10/03/2014

Obrigada

Há dias que começam mal e há outros assim-assim.

Há dias que começam a cheirar pessimamente e acabam da mesma maneira, a ser horríveis como só eles. Há dias que não iniciam assim tão mal, mas que se finalizam quando nos tiram o chão de debaixo dos pés. Há dias que arrancam o coração em carne viva, fazem um tapete dos sonhos e pisam-no com todas as forças. Há dias que custam a respirar, porque são aflitivos e angustiados. Há dias em que perdemos a esperança que o dia seguinte seja melhor, mas não dizemos a ninguém, porque temos medo que as palavras concretizem o que sentimos e que subitamente a verdade seja feia e dolorosa.

E depois há dias em que corre tudo bem, tudo impecavelmente bem. Há dias em que o sol é mais brilhante, o verde é mais verde e os cheiros são os nossos. Há dias em que parece que somos só parvos quando acreditamos que não vai correr bem, em que as coisas más são tão pequenas e tão distantes que só podem fazer parte da nossa imaginação. Há dias em que os abraços são mais apertados, mesmo quando são só virtuais e imaginados na nossa cabeça. Há dias em que as lágrimas que nos correm pela cara são de alegria total, de reconhecimento por aquilo que andamos há que dias a investir e que, finalmente, tem algo em troca. Há dias em que não importa o que de mal aconteça, porque não há nada mais feliz do que aquilo que sentimos. Há dias tão bons que apagam todos os outros com um passe de mágica.

Pela oportunidade de viver estes dias: obrigada.

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