18/09/2013

Remédios Caseiros: Carta para uma Relação Feliz

Porque escrever tem sido o meu verdadeiro Remédio Caseiro, aqui vão mais umas palavras. Um obrigada especial para a Raquel Gomes, que me deixou e ajudou a fazer a fotografia que me bailava na cabeça a acompanhar as descritas.

Querido Luís,

Tenho pensado infinitamente como vou fazer isto. Testo as palavras vezes sem conta, escolho-as milimetricamente para facilitar o processo, para mim e para ti. Depois, ponho-me em frente ao espelho para que tudo seja coerente: o olhar pesado, mas compreensivo, os gestos seguros, mas reconfortantes. Logo a seguir me apercebo de que não serei capaz de te magoar, de te fazer sofrer desta forma. É duro demais.

A minha mãe sempre me ensinou que “a escrever é que a gente se entende”. Existe toda uma facilidade de expor os sentimentos numa carta; fica tudo arrumado e controlado, como sabes que aprecio e respeito. Assim consigo controlar as lágrimas sem que penses que estou a ter pena de ti. A pena que sinto é que as coisas não tenham resultado para nós, que todos os planos tenham falhado. De certa forma, sinto pena de mim mesma, por não saber dar-te aquilo que queres e que sei que precisas.

Por outro lado, tenho a perfeita consciência que não existe nenhuma maneira bonita ou apresentável de fazer isto. Não é só dizer que não te amo mais, mas mostrar-te que amei, que os 5 anos que passámos juntos foram importantes para mim e que isso não passou. Como saudosista que sou, sinto-me ainda mais presa àqueles momentos bons que passámos, a todas as manhãs em que acordei feliz ao teu lado, a todos os dias em que o teu abraço era suficiente. O meu lugar favorito continua a ser a curva do teu pescoço, onde a inocência se une com a força que tens para vencer o Mundo. Continuo a admirar-te como ninguém.

A razão para o Amor ter acabado? Não sei. Sinceramente não sei. Na verdade, nem sei se acabou. Pelo menos, eu não o sei dessa maneira. Amenizou a chama, mas isso já se sabia, principalmente depois de todo este tempo. Nunca me iludi pensando que seria para sempre, nem tinha ideias de grandeza. O conceito de que “para cada panela existe uma tampa” é antiquado e só para pessoas pouco informadas, ou que acreditem em histórias encantadas. A minha explicação é bem mais simples, mas também mais dolorosa: um dia acordei e já não me imaginava contigo para o resto da vida. E isso é algo que, desde esse dia, não consigo simplesmente apagar.

Afasto-me por saber que é o melhor para nós. Não quero, de maneira alguma, atingir o ponto em que ignoro o que sinto, rejeito o teu beijo ou não suporto que me toques. Quero manter este carinho bonito que sinto por ti. Sei que me vais odiar depois desta carta. Vais acusar-me de tudo aquilo que sempre te chamei nas nossas discussões e depois não vais perceber nada. Eu sei. E respeito a tua dor, por isso me afasto.

Não penses que sou egoísta; só quero que fiques bem. Ou se calhar sou. Bem, é como queiras, desde que isso te apazigue a alma. Não gostava que ficasses com raiva de mim, mas se é assim que tem de ser... Que assim seja. Só espero que um dia tudo isto passe e que consigas ser meu amigo, como sempre.

A palavra como pretexto não vai existir, mas podes crer que lamento. Para já, fica um até breve. Ou ainda melhor, até quando me conseguires sarar.

Um beijo,

Helena

5 comentários:

  1. que linda carta e com lucidez, como se deve estar quando tomamos uma decisão tão importante tanto quanto sabermos escutar os nossos sentimentos. Parabéns

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  2. Ter coragem para ouvir o coração e procurar a felicidade deve ser visto com valor.
    Obrigada pelo texto :-)

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  3. Parabéns pelas frases escolhidas e pelos sentimentos com raciocínio. "Uma carta maravilhosa"!

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    1. Às vezes é difícil pôr os sentimentos com sentido lógico, mas o mais complicado acaba por ser assumi-los com convicção 😊 obrigada eu pela visita!

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