29/10/2013

Remédios Caseiros: a Ana Morais

Uma mulher dos vários ofícios que a apaixonam, a Ana é a personificação da garra e da determinação.

Foi Mirandela que a viu nascer há 28 anos atrás, mas passou por muitos outros sítios até assentar em Lisboa, cidade que lhe dá casa actualmente. Nunca teve a certeza daquilo que queria fazer na vida, e a sua incursão pelas diferentes áreas que hoje abarca deve-se, essencialmente, à vontade de perceber o seu lugar e aquilo que realmente queria exercer.

O seu amor pelas letras falou mais alto na altura de resolver o seu percurso académico, e começou por tirar o curso de Línguas e Literaturas Modernas em Coimbra, especializando-se no Alemão por ser um terreno bravio e silvestre, pronto para a luta que tanto defende. Tinha a ideia de investir em relações públicas e na organização de eventos que a satisfaz, e passou um ano no programa Erasmus em Berlim, onde começou a encontrar o seu sítio.


Depois de acabar o curso e sem emprego à vista, valeu-se das 6 línguas que fala com liberdade (português, alemão, espanhol, inglês, francês e o italiano arranhado) para conseguir um lugar numa loja de atendimento ao cliente, e descobriu a sua valência maior, no carinho com as pessoas. 

Podia ter sido hospedeira de bordo e voar imensamente, em conjunto com os seus sonhos, mas a vida não a quis assim. Actualmente, trabalha em mercados financeiros e é a representante portuguesa da BNP Paribas a nível do Comité Europeu. Foi o acaso que a pôs neste caminho, já que nunca foi formada nesta área, mas é algo que muito a orgulha. Uma vez nesta empresa, criou também uma associação para a organização de eventos na área do desporto, da cultura e para o estabelecimento de protocolos com outras firmas locais, da qual foi presidente durante 2 anos.

A Ana tem "o vício de fazer coisas", movendo-se pela paixão que tem em elaborar os seus encargos, pondo o seu coração na linha da frente. O seu refúgio centra-se no blog que criou, como forma de representação e mostra de todos os seus outros ofícios, como a fotografia, a escrita ou a música que canta com uma voz deliciosa, fazendo também entrevistas a pessoas que a inspiram. Revela que a designação que impõe ao seu blog é um verdadeiro exagero e apenas uma expressão que lhe chamavam, podendo ser aplicado a muitas pessoas que fazem coisas muito diferentes, principalmente na geração que encarna. Constitui, assim, uma visão geral das suas outras realidades, mas também uma plataforma de feedback dos textos que tem escrito ao longo dos anos e que foram evoluindo com ela, culminando num livro que espera editar daqui a uns tempos, que até já tem título:

"O livro que eu nunca acabei de escrever" 

Além disso, dedica-se à fotografia há 8 anos, incluindo vários workshops que fez a este nível e a assistência de alguns tentando explorar ao máximo todas as áreas que esta alberga, com passagem por editoriais, a Moda Lisboa, retratos ou paisagem. Com o tempo, constatou que o que gostava mais de fotografar eram pessoas e momentos específicos, duma forma muito particular e individual. Percebeu também que, como fotógrafa, tem de ter a empatia dum psicólogo, sentir as necessidades e expectativas de quem está do outro lado da câmara, um trabalho extra que é muito reconfortante para si. É também formadora na Embaixada Lomográfica de Lisboa, e no futuro, vai fazer um Mestrado em Design de Comunicação, que pensa ser a arma que lhe falta para conquistar o seu mundo.

O maior esforço da Ana foi em nunca se limitar, mas, principalmente, nunca deixar que os outros a limitem. Vinda duma família em que existe um "sentimento de subestimar as mulheres", que implicou uma falta de auto-estima que ainda hoje combate, nunca deixou de fabricar o seu espaço no mundo, batalhando com garras e dentes. Ao longo dos anos, foi criando as suas oportunidades e conhecendo pessoas excepcionais que a ensinam e iluminam, mostrando que é uma pessoa com muita sorte, já que acreditam mais nela do que ela mesma. Esta foi a família que fundou, com os amigos de quem se orgulha mais do que as palavras a definem. A sua maior fonte de inspiração continua a focar-se na sua mãe, um exemplo de força de viver e um pilar de firmeza e determinação.

Hoje, a Ana vê ao espelho uma mulher feliz, que está no caminho certo. Funde-se com o seu lema de "nunca querer a cereja no topo do bolo", pois deseja sempre lutar pelas coisas, sendo essa a sua maior dependência. Sempre com o coração em punho, é um exemplo do afinco, do esforço e do trabalho, principalmente de aprimoramento de si mesma, nunca esquecendo a doçura e meiguice que os seus olhos carregam.

P.S. Sigam o trabalho dela no blog (aqui), de fotografia no facebook (aqui) e na cargo collective (aqui). 

7 comentários:

  1. Obrigada minha querida, pelas forma tão lisonjeira como descreves a minha pessoa. Sem palavras <3 beijinhos mil

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  2. Não tens de agradecer, meu doce. Tu és mesmo assim :)

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  3. Continua assim minha querida :D
    E sempre que quiseres cantar até que a voz te doa, estou lá naquele "cantinho" á tua espera <3
    Keep going!!!!

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  4. Esta ideia, já assumi, é extraordinária. Mostrar-nos as vidas que não conhecemos, mas que a Raquel reconhece como remédios para quem a segue. Gostei da Ana, sem a conhecer. Gosto e admiro, talvez por me reconhecer, as pessoas que, à partida com um caminho menos evidente, se tornam capazes e felizes naquilo que vão construindo :)

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  5. Pelo menos posso ir inspirando também quem me segue :) Beijinhos!*

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  6. Obrigada Marta ^_^ às sextas sei onde posso ir cantar quando a alma pede :D

    Obrigada Real Desprovido pelas lindas palavras. Somos tantos e eu sou só mais uma… fico contente que outros se reconheçam em mim, e que esta "uma" possa ser "os tantos" que a leem :) beijinhos

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  7. Adorei, a Ana parece ser uma menina única :) vou espreitar o cantinho dela!

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