01/10/2013

Remédios Caseiros: a Dulce Daniel

Numa conversa em que a chuva se fazia sentir lá fora, a Dulce mostrou-se doce como o mel, fornecendo novos sentidos ao seu nome.

Nasceu em Coimbra há 30 anos, mas tem do Porto já mais tempo do que da sua naturalidade, sendo esta a cidade que escolhe a sua preferência. Ainda assim, guarda Coimbra com um carinho especial, na caixa das recordações boas.

"Desde miúda que queria ser jornalista" e fez todo o seu percurso em função disso. Consequentemente, decidiu seguir o curso de Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e no final do 1º ano pensou logo que não era nada aquilo que havia planeado para a sua vida. O desencanto acompanhou os seus passos, mas, uma vez no curso, resolveu ingressar pela vertente de Multimédia e foi aí que teve as primeiras noções de fotografia, vídeo e elaboração de sites, com uma linha mais focada no design. O Jornalismo foi "a maior desilusão da sua vida" e, por isso, nunca fez nada directamente ligado a esta área. Continua a gostar muito de escrever, embora tenha perdido um pouco o hábito de o fazer, e anda a investir na leitura para voltar a ter vontade de se inspirar.


Terminado o curso, foi estagiar para a mesma empresa de webdesign onde trabalha actualmente, fazendo gestão de conteúdos e coordenação para a preparação dos sites. Uma vez nesta área, escolheu fazer o mestrado em Design de Imagem pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, um curso que lhe valeu pelas pessoas que conheceu e pelos bons amigos que fundou. Foi também ali que percebeu o seu interesse pela fotografia, pela composição e por contar histórias através das imagens.

Há cerca de 2 anos, a Dulce começou a "fotografar a sério". A primeira compra foi a sua máquina digital, mas depois voltou ao analógico, gastando muito dinheiro em rolos e nas suas tentativas. Desta forma, encontrou a sua paixão pela fotografia analógica, pela sua textura e grão, por esperar pelo resultado, pela revelação, por pensar mais antes de retratar. Mesmo quando fotografa com digital, gosta de dar às suas criações um ar puro e analógico, confessando que as suas fotos "nunca vão ser lisas ou muito direitinhas", mas carregadas de narrativas. Aprendeu a não "disparar por disparate", entendendo a importância de voltar às raízes para assimilar cada movimento específico. Desde aí, despertou a sua enorme colecção de máquinas fotográficas analógicas, que vão desde as Polaroid às Rolleiflex, e acompanham-na para todo o lado onde vai.

Há um ano e numa conversa com uma amiga stylist de Lisboa, decidiu fazer o primeiro trabalho fotográfico em equipa, na área da moda. Se antes era tudo muito caseiro e inexperiente, reparou que apreciou o processo completo de maquilhagem, cabelos e styling, e toda a preparação rigorosa que envolvia, dando valor a cada passo. Aproveitando um nickname que tinha e que reflectia o seu amor por unicórnios, e visto que as pessoas que trabalhavam com ela também gostavam deste pensamento, criou o conceito e logo em seguida o site weloveunicorns (facebook aqui), focando-se na sua fotografia.

No entanto, apercebeu-se que as pessoas conheciam o seu ditado, mas não sabiam quem era ela, e sentiu necessidade de criar algo mais profissional e que desse a conhecer o seu nome. Nasceu, então, o seu site (com o facebook aqui), onde se dedica à fotografia de moda, notando a importância que se tem de criar nome próprio nesta área. Não obstante, continua com o site do amor pelos unicórnios, que diz que terá uma vertente mais aproximada do lifestyle, e que promete ter muitas novidades em breve.

Como uma autodidacta pura na lida com a fotografia, a Dulce refere a extrema relevância que o trabalho com as pessoas que a rodeiam tem no seu próprio processo. Em Maio do ano passado, resolveu ir fazer um workshop de fotografia de Moda com Mário Príncipe, mas alega que as suas influências se concentram no contacto com as outras pessoas. Passa muito tempo a pesquisar e a ver outras coisas que se elaboram, sentindo-se satisfeita com aquilo que está a fazer, sabendo que é apenas o início dum longo caminho. Como presenças fulcrais nos seus interesses, destaca a fotógrafa americana Annie Leibovitz, e os escritores Sophia de Mello Breyner Andersen e Eugénio de Andrade, que revela serem determinantes.

Para o seu futuro, a Dulce só deseja ser feliz. Quer continuar a seguir este seu caminho na fotografia, humilde, mas feliz consigo mesma, com um optimismo quase invejável, nunca se deixando derrotar. Ainda que às vezes possa ser um pouco rabugenta, a Dulce é extremamente afectuosa, sempre pronta para o seu maior e melhor abraço. Não percebe as intolerâncias, já que aprendeu com a vida que aquilo que tem de bom é muito maior daquilo que é mau, tendo "coisas que nem todo o dinheiro do Mundo é capaz de juntar".

E é assim que vos apresento a minha amiga Dulce, que não se deixa apanhar nem abater pelo mal e pelo pessimismo. Num dia de chuva, a Dulce é o aconchego dum chá quente com mel, um agasalho especial  e enaltecido que nos faz sentir tão bem, sendo doce e reconfortante como só ela sabe ser. Mesmo na altura certa.

6 comentários:

  1. É isso tudo e muito mais! ;) Desde essa primeira vez em que nos aventurámos na nossa primeira produção que temos vindo a crescer juntas e por isso é um orgulho vê-la aqui.*

    ResponderEliminar
  2. Que bom que assim foi! :) Um bom impulso para a doce Dulce*

    ResponderEliminar