31/01/2014

Desculpas há muitas, parte II


THE GAP by Ira Glass from frohlocke on Vimeo.

Uma das coisas que mais tenho aprendido com esta coisa de tirar fotografias todos os santos dias é algo que, inocentemente e inicialmente, nunca considerei: a escrita criativa.

De todas as vezes que ponho uma fotografia nova tenho de escrever sobre ela ou sobre o tema que me tinha proposto e isso tem desatado alguns nós de linguagem que tinha anteriormente, tem-me feito pensar mais sobre isso e também tem-me dado mais estaleca, que creio que se traduzirá em autenticidade. Salvo raras excepções, nada do que escrevo aqui é planeado antecipadamente e só quando me sento ao computador é que deixo as emoções relatarem o que sinto. Por isso é que, às vezes e quando olho para trás, tudo me parece tão cru e sem edição, com alguns erros normais de quem faz isto "um bocado sem pensar".

Ontem, o Fred mostrou-me este vídeo para me incitar, inspirar e motivar, mas, principalmente, para me tranquilizar. É que eu estou constantemente a duvidar daquilo que sou capaz de fazer e sou a minha maior crítica. Sinto que estou muito longe, que ainda tenho tanto para caminhar, que tenho de muito que pedalar e lutar, que ainda não estou lá. E impaciente como sou, podem imaginar o que isso significa.

Ainda que me ache muito pequenina, sei que já consegui algumas coisas. Neste ano que passou, já consigo dizer que sou escritora. Nos últimos tempos tenho passado a dizer que também me dedico à fotografia, embora não me considere fotógrafa. Mas nem sabem o recompensador que é ouvir ou ler alguém que gosta mesmo do que eu estou a fazer. Mais do que isso, nem sabem o gosto que tenho em ver uma fotografia minha e, mesmo achando que é boa, mas que ainda não estou lá, que o caminho só se faz a caminhar. E isso eu estou a fazer.

Desculpas? Há muitas, especialmente se for para ficar de rabo sentado no sofá a olhar para a televisão, mas garanto-vos que não falta tempo para isso. Por isso o meu desafio para o #desculpashámuitas é para que deixem de usar a palavra "tentar" e que arrisquem com todas as vossas forças. Mesmo que não sejam pros em fotografia. Mesmo que não tenham a camera/máquina XPTO. Mesmo que aquele dia não tenham tempo [têm sempre tempo para uma fotografia, ainda que não a queiram partilhar]. Combatam as desculpas e vão ver que se vão surpreender. É uma promessa.

10 comentários:

  1. São estas as palavras que gosto de ouvir. Que lemos e levamos no nosso peito, e nos fazem sentir que somos capazes. Somos mesmo capazes. É muito fácil inventar desculpas. Mas se colocarmos de lado a preguiça, de certeza que conseguimos. Obrigada Raquel pelas palavras. Mais uma vez, obrigada :) Tu mudas o meu mundo!

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  2. baby steps, baby steps...

    Obrigada por partilhares este vídeo :)

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  3. Tu é que, um dia destes, me deixas sem palavras. Faço isto também por ti. Obrigada :) *

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  4. Entendo todas as suas palavras. Da primeira à última. E sinto-as. Talvez por isso, goste de mostrar ao outro quando gosto do que fazem. Independentemente do que seja. Ainda que, para quem opina, pareça irrisório, vai sempre chegar e impulsionar. O tempo, ou a falta dele, é a maior desculpa para perder com o medo. Defina-se escritora, porque o é. Dedique-se à fotografia, porque sabe fazê-lo :)

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  5. As palavras e o vídeo: Obrigada Raquel! :)

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  6. Sempre uma fonte de inspiração Raquel.
    Gostei muito destas tuas palavras, e o vídeo é excepcional.

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