06/03/2014

Terapias Expressivas: Complexo de Cinderela

No início dos anos 80, Collete Dowling, uma psicóloga dos Estados Unidos, sugeriu o aparecimento de uma nova condição humana: o Complexo de Cinderela, um sistema de desejos reprimidos, memórias e atitudes com origem na infância, em que a menina/mulher terá sempre alguém que a proteja e sustente.

Independente da idade que tem, ela busca continuamente um "príncipe perfeito", uma vida sem esforço nem perigos. Desta forma, estas mulheres revelam insegurança, medos e dúvidas em vários níveis da vida, subestimam-se, sabotam os seus meios e menosprezam aquilo que carregam. De certa maneira, esperam ou abdicam de desenvolver as suas capacidades, até ao momento que o conhecem o dito "príncipe encantado", existindo um sentimento de inconformismo e incompetência inerente em tudo o que fazem.

Ao mesmo tempo, quando encontram alguém são extremamente dependentes e elevam as suas expectativas ao máximo, pois esperam que o "príncipe" seja tão encantado que é capaz de lhe dar o Mundo e lhes faça todas as vontades. Isto leva a constantes decepções por parte destas mulheres e "asfixia emocional" dos homens que se atravessam nos seus caminhos, pois, por mais que as tentem agradar ou a valorize, nada é suficiente, nada chega.

A origem para esta condição centra-se na educação, na cultura e nas sociedades tipicamente ocidentais, em que o papel da mulher era ficar em casa e tratar do marido e dos filhos. O facto de trabalhar fora de casa, assim como os estudos e o conhecimento eram exclusivos dos homens, e as mulheres eram educadas para serem "princesas". Todavia, a sociedade está diferente, as mulheres têm acesso à educação e a tudo aquilo que lutaram. Ainda assim, muitas delas ainda se recusam por quererem o "casamento de sonho", aquilo que sempre desejaram para si.


Este complexo, assim, implica algumas particularidades para estas mulheres:
- Baixa tolerância à frustração;
- Escassa competência para resolução de problemas;
- Educação para a independência/autonomia praticamente inexistente;
- Fácil desistência de algo que não tenha a ver com o "casamento" e/ou "príncipe";
- Não vão à luta, acomodam-se.

Para combater esta ideia, exige-se a mudança de mentalidades e o cuidado nas crenças que transmitimos aos mais pequenos, principalmente daqueles que estão ao comando da educação, sejam eles pais, avós, tios, professores, educadores ou pessoas que estejam nestes cargos. É preciso ensinar às crianças que não existem pessoas perfeitas, empregos ideais, amigos sem defeitos, dias sem nada a apontar, para que as contínuas desilusões sejam quebradas. É importante motivar para que sejam sempre os melhores, mas que isso também inclui os momentos menos bons, pois eles nos ajudam a crescer e a vencer.

4 comentários:

  1. Não sabia que este complexo existia, nem que tinha este nome. Mas a verdade é que conheço muitas pessoas que sofrem dele e realmente é triste quando as pessoas não percebem que o problema não está nos outros, mas na maneira como elas próprias os percepcionam. A ver se as 'cinderelas' se tornam em mulheres 'reais' um dia destes :) *

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  2. Eu também não conhecia até há um tempo atrás, quando fiz a pesquisa. Estamos sempre a aprender! (e a desejar que as "Cinderelas" se mudem) :)

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  3. As coisas que eu aprendo contigo! Muito giro!

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  4. Que interessante :) Conheço muita mulher que padece deste mal. Eu chamo-lhe mal porque tudo o que meta conformismo ou comodismo ao barulho amedronta-me um bocado.

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