03/10/2013

Terapias Expressivas: Educação com Limites


Sim, é certo: os miúdos não nascem com livros de instruções. No início da época escolar, é importante dirigirmo-nos para os pais, familiares, professores e técnicos, de forma a explicar o que é isto de educar com limites.

Em primeiro lugar, urge a definição. Limites são regras ou normas de comportamentos que permitem o desenvolvimento moral, psíquico, afectivo, social e cognitivo mais saudável, transmitidos pelos agentes educadores, permitindo uma preparação para a vida real, já que nem tudo acontece como e quando se quer. Por outro lado, a falta de limites pode conduzir ao descontrolo emocional, à dificuldade crescente na aceitação de regras, ao comportamento desajustado, ao desrespeito aos pais, colegas e autoridades,
à incapacidade de concentração ou dificuldade para concluir tarefas, à excitabilidade, ao baixo rendimento e até a problemas psiquiátricos. Por isso mesmo, é muitas vezes confundida com a Hiperactividade.

Assim, é absolutamente essencial colocar limites aos mais pequenos, fronteiras e marcos bem definidos. Para isso, é fundamental a compreensão, estabilidade e coerência dos agentes educativos, para que a alteração de comportamentos não prejudique a auto-estima. Algumas dicas basilares:

- Escolhas/Alternativas - deixe-os ter "liberdade de escolha", com opções limitadas de cumprir ordens:

"É hora do banho. Queres tomar banho quente ou frio?"

- Firmeza - é necessário haver disciplina, com o uso duma voz segura, sem gritos, e um olhar sério e focado;

- Objectividade e Positivismo - as regras devem ser claras, concretas e objectivas, explicando-se o que deve ser feito. Da mesma maneira, ordens como "não faças isto" ou "pára com isso" não são razões nem explicações válidas;


- Evitar competições - a comunicação das regras deve ser de forma impessoal, sem competições pelo poder como "Quero que vás já para a cama". Respeito gera respeito;

- Explicar o porquê - entender a razão ajuda a desenvolver valores, atitudes e comportamentos. Para isto, deve usar-se poucas palavras e ir directo ao assunto;

- Ser consistente - uma rotina flexível, como dormir a horas diferentes todas as noites, é um convite à resistência, impossível de cumprir, já que a oportunidade de contornar as regras irá vencer;

- Desaprovar o comportamento, não a pessoa - o objectivo não é rejeitar ou desrespeitar ninguém;

- Controlar emoções - agir com calma e contar até 10 antes de agir. a disciplina é ensinar como se comportar, por isso se agirmos com demasiada emoção não ensinamos.

Em suma, a atmosfera deve ser harmoniosa e devemos ter cuidado com vários aspectos que fazem com que sejamos o exemplo dos mais pequenos. Esquecemo-nos muitas vezes que temos à frente crianças e que eles compreendem tudo, coisas boas e más, mesmo que achemos que não. Ainda assim, devemos ajustar as nossas predisposições, a nossa linguagem, as nossas expectativas e julgamentos. É que não existem filhos iguais nem pais iguais.

4 comentários:

  1. Eu sou educadora de infância e portanto tenho a dizer-te que adorei este texto..penso tal e como tu, mas infelizmente pouca gente pensa assim! Estudaste o quê tu?:)

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  2. Olá Ju! Eu estudei Psicologia e trabalhei com crianças durante algum tempo, sendo essa a minha especialidade. :)

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  3. Minha querida Filhota... pois eu como mae tenho a dizer-te que ADOREI ESTAS "TERAPIAS" e que muitos pais deviam ter acesso a esta informação por um simples objectivo....contribuir para o bem estar emocional dos seus próprios filhos!

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