31/10/2013

Terapias Expressivas: o Medo

Na sua complexa definição, o medo apavora, paralisa, impede e angustia, implicando várias vertentes da nossa vida.

Por vezes sentimo-nos ameaçados, seja a nível físico ou psicológico. É um mal comum, toda a gente tem medo de alguma coisa. Nestas alturas, ocorre uma alteração das emoções e dos sentimentos, uma reacção em cadeia no cérebro que se inicia com um estímulo de agitação ou de desassossego e termina com a libertação de químicos, uma descarga de adrenalina. Segundo Dalgalarrondo (2006), o medo é:

"estado de progressiva insegurança e angústia, de impotência e invalidez constantes, ante a impressão iminente de que sucederá algo que queríamos evitar e que progressivamente nos consideramos menos capazes de fazer."

Da mesma forma, a Fobia surge como um medo exacerbado, desproporcional, limitativo e patológico, em que o sujeito evita aproximar-se ou falar, mudando as suas rotinas e podendo comprometer até a sua vida social. Para além disso, sofre de angústia e vergonha, e outras reacções somáticas causadas pela exposição aos estímulos causadores do medo, como por exemplo a aceleração ou diminuição dos movimentos do coração, a respiração demasiadamente rápida ou lenta, a contracção ou dilatação dos vasos sanguíneos, constipação ou diarreia, poliúria ou anúria (muita ou pouca vontade de fazer xixi) e, nos casos mais graves, até paralisação do corpo.


Segundo a Classificação Internacional de Doenças, distinguem-se os seguintes medos ou fobias:

- Agorafobia - medo de sair de casa, de entrar em lojas, de multidões ou lugares públicos, de viajar sozinho em aviões ou comboios, etc;

- Fobias Sociais - medo de exposição, levando à fuga ou desvio de situações sociais;

- Fobias Específicas - são as mais comuns, contendo o medo de alturas, insectos, trovões, do escuro, do sangue ou de doenças;

- Pânico - ansiedade grave, não restrita a qualquer situação ou conjunto de circunstâncias em particular, com um carácter absolutamente imprevisível.

Acima de tudo, o medo é falta de controlo, seja físico e mais objectivo ou duma disposição, acontecimento ou cenário específico (falar em público, estar em espaços fechados, etc.).

Medo    =    percepção de perigo
               controlo

Assim, podemos ter medos de coisas variadas, mais ou menos racionais, mas existem sempre raízes bem mais profundas do que aquelas que são visíveis através da modificação da fisiologia. Existe uma verdadeira angústia e sofrimento físico que vai muito além do psíquico, como um aperto no estômago e na garganta, palpitações, palidez, impressão de pernas bambaleantes e dificuldade em respirar, que depende de vários factores, como de experiências passadas, da inteligência, da confiança e da competência, entre outros.

E vocês, que medos têm?

14 comentários:

  1. É a primeira vez que leio o seu blog e foi pelo tema do post que me chamou a atenção. Sofro de pânico há um ano e meio. Não sei como chegou, mas não vai embora. Já tentei de tudo, já recorri a tudo. Estou há dois meses a fazer terapia cognitiva que me ajudou a perceber algumas das minhas limitações, mas o aperto na garganta continua e a sensação de que estou a sufocar também. Isto terá um fim?

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  2. Olá Susana. Antes de mais, obrigada pelo interesse e atenção!
    O Pânico é algo muito intenso e difícil de explicar por simples palavras escritas, demorando-se bastante a ser entendido e, por isso, alongando as consultas psicológicas. Mas a verdade é que existem casos de sucesso, que conseguem ultrapassar estes medos depois da terapia... Por isso sim, acredite que isso vai ter um fim! :)
    Um beijinho*

