14/05/2014

Companhias ilimitadas, amores incondicionais

(Turquia, 2012)

Há duas coisas que me fazem suspirar quando fotografo: paisagens a perder de vista e animais. Se, por um lado, tenho vontade de acondicionar as paisagens nas lembranças, para voltar a elas quando quiser, por outro, os animais falam-me ao coração.

Na minha bagagem das memórias, guardo muitas histórias com animais, da comunicação que tivemos, mesmo sem palavras. De quando montava a cavalo e tinha a minha égua favorita, a Mel da mesma cor que o nome, que me fazia companhia nas manhãs de sábado. Do Big, o cão do meu vizinho de cima da época em que ainda vivia na casa dos meus pais, e que eu ia passear ao final de todas as tardes, para desabafar sobre assuntos adolescentes. Do pássaro que me fez companhia em Sintra, num dos primeiros fins-de-semana com o meu Pedro, que adorava falar e meter-se connosco.


(Malásia, 2012)

Do elefante que conheci na Tailândia e das narrativas que me contou com o seu olhar doce e intenso. Da estufa de borboletas da Malásia, que inebriavam os sentidos. Ou do jardim dos macacos em Penang e de como eles atacavam os turistas que tinham comida (mas eram giros e muito expressivos!). De todos os gatos que conheci na Turquia, que eram mais-que-muitos e que viviam em harmonia em todos os sítios que visitámos. Das vacas-dos-cabelos-compridos que encontrei na Escócia (que tenho a certeza que eram mágicas) e de como chorei quando perdi todas as fotografias que tirei delas.

Podia perder-me a contar-vos todas as minhas lembranças, que são mesmo muitas. Para mim, não interessa a raça que os animais são, mas aquilo que me transmitem. Assim, fotografo-os sempre que posso e acho mesmo que tenho um jeito natural para o fazer. Gosto das posturas inusitadas, dos momentos maravilhosos e das expressões que me fazem que, mesmo sem falarem por palavras, dizem tudo. Gosto do carinho e das histórias que me descrevem apenas com um olhar.

(Lisboa, 2013)

Acima de tudo, valorizo aquilo que me ensinam, o respeito, a entrega e o amor incondicional. Não existem momentos em que a minha Badu não goste de mim, exactamente como eu sou, pois ela não sabe ser assim. Não me julga, não me condena, é a melhor ouvinte que já conheci, sabe quando preciso de carinho e sabe o que fazer para me ajudar. É, de verdade, a minha melhor amiga, a minha companheira ilimitada.

Sou da opinião que os animais reflectem os seus donos, que são uma cópia daquilo que vêm. Por isso e à semelhança do que acontece com a minha Badu, achei que devia dedicar-lhes aqui um espaço, um género de "Remédios Caseiros versão Animal" com fotografias e textos, em que os donos-pais contam a história que existe por detrás de cada um, da relação que têm, dos nomes que escolheram, das manhas e manias, das particularidades que tornam cada animal uma narrativa especial de se conhecer.

(a minha Badu, 2013)

Será, sem dúvida, uma aprendizagem. Quero desafiar-me e inovar, dedicar-me à fotografia que tem vindo a fazer tanto sentido para mim e que me conta tanto sem falar, assim como os animais que mais gosto. "Macacos no Sótão" é mais uma etapa, esta que começa amanhã, cheia de aventuras a desvendar.

P.S. Os Remédios não deixam de existir, não se preocupem! Aqui há espaço para tudo :)

6 comentários:

  1. Partilho dessa paixão pelos animais. São fascinantes! Sempre tive casa cheia de gatos, cães, pássaros e a harmonia era geral :)
    Venham os "Macacos no Sotão"! ;)

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  2. Fiz equitação durante mais de 10 anos, e como tal tenho a maior ligação aos cavalos. No entanto confesso que é o único animal que tenho tamanha ligação.
    Mas achei lindas as tuas palavras :)

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  3. A Badu tem um olhar tão terno, meigo e carinhoso, deve ser um ser feliz ^__^
    Tal como tu adoro fotos à natureza, tanto flora como fauna, sinto-me sempre tão inspirada, especialmente com cascatas, lagos, mar... qualquer coisa que entre água já estou de maquina na mão.
    Adquiri (finalmente!!) a minha camera Holga hoje, estou doida para começar a fotografar analogico nas montanhas e arco-iris.

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  4. Obrigada pelos comentários, queridas! E venha de lá um novo desafio ;)

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  5. Felicito-te pela ideia que é extraordinária. Fico bastante curioso como que vem daí. Da forma como vais embrulhar algo tão especial.
    Habituei-me, desde cedo, a conviver e respeitar os animais. Depois, a minha irmã mais nova é uma acesa defensora e apaixonada por eles.
    Fico à espera do que vem desse sótão :)

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