31/07/2014

[UK Tour] Até Portsmouth

(Catedral de Salisbury, Abril 2014)

Vou cometer uma atrocidade com o que vou escrever, mas é a absoluta verdade: preciso de viajar novamente. Eu sei, eu sei, estive fora de Portugal há apenas 3 meses, mas agora que olho para estes instantes e que penso no quanto aproveitei cada momento, cada lugar como se fosse o último, e numa altura em que só a lembrança das fotografias da praia que cada um de vocês mostra, me deixa a suspirar (e a querer matar-vos espiritualmente só um bocadinho), só me dá vontade de ir de novo, sem planear nada e a deixar-me levar ao sabor do vento.

Não posso, que as próximas férias são só em Setembro e são pelo sul de Portugal. Também é verdade que não me posso queixar, que a vida é lenta, mas muito boa e o facto de contar com os amigos para ter umas férias decentes em Setembro só ajuda. Ando a planear uma boa viagem para mais longe no próximo ano e sei que tenho de apertar o cinto até lá, mas, se eu mandasse, ia já no próximo voo para um sítio bonito só para tirar fotografias e sentir o tempo a passar sem nenhuma pressa. As viagens são a minha terapia e ando a ressacar de tal maneira que passo horas (literalmente horas) a ver voos baratos, casas no Airbnb e coisas a ver nas cidades que queria visitar, para chegar ao fim do dia com uma mínima vontade de acabar o que prometi que faria. E uma rapariga pode sonhar, nem que seja só isso.

Voltando à Inglaterra que ainda não acabei de mostrar (talvez por pura sabotagem de não querer voltar a ver os sítios por onde andei a viajar da última vez), hoje levo-vos num roteiro de Devizes, onde ficámos a dormir, a Portsmouth, a paragem seguinte. Por sugestão da nossa host, que tinha uma casa que parecia de bonecas, tão bonita que nos fazia suspirar também, fomos até Caen Hill Locks, que ficava apenas a um pequeno desvio de distância do nosso caminho original. Este é um sítio onde existem pequenos "elevadores de água", ou comportas de diques que, através de um mecanismo de suporte, conseguem levantar ou descer os barcos que por eles passam. Não estava com grande vontade de ir e de repetir o que já havia visto em grande na Escócia, mas com um maridão ligado ao mar/água como ele é, não podia negar. E assim fomos.



A manhã estava chuvosa e sombria, mas sabíamos que tínhamos de parar em Salisbury. Na verdade, as nossas atenções estavam focadas na catedral de Salisbury, uma das mais conhecidas das terras inglesas pela sua beleza e imponência, mas também por ser palco de inspirações bastante conhecidas, como os filmes do Harry Potter. Mal cruzámos o claustro, os suspiros foram tomando conta da falta de paciência para o mau tempo e, lentamente, embrenhámos todos os sentidos naquilo que havia de se tornar um marco da nossa viagem. 







A minha imaginação corria tanto que quase que podia ver as personagens do filme naqueles corredores, quase que lhes podia tocar. Era mesmo o que precisávamos naquele dia, viajar com a nossa mente e sentir a magia no ar. E, quando entrámos na igreja, encontrámos um lugar que inspirava verdadeiramente à magia. Fiquei até em amena cavaqueira com um padre que caminhava por lá, a contar a história por detrás da igreja e que era o típico inglês, um verdadeiro cavalheiro e uma simpatia. Mas confesso, o que me chamou mais a atenção foi mesmo a pia central, com dizeres de arrepiar.




Depois do almoço, seguimos rumo a Portsmouth. O tempo estava cada vez mais cinzento e pesado e, quando chegámos àquela cidade ao lado do mar, até tínhamos medo de sair do carro. Parámos na primeira praia que vimos apenas para esticar as pernas depois da viagem longa até lá.





Mais à frente, encontrámos uma feira popular e, num impulso, parámos antes de percebermos que estava encerrada. Foi a altura em que começou a chover a sério, mas ainda deu para umas fotografias deliciosas e inspiradoras.


