01/12/2014

4 anos de Badu

Há 4 anos atrás, nascia a miúda que veio roubar o meu coração. Não sei com precisão quando é que ela nasceu, mas, pelas nossas contas, será algures pelo dia 1 de Dezembro, o dia que festejamos sempre com ela.

Lembro-me bem do primeiro dia que ela veio cá para casa. Andava há meses a tentar convencer o meu maridão (na altura meu namorado) que tínhamos espaço para adoptarmos um cão. Sempre adorei animais, especialmente gatos porque eram os meus companheiros familiares, mas, depois da última perda, os meus pais ficaram com um desgosto tão grande que não quiseram ter mais nenhum. Mas, do meu lado, quis sempre ter mais. Sabia a companhia que os animais faziam, sabia o amor que nos tinham e a capacidade que têm em fazer-nos ser mais empáticos, mais carinhosos.

Do lado do meu Pedro, a coisa é parecida, mas o amor dele vai todo para os cães. Sabem como algumas pessoas ficam derretidas quando vêem bebés? Pois bem, o meu Pedro é assim com cães e fica tão entusiasmado, que parece que se dissolve completamente [quase que ouço o "awwww!"] quando vê um cão do outro lado da rua. Por isso mesmo, quando me mudei para uma casa mesmo no centro do Porto e com jardim, logo o convenci a alinhar em ter um cão para nos acompanhar.




Assim que o Pedro deu o "sim" desejado, pus-me a ver cães para adoptar e, de imediato, apareceu-me uma fotografia da Badu, que tinha acabado de ser posta no Facebook. Estava toda suja e enlameada, mas tinha um olhar que me roubou o coração imediatamente e, desde logo, soube que tinha de fazer parte dos meus dias. Em 15 minutos, a Badu já era nossa.

Durante os primeiros 3 meses e meio, a Badu viveu em condições muito precárias e em conjunto com 3 irmãos e a mãe numa capoeira, sem espaço nenhum, sem contacto com ninguém, a não ser o senhor que ia lá atirar-lhes comida. Quando aqueles animais foram descobertos, percebeu-se que, apesar de muito meigos e doces, sofriam de sarna e muitos outros traumas que dificilmente seriam ultrapassados. Desses primeiros contactos com a associação, recordo o receio que tinham em dizer-me que ela tinha sarna ou dos medos que ela sofria, pois achavam que eu podia não ficar com ela. Prontificaram-se logo em vir fazer-lhe o tratamento uma vez por semana durante o primeiro mês e ensinaram-me a levá-la à rua muitas vezes, para que perdesse o medo da confusão.


Quando a vi pela primeira vez cá em casa, toda a tremer no meu sofá, soube que esta miúda me ia mudar a vida. Durante o primeiro dia, ela tinha tanto medo que não saía de debaixo de uma cadeira e eu, deitada no chão, falava com ela calmamente, enquanto a deixava ter tempo para assimilar tudo. Ao final dos 3 primeiros dias, ela já me seguia para todo o lado, mesmo se tivesse o rabo entre as pernas. E só no final do primeiro mês é que deu confiança para que o Pedro lhe fizesse o primeiro carinho.

Lemos todos os casos de maus tratos e sabíamos o que tínhamos a fazer, inclusive que teria de dormir num sítio só dela, para que se habituasse à sua casa nova. Rapidamente entendemos também que há regras para todos os cães e nós só devemos ser consistentes com as nossas, tratar os nossos animais sempre da mesma forma. Naquele mês, chorou todas as noites incessantemente e esgravatou a porta da casa de banho onde estava, até que a luz do dia chegasse e ela pudesse descansar. Ela chorava de um lado e eu chorava do outro, porque com aqueles uivos, ela não dormia, mas nós também não e nós pensávamos se estaríamos a fazer algo mal, já que provavelmente ela estava a ficar com um trauma para a vida e nunca mais iria confiar em nenhum de nós. Ao fim de um mês, trouxemo-la para o nosso quarto e ela dormiu descansada, assim como nós, e nunca mais fez nenhuma asneira.

A verdade é que ainda hoje a nossa Badu tem medos, muitos medos, principalmente com homens barbudos e com voz grossa, mas também com carros e muitas pessoas ao mesmo tempo, muita confusão. A verdade é que eu aprendi a respeitá-la e, mesmo sabendo que cometo muitos erros, faço com que ela não sofra muito com os medos que sente e por isso evito forçar o contacto. Mas levo-a nas férias, quero que ela conviva com os meus amigos e se sinta confortável com os meus. A verdade é que o que mais quero é que ela seja muito feliz. E a verdade é que, nestas férias, ela brincou muito e foi feliz.

A Badu é uma medricas, mas, assim que se dá às pessoas, é a cadela mais doce que já conheci. Sabe agradecer-me todos os dias com aquele olhar que derrete qualquer coração. Com esta miúda, aprendi a sorrir sempre que vejo outros animais. Com esta miúda, percebi que gostava mais de gatos até a conhecer. Com esta miúda, todos os dias volto a encontrar a meiguice e a ternura de alguém que permanece comigo, haja o que houver, seja o que for, sem limites, sem julgamentos, sem distâncias. E, com esta miúda, aprendi o que é o amor incondicional.



(fotografia do tio Fred)

Obrigada minha doce. E parabéns. :)

P.S. depois de muitas perguntas: a Badu é da melhor raça, Rafeirinha da Silva. :)

10 comentários:

  1. Parabéns à Badu e a vocês que a adoptaram! A Badu tem um ar tão doce e carinhoso. Temos um cão com uma história muito semelhante, é um medricas mas um doce e leal companheiro. :)

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  2. Parabéns Badu, és linda ♥
    E parabéns a vocês por terem a sorte de ter esse olhar para vós diariamente ☺

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  3. Oh, ela é linda e muitos parabéns!

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  4. owww que Linda!! Parabéns à Badu e parabéns aos pais dela que foram sábios e pacientes, pois adotar um animal é muito mais difícil do que parece, pois esses traumas ficam para a vida infelizmente. Mas, nós temos os nossos também e se soubermos respeitar cada um na sua individualidade, vivemos todos bem.
    Eu ainda sou dos gatos, mas um dia quem sabe, não terei uma Badu? :) Beijinhos!

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  5. Linda :) Também adotei a minha pintas e foi a melhor coisa que podia ter feito!

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  6. Oh pá, que coisa mais linda! Esse olhar... meu deus.

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  7. Parabéns à Badu.
    Em cada fotografia percebe-se a meiguice o amor sem condições. Pelo olhar que tão bem defines em cada imagem e, melhor ainda, em cada palavra. As paixões sobrevivem e ajudam a sobreviver. Parece-me, foi o caso.
    A Badu, tal como a minha cadela, rafeira. Mas, em tempo algum, uma questão.
    Continuação de dias bonitos e felizes à bonita Badu e a quem a trata tão bem.
    Um beijo.

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  8. é tão tão bonita a badu! e de facto tem um olhar irresistível :)
    uma das minhas gatas também é uma mariquinhas, tem medo de tudo e todos e quase nunca ninguém (fora eu) a vê. mas é a gatinha mas doce e companheira do mundo, tem o miar mais suave e doce e faz-me tão feliz :) e é bom sentir que também consigo que ela seja a gatinha mais feliz do mundo, com muito mimo, muita conversa e, claro, boa comidinha ;)

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  9. ♥ Os Rafeirinhos da Silva sempre foram a melhor raça! :))
    Parabéns à Badu *festinhas*

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