28/08/2014

Remédios Caseiros: Joana Afonso e Leone Niel

Há pessoas que entram na nossa vida de repente e logo percebemos que são para ficar. Não é fácil encontrarmos pessoas assim, que invadem o nosso coração de rompante e que, depois de um tempo, reparamos que sempre fizeram parte dele. É o caso da Joana e do Leone, os meus doces amigos.

Já nos conhecíamos há algum tempo nas redes sociais e através dos blogs, mas cometeram a loucura de nos vir ver no primeiro concerto de Oh Honey, mesmo no início deste ano. São de Oeiras e fizeram uma viagem imensa para nos conhecermos pessoalmente e, logo na primeira noite, não queria despedir-me deles. Ficámos horas a conversar da vida, a explorar cada detalhe que nos unia e imediatamente começámos a fazer planos em conjunto. E só no dia seguinte entendi os anos que nos separavam, mas que nunca se fizeram ver na nossa relação e, assim, facilmente percebi que iriam ficar por perto.

A Joana tem 23 anos e o Leone tem 24, o que faz uma diferença de 8 e 7 anos de mim, respectivamente. Não são só os primeiros a serem entrevistados em casal para esta rubrica, mas são também os mais novos, algo que apenas me surpreendeu pela positiva, por saber não há nada que nos separe. Neste momento, a Joana é designer na A&L - Criatividade e Comunicação, a empresa da família, e o Leone está a estagiar na Ministério dos Filmes como assistente de realização em pré-produção, mas, depois das obrigações, juntam-se no blog We are Love Addicts, num sítio onde reflectem aquilo que vai nos seus sonhos.

Revejo-me muito na Joana e no caminho que ela traçou. Na adolescência, eram as Letras que a fascinavam, a escrita, a leitura e o conhecimento de outras linguagens. Escrevia muito e desenhava ainda mais. O pai incentivava-a a fazer isso, a crescer nos seus desenhos e, uma vez no secundário, decidiu perseguir essa sua vertente e foi para Artes. Mais tarde, tirou o curso de Design na Faculdade de Arquitectura de Lisboa e viveu todas as inconstantes, os altos e baixos que esse lugar a fez sentir. O curso não era muito geral como parecia inicialmente, era muito prático e obrigou-a a deixar de escrever. Era uma licenciatura mais virada para o Design de Produto, até ao momento em que pensou desistir e seguir o Design de Moda que tanto gostava.

No entanto, depois de uma conversa que teve com o pai, enquanto a levava à faculdade, percebeu que só estava a dar os passos que queria, com a vontade de decidir o que a motivasse e que tinha a opção de mudar o seu destino se assim desejasse. Por isso mesmo, por entender que a escolha era sua, decidiu ir até ao fim. Apaixonou-se pelo desenho, mais propriamente pela área do Design Gráfico, da criação de marcas, na comunicação visual de conceitos, no relacionamento entre as imagens e os textos, no acompanhamento gráfico das pessoas e empresas. Assim começou a ser a condutora criativa daquilo que desenhava.

Depois, mal saiu do curso, começou a trabalhar na A&L com a família, a empresa que lhe acompanhou os passos, pois tem apenas mais um ano que ela mesma. Entrou num Mestrado, queria aprender mais sobre programação na sua área, mas não gostou pelo excesso de teoria e pela falta de prática, aquilo que necessitava. Percebeu que não era a altura ideal, que não precisava e, 3 meses depois, desistiu e deixou-se ficar. Ainda que não seja fácil trabalhar com a família, pois os feitos são tão parecidos que, por vezes, são capazes de chocar e diferir, actualmente faz o que gosta, ajuda no crescimento de algo que viu crescer, luta por ideias que não quer que acabem, que acredita com todas as suas forças. É fácil, é o caminho do seu coração.

À semelhança da Joana, o Leone também é o filho mais velho. O pai francês e a mãe moçambicana encontraram-se em Portugal, era possível escolherem um nome esquisito para o primeiro filho e assim o fizeram. Desde cedo conviveu com o cinema e a pintura na sua vida, com um pai realizador e a mãe pintora, na imaginação em cada detalhe. Cresceu a ir para as filmagens e a criar-se nas cores, entre estes dois mundos altamente artísticos e queria fazer algo neste meio.

