16/04/2015

Em casa de amigo, serás sempre bem recebido. Maria Capaz

(imagem retirada daqui. restantes imagens retiradas do site Maria Capaz)

Não é novidade para ninguém, tenho andado um bocado desligada destas lides do blog.

Sinceramente não sei qual é a razão, mas desde o início deste ano que as minhas expectativas relativamente a este espaço mudaram um pouco e, ao aperceber-me que este lugar era para falar sobre mim e daquilo que me rodeava, deixei de ter vontade de o fazer. Sendo uma pessoa faladora e tendo sempre muito a dizer, causou-me estranheza inicialmente, confesso. Muitas foram as vezes em que iniciei um post novo e aquela sensação de página branca deixou-me sem saber o que escrever. E, ao final duma semana, tinha falado apenas uma vez por aqui. E, ao final de umas semanas, isso deixou de me fazer confusão.

Sou muito crítica com aquilo que faço e digo, por isso é que andei tanto tempo calada. No entanto, hoje sei que falo pouco por aqui, mas também sei que, sempre que o faço, quero mostrar mais de mim, mais do que aquilo que normalmente o faria quando falava por aqui todos os dias. Deixei de me preocupar com números ou visualizações e passei a ver cada um que me segue como um interesse, uma razão para se identificar comigo e com aquilo que faço. Fiz as pazes comigo mesma.

Mas sinto falta de vos falar das coisas que me inspiram, principalmente neste processo criativo (e algo limitativo) que tenho novamente: escrever um livro. Não tenho arranjado tempo para me envolver com os blogs que costumo seguir, nem tenho conseguido alimentar-me das palavras e das histórias daqueles que mais gosto de ler. Uma das pessoas que mais gosto de ler é a Carla, do Um Atraso de Vida, uma mulher muito inspiradora e que já vos falei por aqui, por ter daqueles sorrisos capazes de encantar o mundo inteiro e mover todas as paredes que se apresentarem no seu caminho.

Assim, no início da semana passada, quando vi o post da minha amiga Carla que começava a dar os primeiros passos como cronista do Maria Capaz, senti uma lufada de ar fresco. Este é um blog/site/plataforma de ideias onde a mulher está no palco de todas as atenções, com um foco no ambiente feminino e em tudo aquilo que o rodeia. Aqui, vemos ensaios fotográficos, ensaios literários, crónicas, textos livres, curtas, crítica cultural, debate, reportagem e grandes entrevistas, com espaço para as mulheres que nos são conhecidas e outras que queremos conhecer. Acima de tudo, no Maria Capaz vemos histórias de mulheres.



Ora, eu tenho uma predilecção especial por mulheres, por histórias de superação pessoal e por essa força que as mulheres têm, tão difícil de explicar por palavras. Na verdade, sempre (ou quase) que invento uma personagem nova e principalmente quando é uma daquelas que nos toca na alma, essa personagem é feminina. Identifico-me com isso, gosto desta força latente nas personagens femininas e emociono-me profundamente com estes exemplos.

Sou feminista. Àqueles que se arrepiaram, calma. O conceito mudou muito com os anos. Longe vão os tempos em que os soutiens eram queimados e que o feminismo era um bicho de muitas cabeças. Longe vão os tempos em que as mulheres feministas deixavam os pelos crescer, cheiravam mal e eram estranhas. Longe vão os tempos em que, para se ser feminista, era necessário ter um partido político de esquerda por trás, porque só assim as mulheres seriam ouvidas. E ainda bem.

Em primeiro lugar, para se ser feminista não é necessário ser-se mulher. Hoje, para se ser feminista é preciso apenas acreditar que as mulheres devem ser tratadas da mesma maneira que os homens, que devem ser pagas da mesma forma, que têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. Não é uma ideia nada complexa, apesar de difícil. Hoje, sabemos que as mulheres não chegam tão facilmente a cargos superiores, apenas por serem mulheres. Sabemos que não ganham o mesmo respeito que os homens, nem o mesmo ordenado ao final do mês. E é por isso que me designo como feminista, porque acredito plenamente que só no dia em que deixar de haver um dia para celebrar a mulher é que seremos plenamente livres. Iguais. É isso que quero reivindicar para nós e, desta forma, é com muito orgulho que me designo uma feminista.

