15/12/2014

A pintura das favelas

(imagem retirada daqui)

Como sabem desse lado, sou fascinada por todas as artes. Porém, uma das que mais me fascina e que, de facto, tem interesse acrescido conforme a idade vai passando (estou a ficar velha), é a pintura. Talvez seja por ser aquele ofício que é mais difícil para mim de fazer e não tenho jeito nenhum, ou talvez seja porque cresci a ver a minha mãe a pintar nos tempos livres e toda aquela perícia me parecia tão longe como perto de alcançar.

Quando era pequena, não gostava muito e não entendia nada, por isso não era uma arte que me interessasse. Era chato, não sabia o que havia por detrás do sorriso de Mona Lisa e não percebia porque é que haviam pessoas que ficavam horas a ver os traços de determinado pintor ou não conseguia conceber o conceito de "apreciar arte". Hoje, percebi que é uma questão de gostos e que há coisas que fui aprendendo a gostar. Assim como os brócolos ou as couves-de-bruxelas, o certo é que, actualmente, sou capaz de me perder a ver pinturas, pela facilidade que percebo de alguém que dá cor e textura a partes da sua alma.



(imagem retirada daqui)

(imagem retirada daqui)

Na altura em que fiz também a minha Pós-Graduação em Terapias Expressivas, aproveitei para procurar mais sobre os temas que mais me interessavam, como a arte urbana e de rua (graffiti), mas também sobre a Arte Bruta, o movimento artístico mais puro e inicial de criar, como parte da liberdade de cada um, e como isso muda aquilo que nos motiva, aquilo que nos vai cá dentro. No fundo, interessou-me a ideia que existe por detrás de cada obra, do mundo de fantasia que cada um representa na sua pintura, da maneira como o expõem, do processo de cura dos seus fantasmas mais íntimos.

Na semana passada, o meu maridão, depois de um dos seus intermináveis serões a ver TedTalks, mostrou-me este vídeo sobre a maneira como a pintura pode transformar comunidades. Nele, os artistas Jeroen Koolhaas e Dre Urhahn revelam o seu trabalho nas favelas do Rio de Janeiro (e não só), onde se atreveram a colocar tinta nas paredes daqueles lugares e mudaram a vida de quem encontraram pelo caminho.



A certa altura, parece algo muito pequeno, que apenas inclui a pintura duma parede. E, depois, algo tão megalómano, que envolve tantas pessoas que se torna quase impossível de cumprir. No entanto, estes dois favela painters mostram o que a luta, a perseverança e a alegria são capazes de fazer por todas as pessoas que conheceram. Vale a pena ver para começarmos a semana da melhor forma e muito inspirados. :)

Para mais TedTalks, vejam aqui. E vejam também o site de Favela Painting.

2 comentários:

  1. São ideias bastante inovadoras e inspiradoras de facto!

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  2. Por coincidência, sendo eu também um amante da arte em geral, não fazendo distinções que mereçam, por ora, ser assinaladas, sempre tive algum receio da pintura. Mais como praticante do que como espectador, claro. Pois gosto bastante de ver e olhar pinturas várias. Desde cedo, o fascínio por este braço da arte, me obrigou a esperar a maturidade. Porventura, nada terá que ver. Quem sabe, uma incoerência como outras. A dedicação pode ser uma opção.
    Obrigado pela partilha, Raquel. Sempre pertinente.
    Um beijo.

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