Em seguida, como tínhamos de fazer horas até à nossa host chegar a casa, quisemos ir ver o paredão conhecido da cidade, assim como os barcos que a marina albergava. A parte antiga e a única que valia verdadeiramente a pena era de acesso inacreditavelmente caro (queriam cobrar couro e cabelo para ver uns barquitos), por isso armámo-nos em turistas e decidimos ir dar uma volta numa superfície comercial indicada no mapa, mesmo ao lado da água (sim, fomos ao shopping). Era um espaço aberto, ao ar livre, e percebemos logo que tinha lojas com marcas grandes a preços bem pequenos, por isso a ida que seria apenas de passeio rapidamente se tornou consumista. 





O final do dia mais bipolar das nossas férias só podia ter sido com uma volta gigante à cidade mais confusa de sempre. Não sei se as ruas eram todas iguais, os sinais não existiam ou nossos olhos não estavam atentos, mas o facto é que andámos perdidos mais de uma hora por ruas infinitas que nos pareciam labirintos intermináveis, vórtices para outros mundos. Desta forma, quando finalmente chegámos a casa da nossa host, só desejávamos uma cama limpa e confortável. Depois de uma conversa rápida e de saber que ela adorava Portugal, assim se acabou mais um dia que, apesar de bipolar, foi lindo. 

Agora a sério: posso voltar? 

8 comentários:

  1. Que fotografias mais fantásticas raquel :)

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  2. Como eu te percebo. Estou mesmo mesmo mesmo a precisar de viajar! E também tive em Paris em Abril.. Aiiie esta espera!

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  3. eu acho que deviamos ir percorrer Inglaterra de uma ponta à outra nós as duas! era tão lindo! amei as fotografias, como sempre <3 dá mesmo vontade de viajar!

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  4. Maria: obrigada! São fotografias que me fazem mesmo viajar de novo... :)

    Ana: só espero aguentar o longo mês de Agosto sem deprimir totalmente!

    Joana: challenge accepted! :) (e ainda estou à espera dum tempo livre para irmos passar um fim-de-semana só nós!)

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  5. Compreendo te perfeitamente. Sempre que viajo por meses fico cheia de saudades de Portugal mas depois estou cá uma semana e já o bichinho das viagens roi ca dentro :)

    As tuas fotografias estão maravilhosas como sempre! Queres partilhar qual e a camara que utilizas? E depois utilizas photoshop ou similares? Eu sugiro (se ainda não o fizeste) que faças um post sobre as tuas dicas de fotografia, adorava saber mais detalhes!

    Ah! Se precisares de alguma info em relação ao Algarve apita! Setembro é sem duvida uma otima escolha.

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  6. Olá Marta! :)

    Não acho muito oportuno dar dicas de fotografia num post, até porque aquelas que mais segui são as do We Blog You, em que o Fred, que também é fotógrafo e ensina bastante bem, é meu amigo. Acho que a sensibilidade vai mudando conforme fores treinando e isso é que te faz crescer :) Por isso não interessa muito a câmara que eu utilizo ou seja o que for, o que importa é mesmo a perspectiva que muda sempre que tiras uma fotografia nova.

    De qualquer maneira, eu uso a Canon 550D e, na maior parte das vezes, a objectiva pancake, ou seja, a 40mm 2.8, que é a mais versátil naquilo que gosto de fazer. Uso também Lightroom e Photoshop em todas as minhas fotografias, pelo menos antes delas saírem para o conhecimento geral, a não ser que sejam do telemóvel :)

    Quanto a Setembro, obrigada pela disponibilidade! Nós vamos para o Alentejo com uns amigos e é algo que fazemos todos os anos, por isso já conhecemos bem a zona, mas se formos até ao Algarve eu aviso :)

    Um beijinho e obrigada!

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  7. Ai Raquel, que curiosa estou! Vou já amanhã :)

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