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  3. Olá Raquel,

    Gostei muito do blog e em particular deste post uma vez que, infelizmente, me identifico com sentimentos e sensações descritas neste texto. E principalmente, gostei que o tema tivesse sido abordado, porque sinto que o medo é hoje um tabu quase tão grande como o sexo foi outrora.
    Como disse no seu comnetário anterior o pânico é dificil de explicar e frequentemente quando se se tenta encontrar literatura ou informação sobre isto lê-se que a depressão é uma das consequências mais comuns destas fobias. Também sei que normalmente estas fobias são consideradas graves quando afectam a qualidade de vida das pessoas. O que acho interessante é que poder-se-á pensar que a impossibilidade de viajar, ou se ir a um supermercado sejam as restrições que mais poderão afectar a qualidade de vida destas pessoas. No entanto, sendo uma delas, e tendo eu algumas limitações por exemplo por onde me movo, tenho um trabalho onde sinto bem e sou autosuficiente. Onde a qualidade falta na vida é nas relações com os outros seres humanos. Simplemente,sou frequentemente considerada apenas uma pessoa fraca e sem vontade pelas pessoas que estão à minha volta. Muitas pessoas não sabem que algumas das minhas limitações se preendem com fobias e pânico, portanto a essas não as julgo. No entanto, tive uma relação de mais de 10 anos que acabou em parte por isso. E os amigos mais próximos tendem a afastar-se porque não tenho actividades interessantes para lhes contar ou porque não os acompanho em algumas actividades. A pessoa vê-se de repente privada de afectos e só. E não é que se tenha afastado, simplesmente porque para a sosciedade a pessoa é o que faz os sítios onde foi. Ou no meu caso, o que sou eu para além do medo e limitações? E a culpabilização. Já tive apoio psicológico do qual desisti, porque sofrendo disto, sei que há uma componente que não é despoletada por ideias. Portanto as terapias são necessárias, mas não se poderá partir do principio exclusivo de que padecemos apenas de um conjunto de más ideias. Como disse é dificil de explicar e imprevisivel. Não me extendo ainda mais. Parabéns pelo blog e pelo tema.

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  4. Parabéns! Aqui está um tema que "aflige" tantas pessoas e que limita tantas acções. Pela abordagem e mesmo sendo eu suspeita por ser tua mãe, orgulha-me muito a tua capacidade como tratas estes assuntos! Filha..vai em frente. Tens um dom nato para ajudar e sabes fazê-lo como poucos! Um beijo grande

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  5. Olá Sara,
    Não querendo puxar a brasa à minha sardinha, mas já o fazendo, para mim a terapia é essencial apenas para falar. Às vezes só o simples facto de exteriorizarmos aquilo que vai cá dentro já ajuda a vermos as coisas doutra perspectiva e a erradicarmos o mal pela raiz. É difícil, doloroso, demorado e, acima de tudo, muitas vezes incompreensível, mas prometo que compensa.
    Uma das coisas que digo às pessoas é que escrevam o que lhes dói ou incomoda, para extrair isso delas mesmas. Este já foi um bom passo, o de desabafar por aqui... Será que consegue fazer o esforço de continuar? :)

    um beijinho*

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  6. O tema é inesgotavelmente importante. Conheço quem sofra, esporadicamente, de surtos de ansiedade que, para lá deles, a incapacitam. Refugia-se no medo que a perspectiva de regressarem se efective, de facto. Contudo, concordo que falar do assunto, sem medo de parecer a excepção nem vergonha (como me relataram), e tomar algum acompanhamento, são um bom caminho.
    Medos, feliz ou infelizmente, todos temos. Ultrapassam-nos, quando deixamos de os reconhecer.

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  7. O tema é daqueles que tem mais informação do que aquela que demonstro aqui, sem dúvida nenhuma. Mas falar destes assuntos duma forma descontraída e leve é um desafio que me preparei para assumir. Mais uma vez, reforço que falar ou escrever sobre as matérias difíceis consegue extraí-las e tirar-lhes a importância negativa*

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  8. Um tema com o qual me identifico também. A uma dada altura da minha vida vi-me envolvida em ataques de ansiedade, não sabia ao certo porque raio aquilo me estava a acontecer. Com alguma terapia e analisando os vários aspectos da minha vida e duma etapa que tinha terminado, ainda passei por uma ou outra situação de pânico, mas depois passou.
    Ainda assim o medo, no meu caso os ataques de ansiedade estão presentes e quando querem mostrar os seus "lindos dentes" eu lá arranjo mecanismos de defesa. Mas uma coisa é certa, a melhor coisa é mesmo deitar tudo cá para fora! Despejar tudo com alguém, pois quanto mais silêncio criamos à nossa volta mais o medo ganha terreno. Concordas comigo Raquel?
    Beijinhos

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  9. Concordo plenamente, Sofia! E ainda bem que conseguiste perceber que o melhor é sempre desabafar!**

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  10. Eu tenho pânico a abelhas, até acaba por ser cómico ver as minhas figuras, pois ponho-me a fugir de forma tresloucada quando vejo alguma...eu cá não acho piada nenhuma :( Tenho medo da morte (quem não tem, né?) não só da minha, mas dos meus.. tenho medo do sofrimento que isso traz (e sabendo, por experiência própria, o que custa!) também tenho medo de errar, de não conseguir aquilo que ambiciono.

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  11. Ju: um dia falo dos meus medos e tu também te vais rir muito, prometo!*

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