26/08/2014

[UK Tour] Rye

(o número que me persegue)

A última paragem da nossa viagem era algo estratégica: queríamos que fosse relativamente perto da costa sul inglesa, que fosse possível ir visitar uns últimos locais que tínhamos em mente antes de voltarmos e que fosse próxima de Londres, para não termos que madrugar demasiado no dia da partida. Foi assim que escolhemos Rye.

Rye foi, para mim, a grande surpresa desta viagem. À semelhança do que aconteceu quando entrámos em Brighton, as rádios no caminho até lá mostraram aquilo que nos aguardava, pois ouvíamos essencialmente emissões francesas, pela proximidade com o norte de França. E, quando chegámos, parecia que tínhamos entrado num filme, carregado dos preciosismos das pequenas vilas francesas, com detalhes tão bonitos e especiais como o melhor da nossa imaginação. Aliás, a surpresa foi tanta que durante algum tempo não percebi se era apenas o cansaço daqueles dias intensos que me fez fotografar cada pormenor, ou se era mesmo um sítio tão especial que precisava de ficar marcado. A verdade é que realmente tirei muitas fotografias e que gostei muito de todas elas.



Segundo a história, Rye é conhecida como uma cidade com grande ligação ao mar e à água, e foi particularmente importante nos tempos de guerra, com um porto considerável e relevante nessa época, tanto para a defesa do Canal da Mancha como para o fornecimento dos navios, incluindo o envolvimento de gangues de contrabando. Um dos mais conhecidos era o Hawkhurst Gang, um bando de contrabandistas que aterrorizava os povos do sul da Inglaterra e do norte de França, cuja ligação era clara com a cidade de Rye, pois frequentavam o The Mermaid Inn, um dos pubs mais conhecidos deste lugar, onde se sentavam com as armas pousadas nas mesas e mostravam ser a sua sede. Nestes tempos, é um hotel lindo e maravilhoso, com um restaurante muito simpático e detentor de algumas estrelas Michelin, mas dizem que o facto de ser algo sinistro é por albergar ainda os fantasmas dos bandidos e das suas amantes.


É, portanto, uma cidade carregada de mistérios e histórias embrenhadas nas paredes de cada esquina. Hoje em dia, é um ponto de passagem para qualquer veraneante e viajante. Com uma narrativa forte, Rye é como um cenário de um filme, com ruas em pedra que nos levam até ao passado e casas tão bonitas quanto inusitadas. Por outro lado, aquilo que me apaixonou imediatamente naquele lugar foi mesmo cada detalhe nas ruas, das inúmeras e magníficas portas e do que imaginamos que existe por detrás delas. Uma curiosidade engraçada que me prendeu a atenção foi que, na Mermaid Street, as portas não têm números, mas algo referente às características da sua construção.




Mas não foi só esta rua que nos impressionou. Muitas foram as particularidades que nos atraíram nas fachadas de cada entrada, com os números e outras particularidades que as definiam. São três ruas principais no centro de Rye, onde os carros não andavam, por isso o convite é para caminharmos e descobrirmos os segredos que queríamos desvendar.






Basta passearmos pelo centro para encontrarmos uma igreja com um cemitério bem fotográfico, que se tornou rapidamente o foco principal de todas as minhas atenções. [eu sei que sou esquisita] Mais uma vez, apercebemo-nos da vantagem em escolhermos a Primavera para viajar, porque as flores invadiam cada esquina e ainda tornavam este lugar mais bonito e especial.








Mas não é só. Todas as ruas tinham inúmeros locais para serem vistos, como cafés simpáticos, casas antigas, muitas lojas diferentes, diversos antiquários e muito charme em casa detalhe.












Estávamos, de facto, muito cansados. Tão cansados que decidimos ficar por Rye e aproveitar o último dia antes de partirmos, num sítio que nos disse tanto e que resumiu inteiramente estas férias. Numa nota final, tivemos numa casa sem Internet, mas tão confortável que só nos apetecia ficar mais uns dias. E, por tudo isto, Rye foi o que mais me ficou na memória.



Acima de tudo, sei que escolhi a melhor companhia de sempre para viajar. Somos mesmo felizes e muito parvos juntos. Corremos Inglaterra no nosso cavalo branco (e extremamente piroso), enganámo-nos muitas vezes e todos os percalços foram encarados como mais uma coisa boa para acrescentar ao nosso álbum de memórias. Por isso, e mesmo que não consigam ir connosco, não deixem de visitar Rye, uma surpresa em cada esquina. Levem a vossa companhia perfeita e prometo que não se vão arrepender. É que mesmo com fantasmas, não há sítio mais acolhedor e fantástico.

P.S. Perdão pela enorme quantidade de fotografias! Prometo que me tentei conter, mas tenho muitas mais para serem vistas! :)

5 comentários:

  1. Não te contenhas! As fotos são lindas. Adorei as casas sem números.

    Quando estive na Bretanha, em França, também senti as fortes influências inglesas na arquitectura das casas (menciono isso algures por aqui: http://maletasemnome.blogspot.pt/2014/06/tour-de-bretagne-uma-pirata-em-saint.html).

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  2. Adorei VIAJAR contigo!!! :)
    OBRIGADA Raquel!
    lindoooooooooooo :)
    e mais não digo só porque sou tua mãe e porque também gosto de ler outros comentários

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  3. Ahahah que mãe mais linda que eu tenho... E babada! :) Vamos lá outra vez, que eu quero tirar mais fotos :P

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  4. Também concordo que não te deves conter, pois adoro as fotos e viajar através das mesmas. As casas são muito charmosas e acho que me perdia nessa loja de doces.

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  5. ohh, que fotografias maravilhosas!
    a terceira fotografia transportou-me logo para um imaginário onde criei uma história visual, acontece tanto quando vejo paisagens lindas!

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