21/08/2013

Terapias Expressivas: Síndrome de Peter Pan

Toda a gente conhece a história do menino que não queria crescer, que achava que todos os sonhos eram possíveis.

Em 1983, Dan Kiley definiu a Síndrome de Peter Pan como o atraso de decisões vitais como forma de evitar responsabilidades dos adultos. Da mesma forma, considerava que a entrada na maturidade como uma "Odisseia de Homero", uma longa viagem em que Ulisses passa por aventuras, lutas, fantasias, monstros e perigos, muito difíceis de atravessar.

Segundo Dan Kiley, existem alguns sintomas substanciais deste síndrome, como por exemplo:

1. Irresponsabilidade
Este é o resultado duma educação demasiado permissiva, sem limites ou punições, em que o indivíduo se torna demasiadamente preguiçoso, procrastinador e sem iniciativa, evitando responsabilidades, trabalho ou contas para pagar.

2. Ansiedade
Embora não o demonstre directamente, normalmente a pessoa sente-se insatisfeita consigo mesma, fazendo julgamentos errados de situações vitais e tendo problemas com pessoas masculinas de autoridade.

3. Solidão
Frequentemente as crianças com esta síndrome acreditam que a comida, a casa e a segurança são um direito e não algo que temos de trabalhar para alcançar. Desta forma, o valor do trabalho desaparece, e o prazer é um direito e não um privilégio obtido com o trabalho. Não existe procura activa de trabalho, mas antes uma crença que isso é uma obrigação externa, seguindo-se a resposta constante: "Estou à espera que me chamem".

4. Conflito em relação ao papel sexual
Os rapazes ou homens não podem ter comportamentos femininos como chorar, fazer dramas, ou outros.

5. Narcisismo ou Chauvinismo
Duma maneira geral, o indivíduo com esta síndrome revela-se egocêntrico, centrado em si mesmo, com opiniões exacerbadas, tendenciosas e/ou agressivas relativamente ao país, pessoa, grupo ou ideia diferente da sua. Assim, tem a concepção fixa de que é melhor do que os outros, assim como os seus pensamentos, conhecimentos e pareceres.

6. Estilo de vida "Pirático"
Apresenta comportamentos sem moral ou ética e uma tendência natural para quebrar leis, desvalorizando ou traindo amizades para seu benefício ou valorização.

Permanecem ainda alguns sinais essenciais a ser descritos:
- A sedução pela juventude (passado) mais do que pelo presente,
- O extremo medo da solidão,
- A insegurança (mesmo que apresente o contrário),
- A atitude de pedir, receber e criticar; não dar e fazer,
- Os compromissos encarados como obstáculos para a sua liberdade,
- Rodear-se de pessoas que lhe cobrem as necessidades básicas,
- A falta de responsabilização por aquilo que faz, atirando as culpas para os outros,
- Centrado em si mesmo, no seu trabalho, problemas, tristezas e tudo o que o envolve,
- Mesmo tendo sucessos/vitórias, a vida nunca é como gostaria, sendo uma constante desilusão,
- Permanente insatisfação com aquilo que tem, mas não tomando iniciativas para mudar.

O próprio conceito de maturidade muda com o tempo, com as culturas e as sociedades: se antes a maturidade era casar e ter filhos, hoje sabe-se que tem muito mais a ver com o discernimento, a lucidez e a consciencialização. Além disso, todos nós, em alguma altura da vida, já nos sentimos assim nostálgicos com o passado, com vontade de ser pequeninos para sempre. É verdade e é absolutamente normal, uma preguiça sem malícia.

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