17/03/2014

Das celebrações

(fotografia e edição: Fred Gomes)

AVISO: Isto é uma história de amor, cheia de mel. É que hoje é o meu (nosso) dia especial: faz exactamente 2 anos que me casei.

(acompanhar esta história com uma das nossas músicas)

Eu e o meu Pedro conhecemo-nos num jantar de CouchSurfing, tinha eu entrado no sistema há muito pouco tempo, com a ideia de viajar mais, entender pessoas de outros países e outras culturas, mesmo sem precisar de sair de casa. Vivia em casa dos meus pais, por isso queria garantir que tinha uma rede de pessoas de cá do Porto para me ajudar, caso alguma coisa corresse mal. Foi o primeiro jantar que decidi ir do género, isto porque sempre achei que essas reuniões estavam destinadas às pessoas que não conseguiam ter amigos e que precisavam de ter pessoas de fora por perto para se sentirem aceites.

Não podia estar mais errada. Encontrei um grupo imensamente coeso, cheio de pessoas das mais interessantes que conheço, tanto cá em Portugal, como fora. [e inclusive dois deles foram padrinhos do nosso casamento] Aprendi muito mais do que aquilo que pensava no início, principalmente a valorizar mais o que é português, todos os defeitos que temos e que aqueles que julgamos ter, mas também a enormidade de valências que nos fazem ter (muito) orgulho deste país à beira mar plantado.



(Escócia, 2010)

Mas voltando ao assunto. Entrei no restaurante um bocado a medo e com a cabeça cheia de preconceitos, mas o coração ia carregado de expectativas. E, no meio daquelas pessoas todas, estava o Pedro, que ficou à minha frente no jantar, mas que também me inspirou muito a perder todos os medos. Podia dizer-vos que esta bela história de amor começou connosco a falarmos imenso, com uma paixão à primeira vista e que não cabia no peito, mas a verdade é muito mais bonita. A verdade é que o Pedro tem mais 11 anos do que eu e isso me assustou inicialmente. A verdade é que o meu coração é tão teimoso que não queria acreditar que eu estava a ser tão estúpida que não deixava que o nosso sentimento evoluísse, por puro preconceito. A verdade é que o nosso amor é uma luta bem lutada, uma batalha que ganhamos todos os dias.

Demorámos apenas dois meses para nos apercebermos que podíamos ser felizes para sempre se estivéssemos juntos. Apenas dois meses que me pareceram longos demais, porque coração apaixonado é um coração aflito, desejoso para viver coisas que destinámos ao capítulo dos suspiros e que achamos que não podem existir. Mas podem.

(Turquia, 2012)

Durante meses decidimos também esconder aquilo que sentíamos um pelo outro e que estávamos a viver em conjunto, porque achávamos que só a nós nos dizia respeito. Tinha receio do que as pessoas podiam pensar, principalmente os nossos pais. Sabia que, assim que dissesse aos meus pais que estava a namorar com alguém 11 anos mais velho, isso seria real para mim também. E lembro-me perfeitamente da frase que o meu pai (pai hiper mega babado de filha única) me disse quando soube que namorava com o Pedro:

- Filha, a única coisa que quero é que sejas feliz.

A partir daí, tudo foi mais fácil. Seguimos todas as leis normais, namorámos muito, passeámos ainda mais. No início do namoro, ainda fizemos algumas viagens separados, mas depois fizemos uma lista de sítios que queríamos visitar em conjunto e decidimos segui-la.


(Góis, 2009)

Comprámos coisas em conjunto, arriscando no para-sempre. Fomos buscar amigos antigos, crescemos com amigos a dois, nunca nos esquecendo de sermos mais do que um simples casal, com vidas em conjunto e vidas fora do conjunto. Fizemos planos para o futuro, passo a passo. E os dias eram cada vez mais passados com o meu Pedro, até ao último segundo.

[Uma nota importante e nada romântica: eu saí de casa quando os meus pais necessitavam de fazer obras e de alugar uma casa durante uns meses. Era mais barato, mais simples e juntou-se o útil ao agradável. Já vai fazer 4 anos em Agosto e somos todos muito felizes!]



