01/07/2014

Macacos no Sótão: o Virgílio

Quem não gosta de gatos é porque ainda não conheceu o Virgílio, o gato da minha Mariana. É jeitoso, meigo, é simpático, adora companhia e é dos gatos mais giros que já vi.

O Virgílio, Virgi ou Vivi para os amigos, apareceu em Dezembro de 2012, depois de muito procurar pela companhia perfeita para ela. Ganhou esse gosto e desejo de ter um companheiro felino, pela história que criou antes com um gato chamado Didji, o gato que vivia na casa de Leiria. Ela chegou a querer trazê-lo para o Porto, mas antes disso acontecer percebeu que era melhor não o fazer, já que em 14 anos nunca tinha saído daquela casa e o seu pai havia-se afeiçoado à sua presença, mesmo se o negasse e evitasse a todo o custo.

Numa observação atenta, conseguiu ver o pai a dar-se ao trabalho de seguir os desejos solares do gato Didji, a pô-lo de manhã numa varanda com sol e, durante a tarde, a mudá-lo para outra varanda do lado oposto, igualmente solarenga. Foi nessa altura que a Mariana entendeu que, se o decidisse trazer para o Porto, iria quebrar pelo menos um coração, por isso deixou-o ficar no seu melhor, a gozar os seus últimos tempos.


Depois do gato Didji partir, o coração da Mariana compreendeu que ela precisava de uma companhia e assim se apressou a procurá-la. Percebeu imediatamente na espantosa e enorme quantidade de gatos para adoptar na Internet, em sites de busca e até nas redes sociais, por isso deu-se ao luxo de escolher quem queria. O Vivi era o único macho cor-de-laranja de uma ninhada cheia de fêmeas e o seu olhar sorriu-lhe e falou com ela. Foi uma forma tão especial de comunicar que deu por si a ir buscá-lo ao parque de estacionamento do Estádio do Dragão, com 2 meses, a miar muito e carregado de pulgas. Mas foi amor à primeira vista.



Durante o primeiro ano, o Vivi era tão bravio que não a deixava dormir. A Mariana acordava todos os dias às 5h da manhã, completamente estremunhada e só porque ele queria actividade, queria brincar. Depois apanhou um susto quando lhe disseram:

"Olha que os gatos cor-de-laranja são malucos!"

E logo concluiu que até podia ser verdade, pois o seu Didji não era assim. Era um gato calmo, tranquilo, independente, sempre preocupado com a sua vida.


Um ano depois, o Virgílio começou a acalmar. Já dorme com ela e com os mesmos horários, apesar de, como todos os gatos, dormir bastante mais tempo. Para a Mariana, é a sua maior companhia, principalmente durante o ano passado, o horrível e penoso ano de 2013, o pior da sua história, em que o Vivi se tornou fundamental.

Para além disso, a Mariana gosta de estar e trabalhar em casa e, por isso, o Vivi é essencial. Anda sempre por perto, até quando ela está doente e de cama, em que vai para o lado dela e fica atento aos seus movimentos. Defende-a sempre e é o melhor dos ouvintes para aquilo que ela gosta de contar, especialmente quando ela precisa de desabafar com alguém. Aliás, foi a primeira vez que nos conhecemos pessoalmente, mas ele já sabia tudo sobre mim.



O Virgílio gosta de passear e adora fugir, por isso é que ela teve de arranjar uma medalha para ele ter ao pescoço, que tem o seu nome e o número de telefone. Além disso, teve de se habituar a muitas outras coisas, como não ter flores em casa (ele adora devorá-las), não ter portas abertas (senão ele evapora-se), não deixar o rolo de papel higiénico acessível ao gato (ou, quando chegar a casa, terá direito a um espectáculo abstracto do Cirque du Soleil), não esquecer comida num local onde ele possa chegar (ou poderá tornar-se um Gremlin assustador).

Com o tempo e muitos risos, a Mariana entendeu que a vida dela lhe pertence, já que o gato Virgílio quer beber do mesmo copo em que ela bebeu água e qualquer comida que não lhe ofereça é uma ofensa directa. Não era suposto ela ser tão horrível.



Acima de tudo, a Mariana teve de adoptar uma rotina, mas que a deixa de coração cheio, pois tem a certeza que não há melhor amigo do que o Vivi. Deita-se ao lado dela a ronronar e a pedir festas, mesmo antes de dormir no seu lugar preferido. Tem de estar perto dela e adora os seus carinhos. Ouve-a com atenção e até entende quem se dirige a ele, pois mia quando falam com ele.

Conheçam, então, o companheiro mais fiel da minha amiga Mariana. É duma meiguice tal, que é capaz de conquistar qualquer coração. É simpático e é um doce, além de ser um gatão tão giro que posso garantir que já soltaram uns suspiros desse lado. Eu não disse que ele ia convencer-vos?

8 comentários:

  1. Oh, que história tão bonita, a da relação do Virgílio e da Mariana! Ainda soltei uma gargalhada com as manias do Virgílio ! :D
    Um gato muito lindo e especial, sem dúvida (ah, e super fotogénico)!

    Raquel, o que tu escreves tem sempre pózinhos de perlimpimpim; encanta! <3

    Beijinhos <3

    -vou aproveitar a ideia da chapinha; a minha Nina também gosta de dar os passeios dela . :)

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  2. Ana: quando for a Faro deixas-me fotografar a tua Nina? :)

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  3. Virgílio, Virgi, Vivi... nem consigo escolher o nome de que gosto mais <3

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  4. Até dá vontade de adoptar mais um! :)

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  5. ^^ Amo gatos laranjas! um dia ainda arranjo um. a minha é meio cinza mas com lindos olhos azuis! chama Sami.

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  6. Margarida, este gato é mesmo uma delícia, até no nome ihih
    Xica Maria, bora lá! ;)
    Aline, essa gata deve ser um espanto de linda! :)

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  7. É a prova irrefutável de que os animais são, de facto, o melhor. A melhor e tão sincera companhia. Descobrem-nos em cada gesto e entendem de forma fiel. Aqui, a vida de dois sortudos. A Mariana por se permitir recebê-lo e dedicar-se a ele, o Virgílio por ter amor e dedicação.
    Tão pertinente. Numa altura em que, bem sabemos, tantos assumem a ausência de laços com os animais, deixando-os à sua sorte, numa qualquer estrada ou ponte.

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