28/10/2014

Mãe, tatuei-me de novo

(fotografias do Fred)

Há dois anos (quase três) atrás, cedi a uma vontade antiga de ter uma tatuagem. Na verdade, sonhava em fazer algo do género desde os 18, altura em que fiz o meu piercing do nariz, o mesmo que já ninguém repara que tenho, talvez por me pertencer tanto. Mas, nessa mesma época, não tive coragem de fazer a dita tatuagem e não segui em frente.


Hoje que recordo esse momento, penso que a desistência foi pelo melhor. Com 18 anos e num momento de rebeldia, quis marcar o momento da idade maior. Não tinha nada que me queixar, que os meus pais sempre me permitiram ter a liberdade que é muitas vezes associada a essa idade. Para eles, a prioridade era que me soubesse coordenar com aquilo que tinha e tinha a responsabilidade nas minhas mãos, eu é que decidia o que fazer. A verdade é que as notas eram boas e eu era menina do papá, por isso não havia o que errar e as asneiras eram poucas. Mas, aos 18 anos, segui a loucura de amigos e, em vez da tatuagem que provavelmente me iria arrepender, fiz um piercing no nariz.

No entanto, há dois anos o momento era diferente. Queria marcar-me permanentemente com algo que tivesse muito significado para mim e, de facto, foi um momento de viragem. No pulso, fiz o guarda-chuva pelo qual toda a gente me conhece e identifica, pois quis homenagear o símbolo da Mary Poppins, uma mulher que cantava e que tratava de crianças, assim como eu sou (ou era). O local acabou por agir a meu favor, já que, sempre que pego no microfone para cantar, lá está o meu guarda-chuva, a minha marca. E é algo que me orgulho muito de ter, uma impressão de uma parte do meu coração.


Gostei tanto da experiência que desde que fiz o meu guarda-chuva que andava a sonhar com o momento em que iria tatuar outras coisas que pensei. Queria desenhar um elefante na minha pele, não só por gostar muito da sapiência, da memória, da presença e da doçura dos olhos do próprio animal, mas também para representar as viagens que adoro fazer, mais especialmente aquela que mudou a minha maneira de ver e sentir o Mundo, em 2008, à Tailândia, Vietnam, Cambodja e Laos. Nessa dita viagem, tive a oportunidade de andar de elefante (e de apanhar um susto valente), mas também de criar memórias e ligações com pessoas que nunca hei-de esquecer.

Andei 2 anos à procura do desenho e da altura ideal para fazer esta tatuagem. Neste tempo, percebi também como o corpo é a primeira coisa que as pessoas vêem e como quero que isso identifique a pessoa que eu sou. Nesse tempo, conheci a doença que habita o meu corpo e a maneira como queria que isso nunca me deixar de ser eu própria, com a alegria que contagia. Do elefante, queria que tivesse a tromba para cima para dar sorte (superstições que eu acredito) e, depois do desenho estipulado, quis que estivesse do lado esquerdo do meu corpo, do lado do sentimento e escondido da minha vista, por ser algo que é muito perto do meu coração.

Quando finalmente o encontrei, pedi ao meu querido amigo-irmão Fred que pegasse nele e que fizesse a sua interpretação, e foi isto que se fez na minha pele. Por isso mesmo, para além de todas as memórias que o elefante carregava com ele para a minha pele, ainda se adicionou o facto de ter sido um desenho do meu amigo do coração, o que ainda ficou mais único e notável. E, como não há duas sem três, fiz também o 12 mais simples de sempre, do lado direito (sou destra), desenhado pela minha Mariana e eternizando um dos momentos mais especiais da minha vida, o dia em que decidi escrever.

Não podia ser mais "meu". Para além de serem desenhos de pessoas importantes para mim e de escolher os sítios específicos para eles ficarem, foram 3 tatuagens (incluindo a primeira) feitas por um amigo de há muito tempo, que sei conhecer parte de mim e que, assim, torna-se ainda mais singular, mais especial. [Obrigada querido Pedro]

Para aqueles que se perguntam, sim, dói, mas é uma daquelas dores que compensam, como fazer exercício para ter o corpo ideal. Eu sei que é permanente e por isso é que o fiz. Se fosse algo que não me dissesse nada, talvez me arrependesse, mas a verdade é que me diz muito. É a ideia que terei algo na minha pele que diz muito sobre aquilo que eu sou, aquilo que quero, o que me vai na alma. E quando alguém me pergunta se não me vou cansar delas, respondo com a maior sinceridade. Talvez sim, porque às vezes também me canso de ser como sou e tento mudar. Mas há coisas que nunca mudam e há momentos que vão ficar sempre na memória. E, desta forma, pinto na minha pele aqueles que me fazem feliz. E estou muito feliz.

P.S. Mãe, perdoa-me! Pai, não fiques triste comigo. Não prometo não fazer mais, porque isso seria mentir, mas posso dizer-vos que pensei mesmo muito no assunto e que estou muito descansada e satisfeita com as minhas decisões. :)

8 comentários:

  1. Ainda bem que tens noção que a coisa provavelmente não fica por aí :) Eu tenho 4, comecei com uma e pensei para mim mesma: não faço mais. Sim, pois!

    Acho que quando se faz da tatoo um projecto bem pensado em vez de um devaneio, faz muito mais sentido e aí sim, torna-se parte de nós, sem arrependimentos.

    No fundo é o marcar o corpo, que é nosso, com outros bocados de nós. :)

    As tuas são muito fofas!

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  2. Há muita gente a quem este post deveria ser mostrado. Se há algo que me irrita são essas perguntas sobre as minhas tatuagens... Se é algo que tem tanto significado para nós, que nos diz tanto, que mal tem se um dia nos cansarmos? Faz parte de nós, do que nos somos e do que nos fez crescer para chegar até ao que somos hoje!

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  3. adoro todas e gostei muito de saber sobre o significado delas :)

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  4. O elefante é lindo! Desejo que te traga muita sorte.

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  5. Adoro arte, também no corpo. Desenhar e fazê-lo bem é um privilégio de alguns. Penso tanto em arriscar numa tatuagem, que procrastino sem fim.
    Do guarda-chuva já tinha a melhor das ideias, agora o elefante (animal que venho, cada vez mais, a gostar, pela influência dos quantos apaixonados por ele me rodeiam) achei brilhante. A simplicidade, que tanto aprecio, do número 12, rematou em grande.
    Obrigado, claro, pela partilha de algo que entendo íntimo. A tatuagem, o seu significado.
    Um beijo.

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  6. são todas tão bonitas!
    quando comecei a seguir o teu blog reparei logo no chapéu de chuva e pensei na mary poppins. só hoje descobri que tem mesmo a ver com ela :)
    espero que os teus pais não fiquem muito chateados! :)

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  7. Que post bonito, adorei cada palavra sobre os significados das tatuagens!
    E, deixa-me que te diga, o elefante está lindo, tão doce oh! :)

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