09/02/2015

A Música: Scott Bradlee

(imagem retirada daqui)

E eis que, depois dum fim-de-semana cansativo, volto com os assuntos da música, aqueles que tanto sentia falta de contar. Na verdade, andava para vos falar deste senhor há uns tempos, mas as segundas-feiras têm sido sempre tão atarefadas que nunca conseguia arranjar espaço para isso. No entanto, hoje levo-vos até ao mundo de Scott Bradlee.

É daqueles nomes algo badalados na música actual, principalmente daqueles que se seguem pelas paixões do Youtube. Nascido em 1981 em Long Island, New York, Scott Bradlee apaixonou-se pelo jazz aos 12 anos, enquanto ouvia Rhapsody in Blue de Gershwin, que o intrigou para aquele som que lhe falava aos ouvidos. Foi isso que o fez iniciar-se no piano e, mais tarde, ir estudar jazz performance e gestão musical para a Universidade de Hartford, em Connecticut.

De volta a New Jersey, começou a experimentar os seus sons e percebeu a necessidade de se mudar para New York, para o centro da música que queria fazer. Naquela altura, passou o mesmo que muitos músicos que andam por aí e tentava pagar as contas enquanto tocava em casamentos e clubes de jazz. No entanto, nunca se esqueceu daquilo que o movia. Ainda que os seus interesses apontassem para as músicas mais antigas, começou a trabalhar com o pop num exercício para o crescimento daquilo que fazia, pois sabia que aquilo é que atraía as massas. Entretanto, começou no Youtube como necessidade, para mostrar aquilo que fazia e foi assim que lançou um dos seus primeiros vídeos, um medley de músicas dos anos 80 em ragtime (um estilo de jazz).



E, finalmente, chamou a atenção daqueles que o ouviam. Algumas celebridades e escritores começaram a falar dele e rapidamente começou a ter alguns seguidores. Uns anos mais tarde, lançou dois discos denominados como Mashups by Candlelight, onde, através do seu piano, juntava duas músicas conhecidas numa só. Vejam aqui Crazy^3, que engloba o clássico de Patsy Cline, a música que deu nome a Gnarls Barkley e uma versão jazz de Crazy in Love, da Beyonce.



Depois disto, começou a dar que falar verdadeiramente com o seu Motown Tribute to Nickelback, onde juntou músicos para representar músicas desta banda que ninguém gosta (nem quer gostar), duma forma que todos queriam saber. No entanto, foi em 2013 que criou o Postmodern Jukebox, um conjunto de músicos que recria músicas actuais noutros estilos de jazz. Em Setembro desse ano, lançou We Can't Stop de Miley Cyrus, num estilo doo wop jazz dos anos 50 e captou todas as atenções num vídeo que tem actualmente mais de 11 milhões de visualizações.



Assim, através de Postmodern Jukebox, reencontrou-se com a sua música, o seu amor maior, principalmente pelos sons antigos que lhe enchem os ouvidos, os mesmos que queria replicar naquilo que faz. Deu a conhecer muitas caras, vozes e sons que admirava e, em conjunto com os seus músicos favoritos, criou um universo alternativo, em que as músicas actuais foram escritas há meio século atrás.



Nas covers, apelam à familiaridade daqueles que os ouvem. Mas, mais do que isso, não se limitam a imitar e reinventam aquilo que representam. Cada música tem o seu vídeo, filmados inicialmente numa sala de estar em Queens, em que os músicos se vestem como a época que representam cuidadosamente. través de misturas arrojadas de géneros musicais e de novos arranjos, entramos numa máquina do tempo, visitamos locais antigos, experimentamos sons novos e revivemos ambientes clássicos que nos são tão familiares.



Conheçam, então, Scott Bradlee, um herói da música moderna. Em Postmodern Jukebox, ele funda contexto cultural, une gerações e quebra as regras de tudo aquilo que era previsto ou suposto. Replica o seu amor pela música de antigamente nas canções de agora e, não aceitando os muros do tempo, vive na sua loucura criativa, pois não pára de criar. Assim, descobriu o seu som e, através da sua música, faz história.

(imagem retirada do facebook de Scott Bradlee)

Vejam o site de Postmodern Jukebox, o canal do Youtube e, para os mais curiosos, vejam o Tedx Talk que Scott Bradlee mostrou.

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