédio aqui), uma evolução natural do blog ao qual se ocupa com cuidado.

Curiosamente, não foi esta área onde começou. Quando foi a altura de se decidir no secundário, seguiu o caminho mais familiar das contas e dos números. Ao mesmo tempo, ingressou numa oficina de artes, onde exercitava o seu gosto pelo desenho, naquela época pouco organizado e bastante indisciplinado. Contrariando o seu professor, que lhe dizia que achava que ela estava no ambiente errado (o dos números), foi no curso superior de Economia da Universidade da Beira Interior que investiu o seu tempo e a sua vontade. Rapidamente percebeu que longos iam ser os tempos ali passados e a meio do curso quis desistir, mas acabou por se deixar ficar e entrou num Atelier de Pintura e Desenho para compensar as frustrações com a Economia.

5 anos decorridos e a parte artística da Marlene falou mais alto, e ela resolveu-se pelo curso superior de Artes Plásticas/Pintura na Universidade de Belas Artes do Porto. Ainda que tivesse gostado de todo o seu percurso, revela que foi uma decepção da sua ideia inicial, que iria encontrar ali um templo para os seus conhecimentos. Mais tarde, escolheu fazer um Mestrado em Prática e Teoria do Desenho na mesma faculdade, para intensificar as suas paixões.


Apercebeu-se, então, que para viver da sua arte teria de fazer algumas coisas que não gostava verdadeiramente e que seria uma mera executante, subjugando-se aos quereres daqueles que lhe pagavam pelos seus trabalhos. Assim, começou a dar aulas para poder sustentar os seus prazeres e fazer aquilo que lhe dava agrado: desenhar e pintar. Foi a altura ideal para fazer um Mestrado de Ensino em Artes Visuais na Universidade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, uma desilusão total pela evidência de má aplicação de tempo e dinheiro que se manifestou ser.

Emergia a vontade para que contrariasse estes pensamentos menos positivos e o tempo livre exigiu-lhe uma forma de escape. Logo, foi o momento certo para se aplicar em alguns interesses antigos, que costumavam ser ligados à sua parte mais pessoal. Fez 3 cursos de seguida: de Maquilhagem na Make Up For Ever, de Técnicas de Rosto (e a sua paixão de cuidar da pele ainda mais prematura) na Portucale e de Manicure na Ritual do Bronze. Não foi nada planeado; os encantos seguiram-se com a naturalidade que aprecia. Assim foi também o percurso com o atelier Pretty Exquisite, que abriu com a irmã nessa altura e onde se envolve com todas as suas maravilhas no campo da beleza.

A Marlene continua a fazer alguns desenhos, mas apenas em alturas pontuais, quando os pretextos para produzir vencem o cansaço e a preguiça. Afirma que, infelizmente, o dinheiro ocupa mais espaço do que aquele que deveria, desviando-nos daquilo que realmente gostamos de fazer, e que a arte envolve um investimento muito difícil de corresponder, reprimindo-a. Para se prestar à sua arte, sabe que precisa de uma grande dose de ócio e tempo para pensar, e que quando está consumida com outros trabalhos é a última coisa que pensa, por isso prefere ter argumentos e planos para a elaborar.

Hoje, o cuidado da Marlene recai na sua imagem, mas também na maneira como se dedica à dos outros. Declara que o blog que tem com a sua irmã é muito exigente a nível de trabalho, querendo ser cada vez mais meticulosa com os conteúdos visuais e escritos.  Para o futuro, o seu maior desejo é que a Pretty continue a crescer da maneira sustentada que tem sido, e que a família, mesmo que pequena, persista presente, assim como os amigos que tanto preza.

14 anos de estudos depois, tem pena que toda esta sua entrega não seja valorizada convenientemente. Gosta de pensar que aqueles que são verdadeiramente bons irão permanecer e que os outros ficam pelo caminho, mas está desencantada com o mundo das profissões instantâneas, em que basta juntar um pouco de água, condenando igualmente o "chico espertismo" português, a crítica sem pedido de opinião e a falta de vontade para ajudar, a ausência de integridade.

É uma pessimista a todo o vapor, tendo até alguma dificuldade em sonhar, e sabe que isso é o seu maior defeito. Ainda assim, a Marlene acredita piamente que isso não a limita nem lhe tirou a habilidade de se surpreender consigo mesma e com as suas capacidades, considerando uma vantagem enorme o saber onde está e até onde pode ir. Defende muito os valores que a sua mãe lhe transmitiu, da honestidade, do trabalho árduo, do empenho e do compromisso, assim como da amizade para a vida. Esta menina de feitio difícil é teimosa, casmurra e às vezes obstinada até, mas não consegue dizer que não quando é preciso ajudar alguém.

A Marlene é um daqueles tesouros que encontramos nos secretismos das nossas avós, uma boneca de porcelana em tamanho real, uma ilustração que orgulhosamente penduramos na entrada da nossa casa. Ela é uma representação fiel do que uma inspiração pode ter, transformando tudo o que vê como se fosse por magia e tornando o seu pessimismo completamente desnecessário. É que não há nada que possa ser maléfico ou prejudicial, já que nos motiva a sermos "apenas" como ela, uma melhor versão de nós mesmos.

14 comentários:

  1. O percurso de uma pessoa não acaba onde começa! Gostei de ler! Também preciso de me mudar!!!

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  2. Se já não tivesse apaixonado, voltava a apaixonar-me :) q doce de rapariga :)

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  3. Identifiquei-me e muito com a Marlene... e esta frase "Gosta de pensar que aqueles que são verdadeiramente bons irão permanecer e que os outros ficam pelo caminho, mas está desencantada com o mundo das profissões instantâneas, em que basta juntar um pouco de água, condenando igualmente o "chico espertismo" português, a crítica sem pedido de opinião e a falta de vontade para ajudar, a ausência de integridade." consegue expressar tão bem aquilo que também anda na minha cabeça....

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  4. É incrível poder contar com a Marlene entre as minhas amigas porque ela é uma pessoa incrível e brilhante <3 artigo lindo, como sempre e como tu Raquel <3

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    1. Obrigada minha querida! e eu fico toda babada com esses teus elogios <3

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  5. Tão bom ler isto.
    Obrigada, às duas: à Marlene por ser uma amiga daquelas com quem não se está todos os dias mas é como se estivesse, à Raquel por ser daquelas pessoas com quem nunca se esteve e com quem se sente afinidade muitas vezes.
    (Gosto muito de gente que diz bem de gente. Não daquelas que só dizem bem, que isso é um enjoo e nem toda a gente merece ser bendita. Mas gosto muito da cultura do elogio e foi um prazer reler este. Todos os meus elogios, a ambas.)

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    1. Muito obrigada pelas palavras bonitas e pelos elogios bons :) e sim, é bom haver gente que agradece às suas gentes. É quase uma lufada de ar fresco num Mundo de queixosos! :) um beijinho para ti!

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