11/02/2015

[desculpas para escrever] uma qualidade

Eu sei, hoje o tema é positivo. Mas, contrariando as minhas qualidades (presunção e água benta), tenho o defeito de não lidar bem com aquilo que tenho de bom, de não conseguir enumerar facilmente os meus elogios. Confesso que, para mim, dizer o que tenho de bom é uma tarefa muito mais difícil do que criticar as minhas imperfeições. E hoje, contrariamente àquilo que costumo fazer, começo com aquilo que é negativo, para que saia do caminho. Mas não se preocupem, esta é uma história que acaba bem.

Já se devem ter apercebido desse lado que ando meia desaparecida destas lides do blog. Sim, é real. Na verdade, ando muito atarefada com mil e uma coisas, e o tempo que tenho livre é para pensar noutras coisas além deste meu lugar, para produzir outras coisas, para me envolver noutros projectos que me dêem rendimentos. Ando sempre a pensar em novos assuntos para conseguir pagar as contas e continuar a fazer aquilo que me faz feliz. Infelizmente, este blog não me dá esses mesmos rendimentos e o tempo começou a encolher para as coisas com as quais não tenho recompensas monetárias. Tive de me decidir dessa forma e de aprender a dizer que não (ainda não sei).

Pois, não é normal "queixar-me" destas coisas. Sou aquela pessoa que toda a gente conhece com um sorriso constante e que contagia quem estiver por perto. Essa é, talvez, a minha maior qualidade, a alegria contagiante. Acredito que um sorriso ultrapassa muitas barreiras, muitas caras sisudas que nos dizem amplamente que não. Creio plenamente que um sorriso é capaz de apaziguar corações, resolver austeridades e tornar o dia mais solarengo, mesmo que a chuva teime em cair. O meu sorriso é mais do que a minha qualidade, é o meu maior valor, a condecoração que uso com orgulho, a arma de defesa e um recurso de ataque quando os tempos correm maus.

No entanto, reconheço que tenho também uma outra qualidade que me define na perfeição: sou capaz de esconder tudo aquilo que me magoa no meu sorriso. Há quem diga que sou transparente e eu gosto de pensar que essas pessoas me conhecem bem. Mas a verdade é que eu sou mesmo boa a ocultar o que me dói e só o mostro quando estou prestes a rebentar.

Desde que comecei este blog que fui tendo uma evolução naquilo que escrevia. Há uns anos atrás, era adepta dos blogs e seguia alguns religiosamente, por isso sabia bem o que podia ou não fazer por aqui. Assim, inicialmente este foi o lugar onde comecei a ser mais profissional, a falar das coisas que gostava e daquilo que me movia. As palavras foram-se libertando com o vento e os textos foram-se alongando por aqui. De repente, escrevia textos longos que nunca mais acabavam! (será que escrevo como falo?)

Com o tempo, percebi o peso que as coisas tinham, como a minha linguagem era séria, exactamente aquilo que não queria. Da mesma forma, não queria que este blog fosse um diário, porque não me queria queixar para estas linhas. Lembrei-me dos meus diários antigos, onde só escrevia quando as coisas estavam mal e não quis que fosse assim, porque eu não sou assim. Foi realmente difícil assumir um meio termo entre o bom e o mau, entre aquilo que mostrava e aquilo que queria deixar só para mim. E, depois de muito pensar, decidi pôr aqui coisas bonitas, momentos que inspiravam, decisões do quotidiano, espaços bonitos, algo que me enchesse o coração.

No final do ano passado, percebi o quão pessoal era o meu blog, mesmo que vos contasse muito pouco. Durante o meu projecto 365, em que tinha de revelar uma fotografia por dia, tinha muito para escrever, muito para revelar. Nas alturas em que me sentava para escrever por aqui, deixava tudo o resto fora da porta e obrigava-me a estar comigo mesma, com os meus pensamentos e as palavras que queria tecer. Confesso que me assustei com isso, com a minha facilidade em contar aquilo que me ia na alma, sem filtros, sem perceber que desse lado estavam aqueles que me liam e que iam acabar por me conhecer tão bem como aqueles que estão sempre comigo.

Muito sinceramente e para além dos rendimentos inexistentes, ultimamente tenho fugido daqui porque nem sempre quero arranjar esse tempo para me sentar e escrever sobre mim. Ficou tudo muito sério, sem o sorriso que me é tão característico, sem a leveza que era tão boa de sentir. Não me apeteceu arranjar tempo para ser séria. Deixei de mostrar aquilo que fazia, porque não me apeteceu ordenar palavras para acompanhar feitos e, como consequência, tive fotografias guardadas durante estes meses. Ora, se o meu blog é o meu lugar seguro e pessoal, que seja das coisas boas da vida, das felicidades e dos sorrisos!

Por isso mesmo, em Fevereiro venho com uma nova resolução para aqui: todas as semanas, à sexta-feira, vou mostrar-vos um pouco daquilo que se passou pelos meus dias, dos sítios que estive e das coisas que planeei. Vou deixar que a preguiça se esconda, contar-vos mais das pessoas que estão comigo, dos lugares que vi, da minha escrita, do meu crochet (que, cada vez mais, me ocupa os dias), da fotografia que componho, da música que faço, da Badu que está sempre ao meu lado e da minha vida. É que isto não é blog pessoal que se apresente.

Portanto, prevêem-se só coisas boas, prometo. Porque a minha maior qualidade é o sorriso que carrego, o mesmo que contagia qualquer pessoa que esteja perto de mim. Vamos sorrir juntos? :)

P.S. Nas Desculpas para escrever da próxima semana, falem-me de mãos, das vossas, de alguém que vos inspire ou dum momento que se relacione com isso.

2 comentários:

  1. Boas, Raquel!
    Estava a ler-te e a identificar-me contigo, uma vez mais. Deixe-me levar e pensava como falar do que nos aborrece ou, porventura, de uma ou outra qualidade que sabemos que tem alguma lacuna, é tão mais fácil do que apontar o melhor. Embora, vezes demais, insistamos em dizer que não as conhecemos (às coisas boas), a verdade é que temo-las sabidas de cor. Tal e qual, como acontece com as menos boas. Incoerência ou feitio. Uma das duas. Acredito em ambas.
    Entendo, que a dada altura, percebas que esse filtro se dissipe e, numa necessidade natural, faças por recusá-las. Contudo, quando procuro um espaço como este, também gosto da surpresa. E, bem sabemos, não vivemos de sorriso aberto todas as horas do dia e todos os dias da semana.
    Agradeço sempre essa partilha tão pessoal. Porque gosto de te ler. E de saber que o filtro, existindo, não é o principal motor deste espaço.
    Continuação, é o que desejo.
    Um beijo.

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    1. Não vivemos, de todo, de sorriso aberto a todas as horas do dia. Confesso que ultimamente me tenho deixado levar pelos momentos bons e não tenho arranjado outros para escrever por aqui. Não considero que seja algo mau, é apenas diferente. Mas perco-me um pouco e depois tenho saudades de me ver escrita.
      Desculpa-me também por não ir tantas vezes visitar-te a ti e ao teu espaço. Prometo que farei um esforço para compensar isso. :)
      Um beijo.

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