16/01/2014

Terapias Expressivas: Filhos de Pais Separados


Com as constantes mudanças a nível pessoal e profissional, reflexos dos desafios que os momentos exigem, o conceito de família ordena uma reorganização e reconstrução.

De facto, a ideia que tínhamos da família "clássica" do trio no conjunto do pai, da mãe e dos filhos está completamente ultrapassada e, actualmente, existem muitas separações e divórcios e a consequente angariação de padrastos e madrastas. Mas como evitar a conotação negativa destes termos e a resultante implicação na educação?

Vamos por partes. Sim, a situação é traumática para todos os intervenientes. Em primeiro lugar, não há casal nenhum que fique absolutamente feliz com a separação e os pais acabam por ser influenciados por isso, mesmo que inconscientemente. Desta forma, carregam uma culpa enorme e, por vezes, chegam a usar os filhos como "arma", fazendo uma competição desleal (consciente ou inconsciente) do amor do filho, numa agressividade passiva, dando mais do que o outro, para fazer mais e melhor. Podem, então, ser eventualmente mais permissivos, menos exigentes e disciplinados, resultando numa educação "não saudável", não existindo coerência.


Por outro lado, os filhos apercebem-se do "concurso" e abusam desse facto. Assim, há uma maior probabilidade de terem baixa auto-estima, insucesso escolar, pouca sociabilidade, maior instabilidade emocional e ansiedade, baixa tolerância à frustração, serem vítimas de bullying ou desenvolverem algum transtorno psicológico. Ainda assim, existem casos de resiliência de ambientes disfuncionais, em que os indivíduos se desenvolvem de forma saudável.

Da mesma maneira e não concordando em nada com a conotação negativa que estes termos impõem, hoje conhecem-se os benefícios de viver a liberdade e sabe-se perfeitamente que a felicidade não está em seguir regras sólidas. A família denominada como "clássica" não é sinónimo de bem-estar e muitas vezes a separação é a resposta lógica para uma situação que não funciona, que não é feliz. Resta-nos, então, saber lidar com aquilo que temos e com a realidade que vivemos.

A verdade universal é que as relações que presenciamos na infância irão servir de exemplo para nós e, duma forma inconsciente, temos tendência a replicá-la, a recriar o mesmo ambiente, seja ele bom ou mau. Posto isto, é absolutamente essencial que haja uma atenção preliminar com os detalhes destas relações primárias, uma maturação dos valores.

Aos pais numa situação similar: não é fácil e muito menos é justo. O segredo é agir com coerência, ter paciência, engolir uns sapos e seguir em frente. E conversar com os vossos filhos, duma maneira clara, oportuna e adequada a cada idade. Porque no final das contas tudo valerá a pena.

4 comentários:

  1. Felizmente, há casais que sabem lidar bem com o divórcio, mas há outros..Eu, infelizmente, assisti a algumas situações em que tudo o que os pais faziam influenciava o comportamento das crianças. Não há dúvidas que se os pais não souberem lidar com esta situação, andarem constantemente a atacarem-se (principalmente à frente dos filhos!), as crianças acabaram por sentir frustração e o seu comportamento poderá não ser o mais adequado. Que os humanos são uns egoístas nós já sabemos, mas há que pensar que se os filhos estão cá foi porque assim os pais o quiseram, eles não têm a culpa, portanto vamos lá tomar bem conta deles *

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  2. Sim, é verdade. Resta-nos perceber essas frustrações e tentar evitá-las :)

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  3. Agora faz uma para filhos únicos Raquel!
    Concordo tão contigo naquele post

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  4. Boa ideia, Sara! Vou mesmo fazer um post sobre os filhos únicos ;)

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