Com 6 anos, participou no primeiro videoclip dos Da Weasel, ainda eram eles uma banda de cantava em inglês e um rap hardcore, mas não se ficou por aí. Enquanto criança, vivia constantemente no mundo da criatividade cinematográfica, inventava os seus personagens, ditava as suas vidas. Desejou ser palhaço, a arte inacreditável de fazer rir mesmo quando se chora por dentro, uma das profissões que ainda acredita ser das mais incríveis de sempre. No secundário, foi para Ciências, pois acreditava que lhe ia abrir mais possibilidades, mas andava permanentemente distraído e a desenhar, por isso decidiu voltar atrás um ano e percorrer aquilo que lhe era mais natural: Artes. Foi nesse momento que conheceu a Joana e foi na escola secundária que criou as suas oportunidades, que soube viver no seu momento e escrever o seu lugar no Mundo.

Anos depois, ingressou na licenciatura em Cinema, com especialização em Imagem, na Escola Superior de Teatro e Cinema, o antigo Conservatório, um sítio onde se formam autores, com o legado, o peso sublime e a herança excepcional que lhes atribui. Com a ideia de que iria aprender a técnica que precisava, entrou naquela escola com a mesma ideia da maior parte das pessoas: queria ser realizador. Contudo, percebeu imediatamente que não iria ser ali que aprendia a prática e que, quando saísse, tinha de ir trabalhar para um lugar onde a parte metódica e procedimental fosse privilegiada.

Entendeu que o Cinema faz pouco, que o conceito é que é importante, que o material não importa, que a luz pode ser pouca e que há coisas que ficam de parte. Uma vez em Portugal, a Publicidade é que lhe poderia dar aquilo que necessitava, onde usam muito dinheiro, muitos meios técnicos e muita produção. Porém, quando saiu do curso viveu uma altura difícil, onde, durante um ano, "fazia coisas" como freelancer, operador de câmara, assistente de imagem e edição, entre outros. Hoje, vê-se como estagiário na produtora de publicidade Ministério dos Filmes e está a aprender aquilo que lhe falta para chegar onde quer.

Também durante o curso, inebriou-se pela imagem, pelas câmaras, a iluminação, o enquadramento, a composição e as cores. Na fotografia, aprendeu algumas coisas que o fascinaram imediatamente e, se pudesse escolher imediatamente, um dia gostava de ser Director de Fotografia, conjugar a realização com a técnica, transformar a visão do realizador e concretizá-la, fundamentar o sonho com o efectivo.

Foi a fotografia que deu o mote para o blog que têm em conjunto. O blog apareceu quando o Leone começou com as suas experiências na cadeira de fotografia na faculdade, onde a Joana era a cobaia. Assim suscitou o "bichinho" que andava adormecido, mesmo que a Joana tivesse máquina fotográfica desde os 12 anos e capturasse tudo o que via. Através do We are Love Addicts e com o tempo, criaram um portfólio daquilo que fazem, que é sempre actualizado, mas também o quotidiano de cada um, aquilo que os rodeia, aquilo que gostam, as viagens, os inúmeros concertos (são verdadeiramente viciados em música), as comidas, as pessoas. E, assim, o blog é a janela para o que realmente mora nos corações deles.

Como inspirações referidas, os dois são unânimes. Declaram que têm a sorte de viverem com as pessoas que admiram e que os inspiram a crescer, a fazer sempre mais e melhor. Vêem muitos blogs, enchem-se de cultura visual, gostam de sítios novos, de passeios bonitos e respiram todos os pormenores, que incorporam naquilo que fazem. Rodeiam-se daquilo que querem que os rodeie, uma escolha consciente e que tem impacto naquilo que vivem e mostram.