Vivemos num mundo carregado de preconceitos. E, desta forma, as mulheres são forçadas a assumir coisas que não querem ser ou fazer e determinam-se em definições limitadoras. Não é culpa de homens nem de mulheres; é culpa de Homens. Muitas vezes são as nossas amigas, tias, mães ou avós a apontarem-nos o dedo por tomarmos atitudes "pouco correctas".


Somos enjauladas por ideias, pensamentos e pressupostos duma determinada religião, cultura e sociedade. Somos encurraladas por dogmas e ideias discriminatórias, vítimas da educação que temos e do meio onde nos inserimos. Por isso é que é tão importante que se fale de igualdade de sexos, de liberdade individual, de feminismo. É essencial para que se desfaçam intolerâncias e se conheça o outro lado duma feminista: uma mulher com pelo na venta.

Neste Maria Capaz é possível vermos textos de mulheres que pensam da mesma maneira que eu. Foi assim que eu me perdi durante uma tarde, em que vi os vídeos das entrevistas de algumas das mulheres portuguesas mais inspiradoras. Destaco dois, da Catarina Furtado, uma mulher que guarda muitas histórias dentro de si, pedaços da sua própria narrativa, e Inês Castel-Branco, uma daquelas que sempre me causou curiosidade, por gostar tanto dela, pelas suas afirmações. E confesso que ainda gostei mais da abertura da conversa com a Inês Castel-Branco, onde refere que é normal estar triste. Esta frase é tão importante que me arrepiou. [e um dia prometo falar mais disto]



Havia muito mais para dizer, mas, por hoje, chega de testamento. Espero que gostem deste Maria Capaz, onde as feministas deixam de ser bichos feios e esquisitos, com pelos debaixo dos braços e de esquerda. :)
Vejam as outras entrevistas e conteúdos no site, ou no canal do Youtube do Maria Capaz.

7 comentários:

  1. Adoro o Maria Capaz, identifico-me com muitos dos textos que são escritos, pela forma como são escrito e pela mensagem que passam. E também devo ser, à minha maneira, um bocado feminista, talvez. O que sou mesmo é mulher e acho que isso, pelas mil e uma responsabilidades que acarreta, é ser especial. :)

    ResponderEliminar
  2. Post muito importante, Raquel :)
    Para as empresas/governos: é preciso criar condições para as mulheres poderem ser mães (se o quiserem) sem serem prejudicadas a nível profissional; é bom para todos: mais natalidade e manutenção de produtividade. Na Finlândia há faculdades com creches como incentivo à natalidade. Neste caso, as mulheres até podem ser mães antes mesmo de trabalhar. Acho que o caminho é este (e não apenas mais dias de licença de maternidade). Precisamos de crianças e precisamos que as mulheres não fiquem para trás só porque escolhem ser mães ou nunca haverá igualdade. Beijinho*

    ResponderEliminar
  3. Entendo-te as ausências e a indiferença, se é que podemos usar esta palavra, perante a página em branco. Quantas vezes, ignorar a nossa distância e seguir para outra coisas que nos faz tão mais sentido, é meio caminho percorrido para que as vantagens se tornem artistas.
    Esta plataforma, que já tive oportunidade de conhecer através de uma amiga que, tal como tu, se define como feminista. Desde então, vou lendo ou vendo um ou outro excerto das entrevistas. Não há vantagens se não formos sinceros.
    De há uns tempos a esta parte, venho ouvindo que os homens podem ser feministas e concordo. Inclusivamente, se não estou em erro, as fundadoras já abordaram essa temática. E não posso estar mais de acordo.
    Raquel, gosto de te ler e de ver através da tua objectiva. Respeito a distância entre cada texto, mas espero que voltes sempre. E mais, e mais.
    Continuação.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Real, estou distante, é certo, mas prometo não desaparecer. É que existe em mim uma voz que, mesmo em surdina, não se cala.
      Obrigada por continuares desse lado. :)
      Um beijo*

      Eliminar