09/09/2013

A Música: a Banda Sonora da Minha Vida (II) - Bill Withers

Quem, como eu, tem um gosto especial pelo Soul, reconhece o valor deste Senhor com maiúsculas.

Antes de mais, urgem as apresentações. Apesar das suas músicas ficarem na memória, Bill Withers parece-me sempre um pouco posto de parte, esquecido pela maior parte das pessoas. Para saberem de quem falo, aqui fica a sua música mais conhecida, universal e um verdadeiro hino à simplicidade.



Presentemente com 75 anos, Bill Withers decidiu bater às portas das editoras discográficas quando tinha cerca de 32 anos e a resposta era sempre a mesma: ele era muito velho para estar a começar naquela altura. Até ali, nunca antes tinha pensado na música, fazia apenas sanitas para aviões e era feliz com isso. Depois, a vida trocou-lhe as voltas e foi despedido. Com algumas músicas no bolso, começou a correr caminho e a distanciar-se do que se fazia, não querendo seguir os mesmos passos típicos do R&B da altura, pondo umas miúdas nos coros. Queria, essencialmente, continuar a ser ele mesmo, simples como a maneira que gostava de se mostrar.

A música de cima, "Ain't no sunshine"  foi, então, a que chegou aos topos, mostrando-lhe um mundo novo e surpreendente que nunca pensou em alcançar. Foi também nessa altura que o voltaram a chamar para trabalhar na mesma empresa de onde tinha sido despedido e decidiu perseguir a música para esgotar o que havia dentro de si. O sucesso foi enorme e instantâneo, algo que, para ele, era altamente estranho. Afinal, sempre teve consciência que era apenas um gago asmático, estranho demais para o seu corpo. Cedo aprendeu que não era bom no "jogo da fama", apercebendo-se que ficou mais bonito desde que o êxito caminhava ao lado dele.

Em 1985, 15 anos depois de ter começado a gravar, resolveu afastar sua voz profunda da música, suave como o Soul que produzia. Para ele, não foi parar, mas fazer outra coisa, já que não queria investir a sua vida toda ali, só desejando sentir-se bem e confortável, aplicando a sua maior atenção à sua vida familiar. Sensível, mas duro, com uma praticabilidade nada associada aos génios artistas, confessa que não sabe distinguir notas e que a primeira guitarra que teve foi em 1970.



Incrível, este senhor. Um doce de ouvir e ver... E se, por um lado, tenho pena que ele não tenha escrito mais delícias, posso afirmar que este é realmente um dos meus eternos amores. Pela simplicidade, pelos toques de blues, pela música quase untuosa e cheia de significado na sua inocência e pureza. Fiquem com as minhas favoritas "Who is he (and what is he to you)" (em cima), "Use me" (aqui), a banda sonora das minhas viagens de carro solarengas, "Lovely Day" (aqui), o som dos amores e da confiança em "Just the two of us" (aqui) e "Lean on Me" (aqui). Por último e porque adoro histórias, em "Grandma's hand"  fica a história da sua avó, que lhe ensinou tudo aquilo que ele aprendeu, aqui.

Sem dúvida nenhuma, aqui fica um dos meus ídolos de sempre.

P.S. Durante as próximas duas semanas estarei em modo férias, por isso perdoem-me os atrasos nas respostas de comentários e afins. De qualquer maneira, o blog continuará no funcionamento normal, por isso conservem-se por cá! :)

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