01/10/2014

Inspirações há muitas #11 . a Inês Marcelo

Como já devem ter reparado pela ausência forçada, os últimos tempos têm sido muito ocupados. Na verdade, tenho estado a trabalhar muito noutros projectos, com algumas coisas interessantes para vos mostrar e outras que são boas apenas para mim. Não gosto de deixar o meu blog de parte, mas teve de ser e, se há coisa que me custou, foi descuidar das inspirações do #desculpashámuitas, por entender que reflectem todas as paixões das pessoas que o fazem ser um desafio tão único e especial. Por isso mesmo, hoje trago-vos um bocadinho da história da Inês, uma dessas pessoas incríveis que este desafio me deu a conhecer.

Desde cedo que lhe dizem que tem bichos carpinteiros, que não consegue estar parada num só lugar e que tem de estar sempre ocupada nos seus mil afazeres. Na realidade, o seu caminho mostra aquilo que guarda no seu ser, revela exactamente o que é. A Inês nasceu no Porto e mudou-se para Castelo Branco aos 3 anos, onde viveu até aos seus tempos académicos. Nessa altura, foi para Lisboa e para a Faculdade de Arquitectura, o sítio onde fez o curso e mora até hoje. Actualmente, com 24 anos (quase 25), diz que é efectivo o que dizem de si, pois não gosta de estar suspensa num sítio, está sempre a mexer, habituada a ser motivada pelos horários completos, de manhã à noite.

(temas: luz/sombra; riscas (I); riscas (II); casa; colher; hobby)

(temas: revista; olhar; água; cadeira; palmas; primeira)

(temas: tecto; língua; espelho; azul; sorriso; pequeno)

A fotografia apareceu muito cedo na sua vida, pois o pai, mesmo sem qualquer capacidade profissional, captava todos os momentos da sua narrativa (e da sua irmã), desde os mais corriqueiros, até aos mais festivos e especiais. Desta forma, ainda hoje existem muitos álbuns de fotografias e slides espalhados pelos cantos da sua casa em Castelo Branco, numa normalidade sentida como sua e espelhada nos retratos da sua história.

[E uma das muitas coisas que observo nela como similar a mim mesma: os animais ganham um dos papéis principais do seu olhar atento, um dos seus suspiros mais fiéis. Até tive um gato persa, tão laranja e bonito como o Elvis. Que saudades!]


Foi durante a época em que estava a escrever a tese para o final do curso de Arquitectura, que se deparou com muito tempo livre e com um único foco, que percebeu o quanto tinha amadurecido durante os 5 anos que o curso albergou e que estava preparada para finalmente arriscar nos seus sonhos, na sua paixão de sempre: a fotografia. Foi então que procurou o apoio sábio dos pais, que a incentivaram a fazer o Curso Profissional do Instituto Português de Fotografia, um seguimento que lhe prendeu todos os sentidos. Durante os 2 anos que o curso durou, quis apagar tudo o que sabia, começar do zero, sem manhas, sem truques, sem tiques, e respirou tudo o que ensinavam, bebeu das palavras que lhe transmitiram.

Traçou, então, o seu caminho na fotografia. Começou a mostrar aquilo que via e o que a rodeava e mais tarde, o Instagram apresentou-se, para si, como a grande surpresa do #desculpashámuitas, que encontrou nas suas pesquisas, e foi nessa altura que ganhou importância naquilo que mostrava. Levou-nos, assim, numa viagem pelas coisas que ama, pelas suas pessoas, pelos locais que visita, pelas suas dimensões. E fez-nos suspirar pelas flores e portas holandesas, na sua última visita aos Países Baixos.



Rapidamente o Instagram passou, então, a ser mais do que uma plataforma de fotografia ou um meio de comunicação, resvalando para um lugar mais especial para si, como um apoio emocional, uma extensão do seu coração. É assim que procura e gera motivação nas imagens daqueles que mais a inspiram, como conforto depois de um dia difícil. Da mesma forma, criou a sua maneira de ver o Mundo e revela os seus caminhos, sempre acompanhada com as pessoas mais importantes para si. Nestas últimas fotografias, vemos a sua irmã em grande plano, numa viagem que fizeram em família até Bruxelas.



No fundo, aquilo que mais a inspira a fotografar são mesmo as pessoas. No seu trabalho final para o curso de Fotografia do IPF, teve a melhor experiência de todas quando guardou a memória das gentes da sua terra, das comidas tradicionais que se juntavam a elas. Foi a oportunidade que teve de conhecer homens e mulheres que vivem da terra, que trabalham todos os dias com poucas (ou quase nenhumas) condições, e que, mesmo assim, são os primeiros a abrir as portas das suas casas, a oferecer os seus sorrisos de coração cheio e com muito orgulho.


Percebeu, então, que o seu foco se centraria sempre nas pessoas. Esses são os motivos que a inspiram diariamente a continuar, que a fazem lutar por aquilo que acredita, que lhe mostram o percurso a seguir. E sabe que só é aquilo que as pessoas fazem dela, as oportunidades que lhe dão, a confiança que lhe transmitem, o crescimento e a aprendizagem pura. Com um sorriso, realça aqueles que a rodeiam, aqueles que a motivam sempre a ser melhor.


Hoje, reconhece humildemente que ainda tem muito para aprender. Observa diariamente blogs internacionais de fotógrafos, designers, escritores e criativos, que a inspiram e formam a sua maneira de ver o Mundo. No #desculpashámuitas, conheceu um Mundo diferente, criou o terreno que pisa com orgulho, fundou amigos, elaborou futuros sinceros. Apesar de saber que não pode viver da fotografia para sempre, a Inês vive a curto prazo e acredita plenamente que, se realmente quiser algo, vai conseguir concretizar o seu sonho e fazer felizes aqueles que acondiciona com as suas imagens. Mais do que isso, esse mesmo sonho permite-a acordar a sorrir todos os dias, pois é algo que a preenche na totalidade, que define cada partícula do seu ser.

(temas: chave; no meio; garrafa; fim; pé; mancha)

(temas: lar; par; carta)

Afinal, a Inês é a soma das pessoas que fazem parte do seu caminho, aquelas que angariou como partes de si mesma e que a fazem ser tão única, tão notável, tão especial. Não é capaz de largar os seus suspiros, pois sabe que essas pessoas acreditam nela, da mesma forma como respiram. É isso que a faz agir com naturalidade, entregar-se de corpo inteiro àquilo que acredita e ser feliz nas pequenas coisas. É isso que a faz crescer e nunca deixar de ser humilde. É isso que me faz gostar dela, o facto de ser tão normal e, por isso mesmo, tão rara. E é isso que também me faz suspirar.

Obrigada Inês pelo teu coração tão bonito!

Para seguir o trabalho da Inês, podem vê-la no Instagram, encontrá-la no facebook ou visitar o seu portfólio digital. Prometo que vão adorar conhecê-la. :)

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