Ainda que sejam completamente diferentes, cada um é especial à sua maneira e não os consigo imaginar um sem o outro. A Joana é ligada à sua família e trá-la para onde quer que esteja, pois fundamenta aquilo que é. Não se dá à primeira, nem se apaixona perdidamente pelas pessoas, mas carrega uma das naturezas mais doces que conheço. É sincera, é honesta, é genuína. O seu sorriso mostra o carinho que ela é capaz de transmitir. Quanto ao Leone, ele espelha essa mesma genuinidade que o acompanha. Na vida, teve momentos algo difíceis em que o ambiente familiar não era o mais saudável, mas dedicou-se ao estudo e ao seu amor por aqueles que o rodeavam. Assim se fundou, na partilha, na autenticidade que pratica, na verdade que reside na sua alma. E juntos, têm um dos amores mais bonitos que já vi. É isso que acontece quando duas pessoas únicas e notáveis se juntam. Escreve-se magia.

No futuro, a Joana pensa que, mesmo que não se imagine a deixar o Design Gráfico, pois é algo que adora fazer, gostava muito de experimentar outras coisas e dedicar-se à fotografia que aprendeu a amar. Quer aprender, arriscar nos seus sonhos e ser muito feliz. Sente que ainda lhe falta a tranquilidade pessoal de viver por si mesma, sair de casa dos pais e aprender a caminhar sozinha, mas sabe que esse dia está cada vez mais perto, por isso quer dar tempo para que a sensatez a envolva e dite o horizonte. Por outro lado, o Leone sabe que está exactamente onde queria estar, numa das maiores (se não a maior) produtoras de publicidade de Portugal e a aprender muito. Quer sempre muitos desafios, fazer muitas coisas e é isso que vê no seu futuro. E, daqui a 10 anos, estarei a escrever sobre o seu grande filme, de certeza absoluta.

Nem sempre é fácil descrever pessoas de quem gostamos tanto. As palavras emaranham-se, os significados perdem-se, não sabemos condizer. Sim, temos uma diferença substancial de idades, eu e eles. A verdade é que não penso nisso. A verdade é que os amigos são aqueles que nos ouvem, acarinham, ensinam e nos conhecem como ninguém. A verdade é que os amigos nos inspiram a sermos pessoas melhores, mais criativas, mais genuínas, mais felizes.

A verdade é que os amigos não precisam de palavras. A verdade é que os amigos verdadeiros não conhecem tempo, não precisam de provas nenhumas, pois sabem exactamente quem nós somos, seja o que for. A verdade é que a Joana tem o melhor abraço do Mundo e o Leone sabe a voz certeira para me fazer sorrir. A verdade é que os amigos são assim com a Joana e o Leone, tal e qual, sem tirar nem pôr.

6 comentários:

  1. Obrigado Raquel pelas tuas palavras, são espelho da amizade que consigo sentir pela minha Princesa e pelo meu Lecas nas tuas palavras.
    Beijo enorme.

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  2. Obrigada eu, Paulo, por ter uma filha tão doce! :)

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  3. adorei as tuas palavras, senti cada abraço, cada sorriso, cada troca de olhares cumplices nas tuas palavras .. obrigada pela maneira como nos descreveste! está mesmo bonito :)

    gostamos muito de ti <3

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  4. Começo pelo fim, por te entender e saber que é tão certo. As palavras parecem esgotar-se ou, pelo menos, perder significado quando pretendemos descrever o que nos importa.
    Gosto, sempre, de ler e conhecer no teu olhar, quem te rodeia.
    A amizade é inesgotavelmente mais do que pormenores. Como a idade. A mim, faz-me todo o sentido, esse matizado de idades. Talvez, por desde que me lembro, ter amigos de tão diferentes idades.
    Os protagonistas, apresentação volvida, vivem disponíveis para a verdade. De ambos.
    Um beijo :)

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  5. Querida Raquel adorei,lindo o que escreves-te sobre dois seres que eu amo de paixão uma que nasceu das minhas entranhas que como eu lhe digo vou-te amar até ao infinito e mais além e o meu Leone que adoro .obrigadoe quando te conheçer vou-te encher de beijo.

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  6. que 'homenagem', que doces palavras e que história com palavras bonitas! adorei cada frase!
    gostei muito!
    beijinho grande :)

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