06/10/2013

Quem conta um conto


(fotografia de Eduarda Pinto)

Quem conta um conto, acrescenta um ponto.

(complementar com esta música)

Há uns meses, durante uma entrevista à minha querida amiga Inês Bernardo (ver o Remédio aqui), ela incentivou-me a que escrevesse mais e que me aventurasse noutros caminhos, das escritas mais sérias e das histórias inventadas por mim. Como uma das vencedoras do concurso dos Jovens Criadores, ou mais especificamente dos Jovens Escritores, provocou as minhas ideias, para que fizesse um conto para me candidatar este ano.

No início ri-me muito. Achei que ela só podia estar a brincar, já que nunca tinha feito nada parecido. Depois, o meu excelentíssimo maridão e o meu Fred insistiram para que tentasse, pois não ia perder nada com isso. Cedi, sempre com a perspectiva que podia não funcionar, que podia não conseguir transmitir o que queria. Procurei nas memórias uma história que me fosse fácil de descrever, que estivesse perto o suficiente para que as linhas ultrapassassem o desafio.

Assim começaram as primeiras palavras de Eunice, o conto que iniciou muitos outros estímulos para o meu caminho. A história é inspirada na vida da minha bisavó, uma mulher cheia de vontade e força de viver, especial demais para não ser contada com os detalhes que lhe impus. É uma narrativa intensa como ela era, com pormenores que podem não ser totalmente verdadeiros, mas que estão muito perto da realidade e da pessoa que ela incentivava a ser. Acabei-o duma assentada e com as lágrimas nos olhos, de felicidade, de êxito, de descanso, de suspiro e de saudade, mas nunca de tristeza, pois nunca lhe vi essa característica.

Não ganhei o concurso, mas, para mim, ganhei muito mais. Ao mostrar a história à minha mãe (e muito receosa pela sua reacção), foi o orgulho e a lembrança feliz que mais a invadiram, mostrando-me que estava no caminho certo, naquele que queria mesmo seguir. Era tudo aquilo que eu mais queria, era só aquilo que esperava ganhar.

Desta forma, esta é uma semana diferente, que dedico à minha bisavó Lurdes, que aqui terá o nome de Eunice para proteger a sua história original. Todos os dias terão um bocadinho do seu conto, acompanhado das imagens da minha querida amiga Eduarda Pinto (ver behance aqui), que se rendeu à parceria que lhe sugeri para estes dias. Aproveitem também para ver o seu trabalho, que é fantástico e tão bem feito, daquela maneira poética que só cria suspiros de inspiração.

Obrigada querida avó Lurdes. Tenho muitas, muitas saudades.

P.S. Este é o tempo dos vossos feedbacks, por isso não se acanhem e digam tudo o que acham sobre o conto que publicar durante esta semana. As opiniões são mesmo importantes para mim!

7 comentários:

  1. Há histórias contadas fora de tempo,
    e pessoas fora de série! Como tu!
    Parabéns pela coragem em participar, e pela (outra) vitória! <3
    beijinhos

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  2. Awww <3 Obrigada sweetie*
    (cá espero os teus comentários a partir de amanhã*)

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  3. Que espectáculo, deve estar um sucesso :) fico à espera para ler *

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  4. Obrigada às duas! Cheira-me que esta semana vai ser muito emotiva ;)

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  5. Boas!
    Antes, sequer de ler, independentemente da história e da forma como a conduziu confundindo-a com factos e felizes fabulações, insisto que a escrita é uma forma de perpetuarmos pessoas ou momentos. Portanto, mesmo não sendo a vencedora, terá todo o mérito.
    Admiro, sempre, os capazes de se aventurarem na escrita. Baseados, ou não, na imaginação.
    Parabéns!

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  6. Obrigada! :) Depois espero também as críticas :)

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