(Disneyland, Paris, 2013)

Um ano depois de estarmos a viver juntos, decidimo-nos casar. Para o Pedro seria apenas no papel, mas eu sabia que para os meus pais seria importante se fosse na igreja, por isso fui até ao fim, com tudo incluído. Casámos na igreja que os meus pais se casaram, com missa celebrada pelo mesmo padre que os casou. Casámos só pela festa (e pelas férias), para podermos partilhar com os nossos amigos e família as coisas boas e a alegria de termos escolhido estar com alguém, não o-resto-da-vida, mas até-quando-quisermos-mesmo-muito. E, se isso incluir o resto da vida é muito bom, mas, se não for, vai ser triste. Mas pelo menos celebrámos os momentos felizes.



(Malásia - lua de mel, 2012)

Hoje faz 2 anos que nos casámos, mas faz também 5 anos que nos conhecemos. Cá em casa celebramos tudo, mesmo que seja só entre nós e em segredo. Gostamos de comemorar todos os detalhes, especialmente o facto de estarmos juntos, de nos escolhermos todos os tias, porque é assim que entendemos o amor verdadeiro, uma construção permanente, com festejos eternos.

É assim que entendo o amor: uma composição duma estrutura de quereres, de um encadeamento de escolhas. Prefiro ser realista do que romântica. Porque os amigos, esses sim, são para sempre. E eu sinto que o meu Pedro é um amigo desses. Por isso vamos lá festejar.

(fotografia e edição: Fred Gomes)

15 comentários:

  1. Parabéns! História linda sim!!! Gosto muito de voces! Sejam sempre felizes!

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  2. tão bonito :) parabéns e que esse amor continue durante muitos, muitos anos :) *<3

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  3. Uma linda história de amor. Um casal maravilhoso. Uma vida inteira pela frente caminhando lado a lado! Adoro histórias de amor, e adoro pessoas felizes! Que tudo, mesmo tudo, continue assim. Merecem :)

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  4. Adorei a história, o realismo, sem serem tudo rosas, mas no fundo sendo ainda mais perfeita por isso :) que este sentimento que vos une dure para sempre, mesmo! :)

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  5. Antes, sequer de se ler uma história de amor, a vossa história de amor, a Raquel conta-a pelas imagens. A celebração do amor. A celebração de uma vivência a dois acontece a cada fotografia. Depois as palavras, que corroboram e compõe o enlace. Parabéns aos dois. Felicidades. E muitas mais celebrações. Ainda bem que esta história em construção carrega mel. Senão, não era de amor :)

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  6. Meu Deus, gostei tanto do que li. DE resto, esse teu sorriso apenas denuncia que és uma mulher feliz. Já adivinhara o amor nessa pele, agora constatei-o. Parabéns. Bonito texto, MESMO

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  7. Raquel, tão bonita a vossa história. Obrigada por a partilhares.
    Relativamente à diferença de idades, está tudo na cabeça. Os meus avós tinham 20 anos de diferença, os meus pais têm 10, eu costumo dizer que vou ter cinco! :)
    Adoro o CouchSurfing! E adoro os encontros que se proporcionam com essa desculpa. São espaços onde as pessoas já vão disponíveis para a partilha, sabe tão bem conhecer o mundo através dos outros.
    Tu conheceste um mundo ainda maior por descobrir e sempre a crescer, um dia hei-de viajar por esse mundo chamado amor.
    Beijinhos para os dois!

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  8. Adorei a vossa história, que seja mesmo para sempre

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  9. Bonita história Raquel! Parabéns e muitas felicidades!*

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  10. Que linda história! Muitas felicidades, para os dois!

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  11. "(...) nunca nos esquecendo de sermos mais do que um simples casal, com vidas em conjunto e vidas fora do conjunto."

    Tão importante. Adorei e sejam felizes :)

    Beijinho

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  12. Como disse já num outro comentário, só agora aqui cheguei mas estou a adorar :)
    Muitos parabéns e muitas felicidades.

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