16/10/2014

Encontros do 12


(fotografia da Su, do beija-flor)

Quando comecei a escrever, não podia prever o quanto isso ia mudar a minha vida. Na verdade, fui incentivada a fazê-lo através da vontade de alguns amigos, que notaram o meu deleite quando escrevia de coração e decidi fazê-lo para assumir uma vontade da alma.

Para aqueles que me lêem, sabem este assunto de cor e salteado. As coisas seguiram-se, o amor por escrever intensificou-se e logo decidi fazer um livro, o meu primeiro, o 12. Andei aterrorizada com as minhas 12 personagens, estudei-as ao pormenor, dei-lhes outros significados e atribui-lhes os sentidos que existiam no meu coração. Fui perfeccionista com cada uma delas, pois queria que todas representassem não só aquilo que eu queria dizer, mas também uma parte de mim mesma. E, claro, deixei-me atormentar por elas, porque queria que as pessoas as vissem como eu.

Eu sei, não fui justa. Não fui justa com as outras pessoas, porque cada um é livre de interpretar as histórias como quiser, mas, essencialmente, não fui justa comigo, já que não podia ligar-me assim a algo que depois entreguei ao Mundo. Não deveria ter julgado o outro lado, mas foi assim que (não) soube lidar com a separação daquelas minhas 12. Assim, também não foi fácil desligar-me delas, vê-las seguirem outros caminhos, serem interpretadas como parte da vida daqueles que as liam e que lhes davam outras essências, que lhes faziam mais coerência.

(fotografias de: Maçã AmaralInês MarceloJoana AfonsoPatrícia RelvaDaniela Melo OliveiraPatrícia Martins)

(fotografias de: Catarina DinisAna SafúMariana MonteiroMargarida SampaioNélia CorreiaJoana Clara

Hoje, sempre que faço uma apresentação sobre ele, costumo dizer que foi uma opção de mim para mim, uma vontade do meu coração e sempre que faço uma apresentação sobre o meu/nosso 12, é exactamente isso que refiro com todas as letras. Se dissesse algo contrário estaria a mentir. Não escrevi para os outros, escrevi este livro para mim.

No entanto, estou muito feliz com a reacção que tive do outro lado, com o carinho que constatei de pessoas que mal conheço, mas que facilmente saem do seu dia para virem ter comigo. Recebo muitos emails meigos, de pessoas que, estejam onde estiverem, param um pouco do dia delas para me contarem um bocadinho da história delas e para me fazerem um bocadinho mais feliz. Encontro as pessoas nas apresentações do livro, herdo novos abraços, novos sorrisos que me acalentam a alma. Vejo fotografias do 12 em várias partes do Mundo e sinto-me a viajar com ele. E, esta semana, recebi até a carta escrita de alguém que vive na Suíça e que, mesmo sem a conhecer pessoalmente, sinto que conheço profundamente. [obrigada querida Andreia. vou retribuir!]

Não podia sequer prever a volta que iria ter na minha vida, na minha visão sobre o Mundo, na minha perspectiva sobre as pessoas que me rodeiam e aqueles que facilmente se juntaram a mim. No meio deste processo todo, nem tenho palavras para todos aqueles que se juntaram a mim, aqueles que encontrei, aqueles que angariei para fazerem parte do meu coração. Não estava à espera que aqueles que o lêem fossem tão carinhosos para mim, que acalentassem tanto os meus sonhos e que aconchegassem de tal forma, que, desta forma, me provam com todas as letras que nunca mais me sentirei sozinha.

É difícil de pôr estes agradecimentos por palavras, porque sinto sempre que me esqueço de alguma coisa e que não vou conseguir ter a importância que vocês, desse lado, têm para mim. Mas não desisto, porque nunca me vou cansar de vos agradecer. Obrigada. Um eterno obrigada. Vocês demonstraram-me o quanto 12 é amor, verdadeiro e sem filtros. Vocês garantiram-me, com todas as forças, que vale a pena sonhar.

(fotografias de: Marcela Ceia, Daniela Maia, Susana Almeida)

P.S. Desculpem se ando um bocado mais distante deste meu cantinho. Ando a fazer muitas coisas e o blog fica para segundo plano, mas prometo que vos vou contar tudo muito em breve e que vou voltar em grande. :)

2 comentários:

  1. Vale sempre a pena lutar, quando sabemos que estamos a fazer aquilo que o nosso coração manda, pede e quer! E o 12 é uma reprodução exacta disso.

    Agora só o quero é ter nas minhas mãos!

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