14/11/2013

Terapias Expressivas: o Reforço Positivo

Uma expressão especialmente usada em contexto educacional, o reforço positivo revela-se uma ferramenta simples e eficaz para a modificação do comportamento.

Este termo aparece a primeira vez com Ivan Pavlov, um médico russo que fez uma experiência curiosa com cães. Sempre que os cães eram alimentados, tocava um sino ou campainha. Com o tempo, os cães começavam a associar o barulho à comida e salivavam quando ouviam a campainha. Foi este o autor que fez surgir o conceito de condicionamento na psicologia comportamental, assim como outras noções básicas como recompensa, punição e reflexos condicionados.

Todos nós temos reflexos absolutamente inatos ou incondicionados, que nos fazem interagir com o ambiente duma forma harmoniosa, como o acto de mamar para um bebé ou o choro do mesmo para comunicar fome ou dor. No entanto, existem outros reflexos que podem ser condicionados ou aprendidos, como a história certa e sabida do "cão de Pavlov", que salivava quando ouvia a campainha. Desta forma, temos a consciência que estímulos específicos incentivam determinados comportamentos e um comportamento associado a um reforço aumenta a probabilidade dele acontecer. O reforço positivo é, então, uma técnica primitiva conscientemente utilizada por educadores e treinadores de animais, que funciona em humanos e animais, aves e répteis incluídos.


Todavia, cada pessoa ou animal tem necessidades distintas, sendo único na sua dimensão e realidade, por isso a complexidade desta técnica aumenta consoante cada um. Da mesma forma, sem conhecer o sujeito é difícil de saber ou prever aquilo que é eficiente ou eficaz, e o mesmo estímulo pode ser um reforço positivo para algumas pessoas e uma punição para outras, por exemplo:

Ir ao quadro numa sala de aula

Se para uns é uma recompensa ou gratificação, para outros significa um pesadelo. No caso dos animais o reforço positivo é a comida e a punição é a ausência de recompensa, mas aplicar um reforço a um ser humano é bem diferente, visto ser mais intrincado e profundo nas suas carências e dinâmicas mentais. O reforço positivo para um humano pode ser um doce, um afecto, um presente, uma carícia, um "obrigado", um "muito bem" ou um abraço, entre outros, indo de encontro às necessidades e interesses daquele que o recebe. Assim, é fundamental conhecer as pessoas antes de o dar, para que não existam confusões ou dificuldades.

Na faculdade, tinha um professor que dizia que o reforço positivo era a base da psicologia. Eu concordo plenamente.

3 comentários:

  1. Eu concordo com o reforço positivo, mas não concordo com castigos ou punições (no caso das crianças é claro!). É óbvio que quando a criança tem um comportamento incorrecto tem que ser chamada à atenção e é dever do educador demonstrar que aquilo é errado, impondo-lhe uma consequência para o acto e não um castigo. Como por exemplo, 'se não conseguires estar a brincar sem bater nos teus amigos, vais ter que sair da brincadeira durante um bocado porque assim não estás a deixar os teus amigos brincarem e aqui só se brinca sem bater, é uma regra da sala", não é como muito boa gente "és mau, sai já dai, vai-te sentar de castigo". E mesmo o reforço positivo, na minha opinião, há que ter um certo cuidado na forma como é usado, por exemplo, "se almoçares, a seguir dou-te um chocolate" a criança tem que almoçar porque faz parte das suas necessidades físicas e biológicas, não é para ter um chocolate no fim, poderemos fazer a abordagem "vá, termina o teu almoço, porque só depois da refeição terminada é que podemos sair de casa para ir ao parque". :)

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  2. Ju: para mim, o verdadeiro castigo é a ausência de recompensa, por isso concordo em absoluto contigo :)

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