12/08/2014

[UK Tour] Brighton e Beachy Head

No penúltimo dia da nossa viagem, estávamos já estafados de tantas voltas. É o único senão quando planeamos viagens com tanto tempo de antecedência: excedemo-nos nos timings e acabamos por ver mais coisas do que os nossos dias são capazes de aguentar. Queremos ver tudo, mas a verdade é que é preciso termos momentos mais parados para conseguirmos usufruir daquilo que sentimos em cada lugar.

Sabíamos que tínhamos uns últimos dias de descanso por Rye e havia dois sítios que não queríamos perder até lá: Brighton, pela imponência, história e incentivo de toda a gente, e Beachy Head, o cabo mais conhecido da zona sul, o penhasco com paredes de giz.

Primeira paragem: Brighton. Lembro-me distintamente que a primeira impressão desta cidade costeira é que tinha as melhores rádios. Ao viajar pela Inglaterra, muitas vezes andávamos à procura de rádios que nos acompanhassem, já que percorremos aqueles dias de carro e queríamos uma companhia que nos fizesse cantar. Somos dos que cantam na estrada e preferimos uma boa música para seguir connosco, mas nem sempre era fácil de concretizar. Se, na parte mais histórica de Cotswolds o normal era ter música clássica ou mais direccionada ao público mais velho, na fronteira com o País de Gales não se percebia o que diziam e em Rye já existiam poucas rádios inglesas, pois os franceses ocupavam a maioria.

No entanto, em Brighton a música era boa. Facilmente encontrámos várias rádios que gostámos num espaço de poucos minutos, enquanto tentávamos estacionar o carro perto do centro. A música boa reflecte esta cidade com uma comunidade artística extensa, que se propaga pelas casas originais, arquitectura singular, variadas galerias de arte, diversos bares de música ao vivo e uma ampla vida nocturna, num lugar veraneiro de eleição para os ingleses. Sem dúvida, uma excelente amálgama que nos deixou imediatamente com muita curiosidade.



Depois, na primeira volta pela cidade vimos Brighton Pier, um parque de diversões em cima da água, num paredão de madeira, mesmo ao estilo de Coney Island e palco da minha imaginação fotográfica. Sim, tenho um fascínio especial por coisas deste género, desarrumadas, bizarras, coloridas, excêntricas, diferentes. Por isso mesmo, a minha vontade venceu e parámos no primeiro parque de estacionamento para fotografar cada detalhe.




O dia estava chuvoso e cinzento, o que não me permitiu fazer as fotografias que queria, com as cores que gostava, mas o sítio é maravilhoso. Parece que saímos do lugar onde estamos e entrámos numa outra dimensão. Foi inaugurado em 1899 e é o terceiro paredão deste género da história de Brighton. Do segundo, West Pier de 1866, sobram apenas os restos mortais duma montanha russa de ferro no meio da água, depois de incêndios e muitas tempestades, que, de longe, lhe dá um ar algo fantasmagórico e arrepiante. Este, denominado em 2000 de Brighton Pier, deitou abaixo o que restava do primeiro e assim ficou como um dos marcos desta cidade.




É absolutamente fascinante. Parece que entrámos num filme e voltámos ao passado, apetece tirar fotografias a tudo. Não confiámos completamente na segurança das diversões e não andámos em nenhuma, mas estávamos inebriados com cada detalhe. Pensar que detém mais de 100 anos de gargalhadas e fenómenos tão estranhos como as personagens que os habitam, ainda o torna mais excêntrico e bizarro, ainda mais interessante, pelo menos a meu ver.



Depois de observarmos tudo com detalhe, decidimos apenas ir dar uma volta até ao Royal Pavilion, uma estrutura arquitectónica única, com características muito particulares na ligação inglesa com o património indiano. Hoje, é o lugar do museu de arte e, apesar de não termos tido tempo para entrar, sabíamos que não queríamos perder pelo menos a fotografia da praxe.



Não tínhamos muito tempo para ver Brighton, mas sabíamos que estas eram as coisas a não perder. Na volta ao carro, tivemos a surpresa do estacionamento desta viagem: pagámos 13€ por pouco mais de 2 horas. Na verdade, quando parámos vimos apenas que uma hora de parque significavam 5€ e, apesar de acharmos um pouco caro, estávamos cansados de dar voltas à cidade para encontrar um sítio decente para estacionar e, por isso, decidimos parar mesmo ali. É um problema gigantesco inglês, em que não é permitido que pessoas que não sejam residentes estacionem no centro e, por isso, cobram os olhos da cara a quem o faz. Mas realmente não estávamos a contar que fosse tanto. Haja paciência e dinheiro!

Depois desta surpresa, o humor comparava-se ao tempo sombrio e pesado, em que o sol teimava em ficar escondido. Demorámos uma pequena eternidade a chegar a Beachy Head e, aqui me confesso, estava prestes a desistir. Estava cansada, irritada com as enormes filas de carros, farta de estar sentada naquele carro, chateada com o facto de estar a ver tudo pela janela. Mas, quando chegámos àquele sítio mágico, mais uma vez o tempo parou.

Com 162 metros de altura, este penhasco marítimo de giz é um lugar tão bonito como triste, pois é também um dos pontos de suicídio mais famosos do Mundo. Quanto lá estava, houve uma senhora que lá passeava com o seu cão e que meteu conversa comigo enquanto dizia isso mesmo, que era um lugar imensamente triste. Mas é também um lugar onde se sente paz, palpável na ponta dos dedos, como se fôssemos capazes de a agarrar. É também um lugar onde o vento quase que nos canta músicas ao ouvido e que nos segreda histórias felizes. É também um lugar onde a magia acontece em cada inspiração. É também um dos sítios mais bonitos onde já estive.




A dois dias do fim da nossa viagem, decidimos percorrer a costa sul inglesa entre os Brighton e Beachy Head. Estávamos já na recta final, mas sempre com vontade de ver coisas novas, de visitar novos lugares e surpreendermo-nos com lugares bonitos, mesmo que o cansaço se fizesse sentir. E, de certa forma, encontrámos o paraíso.

7 comentários:

  1. que fotos incríveis.
    quero tanto mas tanto ir a Brighton! devia ter ido desta vez e agora estou completamente arrependida .. que cores tão bonitas.

    a sério. que sonho de fotos!

    és linda <3

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  2. Vamos lá as duas e eu faço as fotografias de novo e contigo! :)

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  3. adoreiiiiiiiiiiiii
    Sou suspeita..? não!! Tu sabes que sou "isenta" e recomendo que comeces a pensar em usar estes textos e fotos numa publicação!bjsssss

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  4. Obrigada mami! Realmente não és nada suspeita ;) E quando dizes para mandar isto para uma publicação... Aguarda mais uns dias! ;)

    E obrigada Filipa! ;)

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  5. Percebo tão bem a falta que sentiste de outra luz, que te permitisse guardar o mesmo, mas de outras cores e valências. Contudo, talvez, pelo meu apreço pelo acinzentado, pelo granulado e peso que, com esse tipo de tempo, as fotografias tendem a ficar, não mudava nada. Grandes fotografias. Grande relato, cuidado, apelativo na descrição. Um convite autêntico. Um beijo :)

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  6. Adorei tudo. As fotos, o texto, é como se viajássemos também, sem sairmos do sofá.

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